Tsipras e o Parlamento Europeu

Mais uma vez a Grécia foi assunto dos discursos no Parlamento Europeu, e das manchetes internacionais. A dívida grega já superou a incrível marca do 170% do PIB. Não honraram o pagamento de 1,6 bilhão de euros ao FMI, e consagraram-se como a primeira a nação do mundo a não reembolsar o fundo. No último dia 08, Manfred Weber, político alemão membro do Parlamento pelo partido da União-Social Cristã, da Bavaria, falou aos membros do Parlamento sobre o impasse com o governo grego:

FILE - New Chairman of the EPP Group (European People's Party) in the European Parliament, Manfred Weber gives his first press conference after a meeting with European Council President van Rompuy, at the EU Parliament in Brussels, Belgium, 12 June 2014. EPA/OLIVIER HOSLET (zu dpa "EVP-Fraktionschef Weber: Deutschland sollte Pkw-Maut 2016 einführen") +++(c) dpa - Bildfunk+++

Manfred Weber, membro do Parmento Europeu

Antes de falar sobre a Grécia, um apelo ao Presidente; se este é o centro do coração da democracia europeia, então, eu gostaria também de pedir pela participação do Parlamento Europeu nas deliberações do Conselho, como já ocorreu anteriormente, também ao nosso presidente do parlamento. Acredito que isto é importante. Caros Colegas, Hoje eu não falarei sobre política econômica, nem sobre números do orçamento, hoje quero falar sobre os princípios da cultura europeia. Vamos, por exemplo, falar sobre integridade, sobre parceria, sobre a questão de como lidar com os amigos. Caro Sr. Tsipras, o senhor representa um governo que tem dito as seguintes coisas nas últimas semanas: “O secretário de Defesa UE ameaçou enviar ondas de refugiados em toda a Europa, se a Europa não pagar.” E o ex-ministro das Finanças rotulou parceiros europeus como terroristas, pessoas de Portugal, Bélgica, Espanha, porque queriam espalhar o medo. Caras Senhoras e caros Senhores, caros colegas, hoje eu realmente esperava que o chefe do estado grego viria até aqui e se desculparia por estas declarações inaceitáveis, mas ele ainda insistiu no erro, infelizmente. Vamos falar sobre a confiabilidade e confiança, bens culturais europeus. Em fevereiro 2015 no seu primeiro Conselho Europeu, Sr. Tsipras, o senhor assegurou que a Grécia iria apresentar um programa de reformas. Até a data não há propostas concretas da Grécia, que formem qualquer base sobre a qual poderíamos ser discuti-la. Ontem todos sentaram-se juntos novamente, sem ter uma base para consultar. O Sr. destrói a confiança da Europa. O resto da Europa não tem confiança no senhor. O Sr. fala sobre dignidade, que seria o termo chave da sua política na Grécia. O Sr. sabe o que faz parte da dignidade? A verdade faz parte da dignidade, honestidade faz parte da dignidade. Seu governo disse à população, que os bancos permaneceriam fechados, porque o “malvado“ BCE estava fazendo pressão. E o Varoufakis, o ministro das Finanças que renunciou, disse na terça-feira que os bancos iriam reabrir. Hoje é quarta-feira, os bancos ainda estão fechados. Caro Sr. Tsipras, o Sr. não diz a verdade ao seu povo. E isso é uma política indigna. Eu quero falar sobre dignidade. A pergunta: A quais amigos nos cercar? Isto faz parte da dignidade. Eu só preciso olhar para o plenário. Esquerda e direita aplaudindo juntos, os extremistas da Europa estão unidos, Le Pen, Wilders, Ukip. Os extremistas da Europa aplaudem e então não pode faltar um, Sr. Tsipras; Fidel Castro, chegou a parabenizá-lo pelo grande sucesso que o Sr. conseguiu. O senhor cerca-se com os amigos errados!

Presidente do parlamento da EU, Schulz: Por favor, Sr. Weber, continue.

Gostaria de expressar mais um pensamento sobre dignidade. Sobre a dignidade ao próximo na Europa. Quando falamos em perdão de dividas, então, por favor, o Sr. não minta para as pessoas. O perdão das dividas não será pago por instituições financeiras estrangeiras, bancos, ou quaisquer mercados financeiros. O perdão das dividas quem vai pagar, será por exemplo Portugal, 3,5 bilhões de euros; a Espanha, 24 bilhões de euros. Será o agricultor de Portugal, será a enfermeira na Eslováquia, serão os funcionários em Helsinque, que terão que pagar a sua dívida. Dessa forma, gostaria de pedir também que a dignidade fosse vista. A dignidade destas pessoas. Senhor Presidente, eu gostaria de falar sobre o conceito de solidariedade. A Grécia viveu um momento extremamente doloroso. Por isso, o Presidente do Conselho Jean-Claude Juncker ofereceu o auxílio de 35 bilhões para reconstrução, o qual o Sr. rejeitou. O seu país faz fronteira ao norte com a Bulgária. A Bulgária é membro da União Europeia. O Sr. sabe, como um político experiente, quais as condições de vida das pessoas por lá. Como o Sr. poderá explicar aos búlgaros, sob o aspecto da solidariedade, que a Grécia agora não pode mais aguentar reduções e cortes, embora em cinco Estados-Membros da zona do euro, o salário mínimo seja inferior ao da Grécia. O Sr. realmente pensa nessas pessoas? E eu gostaria de apresentar mais dois conceitos da cultura europeia. A questão da esperança. As pessoas neste continente precisam de esperança, esperança para o futuro. Ontem, em seu lugar sentou-se a presidente de Estado da Letónia (Straujuma). A Letónia sofreu uma queda de 14% do PIB em 2009. Um desastre econômico. Lá, nenhum político de nenhum partido realizou um referendo, muito pelo contrário, eles colocaram a economia em ordem, eles reformaram o país e prepararam-no para o futuro. E hoje temos lá um futuro para esse povo. O Sr. provocou um balanço econômico catastrófico e, portanto, o Sr. não é a favor da esperança. E o último pensamento é sobre democracia. O Sr. representa aqui…

Presidente do parlamento europeu Schulz: Sr. Weber, por favor, aguarde um momento. … [ Dirigindo-se à plenária ] Se os Srs. continuarem com os berros, o Sr. Weber não poderá tirar proveito de seu tempo de fala. Dessa forma os Srs. postergam o seu tempo de discurso. (Berros) A capacidade de ouvir faz parte da democracia. Que essa capacidade os Srs. não têm, nós já sabemos. Que você não tem, nós sabemos. Sr. Weber, o Sr. tem a palavra. (Aplausos e vaias).

Estou sinceramente grato pelos aplausos, porque ele mostra claramente quem aqui representa as forças extremistas que buscam quebrar a Europa. Senhoras e Senhores, eu gostaria de dizer mais uma coisa sobre a democracia. O Sr. Tsipras apresenta-se aqui como um representante da democracia grega. Ele realizou um referendo e é o vencedor com 61% dos votos. Sr. Tsipras, o presidente de Estado da Eslováquia, que é socialista, anunciou agora também considerar realizar um referendo, porque os eslovacos estão esgotados de ter que abrir as carteiras para os gregos. Outros estados também poderão votar a partir de agora? Sr. Tsipras, na Europa nós temos perspectivas nacionais suficientes. A Europa não é a soma de referendos nacionais. A Europa é a busca de acordos e desse caminho, que o Sr. infelizmente desviou. Eu quero chegar à conclusão e gostaria de expressar que nós absolutamente respeitamos o presidente de Estado Sr. Tsipras como representante eleito de seu país. Ele assumiu o cargo democraticamente. Mas eu digo como político, como representantes do PPE, nós iremos lidar com o Sr. politicamente. O senhor, Sr. Tsipras, ama a provocação, nós amamos o acordo! Os Sr. ama a falha, nós amamos o sucesso! Os Srs. dividem a Europa, e nós, nós amamos a Europa. Espero que o Sr. tome juízo e finalmente apresente um programa. Obrigado.

Tradução: Rayana Joeckel-Schwandt
Revisão: Hélio Costa Junior
Fonte: https://goo.gl/rJckVg

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