Se a Suécia e a Alemanha fossem Estados americanos, estariam entre os Estados mais pobres

Por Ryan McMaken:

A defesa do suposto sucesso econômico dos países socialistas europeus continua. Muitos países europeus como a Suécia ganharam a reputação de serem muito prósperos apesar de suas economias altamente burocratizadas e de seus altos impostos. Com isso, muitos presumiram que o resto da Europa é mais ou menos similar, ainda que ligeiramente mais pobre. Mas se analisarmos os dados mais de perto, veremos uma figura muito diferente emergir, e perceberemos que a renda mediana entre as famílias americanas é maior do que a mediana de todos os países europeus, com exceção de três deles.

Pior que Mississipi?

No ano passado, um debate surgiu comparando a Grã Bretanha com cada um dos Estados americanos. No jornal UK Spector, Fraser Nelson, explicou: “Porque a Inglaterra é mais pobre do que qualquer Estado Americano, exceto o o Mississipi.” Uma semana depois, a revista TIME respondeu com um artigo intitulado: “Não, a Inglaterra não é mais pobre que o Alabama.” O autor do artigo da TIME, Dan Stewart, explicou que sim, a Inglaterra é mais pobre do que muitos Estados americanos, mas certamente não mais que todos. (Vejam abaixo para confirmar que de fato, a Inglaterra, é mais pobre do que qualquer Estado americano)

A principal falha no artigo do Spectator, segundo o que seus críticos afirmaram, foi se basear primariamente no PIB e no PIB per capita para fazer comparações. Os críticos da TIME (e outras publicações) corretamente alegaram que se alguém pretende tirar conclusões a respeito da pobreza entre diversos países, os números do PIB de forma alguma seriam a melhor métrica. Para alguns, o PIB per capita pode ser distorcido para cima por um número pequeno de pessoas ultra-ricas. Afinal de conta, é apenas o PIB dividido pelo total da população. Isso não nos dá ideia de qual a renda mediana das famílias daquelas regiões. Assim, é melhor evitar a média e adotar valores medianos se quisermos evitar dados que sejam distorcidos pela fortuna dos ultra-ricos.

Esta mesma crítica foi aplicada em um estudo de 2007, feito pelos economistas suecos Fredrik Bergstrom e Robert Gidehag (e um artigo escrito por Mark J. Perry) que afirmou que, de acordo com seus cálculos, a Suíça era mais pobre do que todos os Estados americanos.

O estudo de Bergstrom e Gidehag não se trata de uma análise superficial, mas visto que eles se basearam grandemente nos dados do PIB per capita, penso que seria melhor nos utilizarmos de dados baseados na renda mediana no intuito de contabilizar melhor as desigualdades de renda e obter uma ideia melhor do poder de compra mediano dos residentes.

graph1 A renda mediana dos Estados Unidos está em vermelho. À esquerda da coluna vermelha estão os países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), e na direita da coluna vermelha estão os Estados americanos. Estas comparações com dados nacionais levam conta impostos e incluem benefícios (e.g., “bem-estar social” e planos de saúde subsidiados pelo Estado) como receita. O poder de compra é ajustado para levar em conta as diferenças no custo de vida em diferentes partes do país.

Visto que a Suécia é tida como uma espécie de terra prometida pelos socialistas americanos, vamos analisá-la primeiro. Descobrimos que se a Suécia fosse integrada aos Estados Unidos como um Estado americano, ela seria mais rica do que 12 Estados somente, com uma renda mediana de $27,167.

Residentes com receitas medianas de Estados como Colorado ($35,830), Massachusetts ($37,627), Virgínia ($39,291), Washington ($36,343) e Utah ($36,036) têm rendas consideravelmente mais altas que a Suécia.

Com exceção de Luxemburgo ($38,501), Noruega ($35,528), e a Suíça ($35,083), todos os países seriam considerados de baixa-renda se fizessem parte dos Estados Unidos. Na verdade, muitos teriam uma renda média menor do que a do Mississippi, o Estado americano mais pobre.

Por exemplo, o Mississipi tem a renda mediana ($23,017) mais alta do que a de 18 países pesquisados neste estudo. A República Tcheca, Estônia, Grécia, Hungria, Irlanda, Itália, Japão, Coréia, Polônia, Portugal, Eslovênia, Espanha e a Inglaterra — todo estes possuem níveis de renda abaixo de $23,000 e, portanto, abaixo de qualquer Estado americano. Não é de espantar que os países mais pobres membros da OCDE (Chile, México e Turquia) tenham a renda mediana muito abaixo do Mississipi.

Alemanha, a potência econômica da Europa, tem renda mediana ($25,528) maior do que apenas 9 Estados americanos. Ao lado da Alemanha está a Finlândia ($25,730), e a renda mediana da França ($24,233) é mais baixa do que a alemã e a finlandesa. A Dinamarca ocupa a melhor posição de renda mediana, ficando acima de 13 Estados Americanos.

Por outro lado, se a Austrália ($29,875), Áustria ($28,735) e Canada ($28,288) se juntassem aos Estados Unidos, seriam classificados como “estado-de-renda-média” com rendas similares à renda mediana americana de $30,616.

Devemos ajustar as diferenças no poder de compra entre os Estados

Entretanto, estou sendo bastante conservador com os números dos Estados Unidos. Comparo aqui os países da OCDE com os Estados americanos baseando-me somente no número de poder compra para todo o território americano. Já contabilizamos o custo de vida nacional (usando os dados de Paridade do Poder de Compra — PPC), mas visto que os Estados Unidos é muito maior do que todos os outros países aqui comparados, precisamos considerar o custo de vida regional dos Estados Unidos. Se calculássemos as rendas reais baseadas no custo de vida em cada Estado, descobriríamos que o poder de compra real é ainda maior em todos os Estados de baixa-renda que analisamos acima.

Usando o índice regional da paridade de preços do BEA (Bureau of Economic Analysis, ou Departamento de Análises Econômicas), podemos contabilizar os diferentes custos de vida em cada Estado, e o novo gráfico ficaria assim:

graph2Agora vemos que há menos variações na renda mediana entre os Estados americanos. Isso faz sentido porque muitos Estados com baixas médias de renda também possuem baixo custo de vida. Ao mesmo tempo, muitos Estados com altos níveis de renda possuem alto custo de vida.

Agora que contabilizamos o baixo custo de vida no Mississipi, descobrimos que Mississipi ($26,517) não é mais o Estado com a menor renda mediana em termos reais. Nova York ($26,152) é agora o Estado com a renda mediana mais baixa devido aos altos custos de vida.

O resultado desse estudo é uma perspectiva mais realista do poder mediano de compra nos Estados americanos. Ele também nos ajuda a comparar cada Estado americano, individualmente, com os membros da OCDE, muitos dos quais têm o custo de vida muito mais altos do que em lugares como o sul ou meio oeste americano. Agora que reconhecemos quão barato é viver em lugares como Tennessee, Flórida e Kentucky descobrimos que os residentes destes Estados possuem uma renda mediana maior do que a da Suécia (um país com um custo de vida 30% mais alto do que os Estado Unidos) e de outros países da OCDE analisados neste estudo.

Uma vez que se leva em conta o poder de compra entre o Estados americanos, descobrimos que a renda mediana sueca ($27,167) é maior apenas do que a de seis Estados: Arkansas ($26,804), Louisiana ($25,643), Mississipi ($26,517), Novo México ($26,762), Nova Iorque ($26,152) e Carolina do Norte ($26,819).

Verificamos algo similar quando analisamos a Alemanha, mas no caso alemão, todos os Estados americanos possuem uma renda mediana superior a da Alemanha. A renda mediana alemã é $25,528. As coisas ficam ainda piores para a Inglaterra, que tem a renda mediana de $21,033, comparada aos $26,517 do Mississipi.

Enquanto isso, o Colorado ($35,059) tem a renda mediana praticamente idêntica a da Suíça ($35,083), e dez Estados americanos (Connecticut, Iowa, Maryland, Minnesota, Nova Hampshire, Dakota do Norte, Utah, Virgínia e Estado de Washington) mostram rendas medianas superiores as da Suíça. Luxemburgo ($38,502), em contrapartida, possui uma renda mediana superior a de todos os Estados exceto Nova Hampshire ($39,034).

Nenhuma destas análises nos surpreende. De acordo com números da própria OCDE (os quais levam em conta os impostos e benefícios sociais), os Estados Unidos tem a renda mediana líquida (após a dedução de impostos) maior do que todos os países membros da OCDE, com exceção de três. A Suécia fica abaixo dos Estados Unidos neste quesito, assim como a Finlândia e Dinamarca.

Visto que a renda mediana nos Estados Unidos está acima da maioria dos países da OCDE, não é surpresa alguma que grande parte deste países estejam abaixo da maioria dos Estados americanos. O Estados americanos com renda mediana acima do nível nacional ultrapassam muitos países da OECD por margem consideráveis.

Métodos e Dados

Comecei minha análise a partir da métrica “renda mediana líquida” da OECD. É uma métrica desenvolvida pela OECD para comparações entre os Estados membros. A medida leva em conta os impostos e benefícios sociais fornecidos.

Então, devemos ajustar os números da paridade do poder de compra utilizando o Índice do Banco Mundial. Assim, podemos ver os números dos Estados Unidos comparados aos de outros membros utilizando dólar como referência entre todos os países. Minha análise em nível nacional está disponível aqui.

Mas a fim de comparar os Estados individualmente, precisamos encontrar uma maneira de tornar todos os Estados comparáveis. O OCDE não mede os Estados americanos individualmente, então tive que me utilizar do índice de renda líquida mediana do censo americano como ponto de partida (média dos rendimentos medianos de 2 anos – 2012 e 2013). Os números do censo são muito mais altos dos que os da OCDE por uma variedade de motivos. De fato, o nível de renda dos Estados Unidos, segundo a OECD, é 59 por cento inferior ao do indicado pelo censo.

Assim, ajustei de forma simplista os níveis de renda do censo aos métodos da OCDE, reduzindo os níveis de renda mediana dos Estados a 59 por cento. Isto reduziu o nível de renda mediana de Illinois, por exemplo, de aproximadamente $54,000 (valor do censo) para $32,000 (para calcular valores estimados da OCDE). Similarmente, seria possível ajustar-se aos métodos da OCDE tomando em conta a renda mediana dos EUA determinada pela OCDE ($30,616) e então ajustar a renda mediana de cada Estado de acordo com a renda mediana nacional.  Por exemplo, visto que Wyoming (de acordo com o censo) possui uma renda mediana de 109% da renda mediana nacional, simplesmente definiremos a renda mediana de Wyoming em $33,600, que é 109% da renda mediana da OCDE para os EUA, que é de $30,616.

Ao ajustar o custo de vida nos Estados americanos, utilizei-me dos números de paridade de preço regional fornecidos pelo Departamento de Assuntos Econômicos (Bureau of Economic Affairs). Naturalmente, os números da renda mediana para cada Estado já estão em dólares americanos.

A renda mediana é uma boa métrica para comparação de pobrezas? Talvez, mas de qualquer maneira é a que a OCDE e a UNICEF utilizam. Tipicamente, a “taxa  de pobreza” também é calculada a 50% ou 60% da renda mediana nacional. Portanto, aparentemente, tanto a ONU como a OCDE entendem que se trata de um número relevante, e se as taxas de pobreza estão sendo utilizadas para embasar a criação de novas políticas públicas, então a renda mediana deve ser analisada.

Tradução: Hélio Costa Jr.
Revisão: Hugo Silver

Fonte: Mises Institute

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