Um fato embaraçoso para os abortistas

Por Patricia L. Dickson [*]

Um dia desses, eu tive uma discussão acalorada sobre aborto com uma colega de classe feminista e, no desenrolar de sua argumentação, notei que ela tinha a peculiaridade de elaborar toda a sua retórica pró-escolha em torno do verbo escolher. Ela afirmou que os Republicanos querem dizer às mulheres o que fazer com os seus corpos ao acabar com o financiamento estatal da Planned Parenthood. Também disse que as mulheres têm o direito de escolher o que fazer com os seus corpos, e negar o aborto a elas seria forçá-las a ficarem grávidas e, dessa forma, forçá-las a serem mães. O que realmente me incomodou foi ela dizer que uma mulher tem o direito de escolher ser mãe.

Eu percebi que a discussão estava ficando cheia de jargões esquerdistas, então eu decidi elaborar todas as minhas respostas usando o verbo escolher, da mesma forma que ela vinha fazendo. Comecei informando-a de que a primeira escolha que uma mulher faz quando se trata de gravidez é escolher fazer sexo e, ao escolher fazer sexo, ela está por sua vez escolhendo ser uma mãe. Apesar de nem todas as relações sexuais resultarem em gravidez, toda gravidez resulta do sexo. Portanto, se uma mulher saudável e fértil escolhe ter relações sexuais consensuais, ela está escolhendo a possibilidade de ficar grávida, e por conseguinte, está escolhendo ser uma mãe. Quando eu disse isso, minha colega de classe, uma quase cinquentona, ficou desconcertada.

Eu realmente não esperava que ela fosse perder a discussão (apesar de isso ter sido incrível). Ela não sabia que o sexo pode originar uma gravidez? Toda vez que uma feminista discute a questão do aborto, o sexo nunca entra na conversa (a não ser em casos de estupro ou incesto). Os pró-escolha querem escolher apenas quando o bebê (ou o feto, segundo eles) já está no útero. Para começar, como é que o bebê apareceu lá? O sexo consensual é um fato embaraçoso para os abortistas.

Esse é um ótimo exemplo de como obter o controle do frame em uma discussão. A estratégia aplicada aqui foi a de se apropriar dos elementos retóricos da oponente e usá-los contra ela própria. Quem define os termos do debate tem a vitória na mão, portanto, em hipótese alguma permita que um esquerdista aplique seus jargões (direito de escolher, machismo, fascismo, islamofobia, etc) e saia como se nada tivesse acontecido. Desmascare-o no ato ao expor esses conceitos ao ridículo, fazendo com que ele não tenha onde esconder a cara. Se fizer isso, pode ter certeza que o meliante pensará mil vezes antes de falar idiotices perto de você de novo.

[*] Patricia L. Dickson. “The elephant in the room in the abortion debate”. The American Thinker, 30 de Outubro de 2015.

Tradução: Direita Realista

3 comentários

  • Cátia Ramos

    Perfeito!

  • Dominck

    Pra mim não é uma questão de ganhar ou perder em uma discussão e sim de mostrar ao outro que ele defende uma ideologia que não se sustenta em bases concretas, fazê-lo repensar no que ele acredita seria muito mais gratificante ao invés de apenas querer envergonha-lo.
    Ainda sim ótimo texto.

  • Adalberto P. Mathias Pinto

    Imaginemos a seguinte situação: Um avião acaba de decolar e uma passageira chama a comissária exigindo que a aeronave dê meia volta e aterrize porque ela decidiu não viajar mais. A comissária argumenta com a passageira dizendo que ela deveria ter tomado a sua decisão antes de comprar a passagem ou antes de embarcar, agora é tarde, há outras pessoas envolvidas que querem chegar ao seu destino.
    O mesmo se aplica ao aborto, o livre arbítrio e a livre disposição sobre seu corpo devem ser exercitados na hora de consentir com o sexo e não depois da concepção, quando há uma outra vida envolvida.

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