Por que Le Pen é melhor para a França

Por Bric Butler:[*]

Marine Le Pen

Emmanuel Macron e Marine Le Pen disputarão o segundo turno das eleições presidenciais na França (a ser realizado no dia 7 de maio). Sua vitória é quase impossível, no entanto ela é a candidata que a França necessita hoje.

Libertários, liberais clássicos e outros membros da comunidade pró-liberdade que a apoiam não podem ignorar ou minimizar seu apoio aberto ao socialismo econômico e à intervenção estatal. Precisamos lidar com esta parte de sua plataforma política (concordando com ela ou não) e apoiá-la em sua luta contra o terrorismo islâmico, o Euro e a União Europeia.

O socialismo estatista não será desconstruído na França, nem mesmo sob o comando de Macron, que é um pouco mais economicamente liberal.

A forte oposição do público e a resistência na Assembleia Nacional às reformas econômicas prejudicarão o avanço de várias políticas liberais de Macron. Ainda que Les Republicans (partido de centro-direita, mais aberto a políticas economicamente liberais) conquistasse a maioria no legislativo — algo bastante provável visto que eles retomaram o Senado francês em 2014, desbancando os Socialistas — isso não garantiria musculatura legislativa a Macron.

O partido está ressentido com ele, pois muitos sentem que ele lhes roubou a presidência — ainda que, na verdade, a culpa tenha sido do próprio Fillon. Mesmo assim, por causa disso, seu apoio terá que ser duramente conquistado.

Macron sofreria para implementar suas reformas econômicas e a França continuaria a enfrentar sua crise de segurança nacional, resultante dos muitos ataques terroristas cometidos nos últimos anos — ataques estes que mantiveram a França em estado de emergência desde 2015.

Macron hasteou a proverbial bandeira branca (frequentemente associada aos franceses) na questão do terrorismo. A ele é atribuida a máxima de que o terrorismo fará “parte de nosso cotidiano nos anos vindouros”.

Aparentemente, ele lavou as mãos na questão da radicalização islâmica na França, e tem sido acusado de ser demasiadamente flexível nas políticas imigratórias. Outro problema instrumentalizado pelo terrorismo islâmico é o Banlieues, subúrbio pobre composto majoritariamente por imigrantes muçulmanos, cujos filhos e netos têm estado vulneráveis à radicalização. Ao se recusar a proteger as fronteiras francesas, Macron permitirá um influxo maior de pessoas ao Banlieues, agravando ainda mais o problema.

Macron também é a favor da continuidade da cessão de soberania à União Europeia; ele é um entusiasta das causas do federalismo europeu. Ele acredita que o futuro da Europa depende de uma maior integração em nível transnacional.

Um indivíduo assim no governo da França, um dos membros mais influentes da União Europeia, irá fortalecer ainda mais o governo continental da Europa — algo que a retirada da Grã-Bretanha da União Europeia começava a debilitar.

Com a União Europeia, vem o Euro.

O Euro, do qual Macron é um grande proponente, não trouxe nenhum benefício, foi somente causa de discórdias entre as nações da Europa.

As economias fortes do Norte, como a Alemanha, com seu superávit comercial, mantém o Euro demasiadamente forte para as economias mais débeis do Sul da Europa. Nações como a Itália e a Grécia necessitam de uma moeda mais fraca para aumentar suas exportações e aliviar a carga de suas dívidas. Porém, enquanto mantiverem uma moeda única, o Norte e o Sul continuarão extremamente divididos e o sucesso de um lado representará a destruição do outro.

Com a morte do Euro (algo que a eleição de Le Pen não causaria, mas cujas possibilidades certamente aumentaria) e o restabelecimento das moedas nacionais, as nações poderiam elaborar, por meio de seus bancos centrais, suas próprias políticas monetárias mais adequadas às suas condições econômicas atuais, e todos se beneficiariam a longo prazo.

Mesmo com o choque inicial causado pelo colapso de uma moeda, às vezes é preciso simplesmente enfrentar a situação e resolvê-la de uma vez.

Sob a Presidente Le Pen, não veríamos muitas tentativas de reformas econômicas — um ponto positivo é que ela propõe a diminuição dos impostos, apesar de não propor a diminuição de gastos (o que aumentaria a dívida nacional). No entanto, veríamos mais reformas nas políticas antiterrorismo e políticas imigratórias que ajudariam a França a reconquistar sua estabilidade. Veríamos também um duro golpe contra a União Europeia e o Euro.

Estes são alvos que qualquer membro da comunidade pró-liberdade pode apoiar — o restabelecimento da segurança aos cidadãos e a descentralização do poder político e econômico.

Somente veremos estas metas serem cumpridas com Le Pen no comando do Estado Francês, não Macron — um político moderado medíocre que, na melhor das hipóteses, apresentará resultados medíocres.

[*] BUTLER, Bric. Why Le Pen Must Win: A Strategic Ally In The Fight For Freedom. Being a Libertarian, 24 de abril de 2017.

Tradução: Hugo Silver.
Revisão: Rodrigo Carmo.

1 comentário

  • Lucas G

    É muito curioso o modo como a mídia brasileira em geral, ao tratar das eleições na França, classifica o partido de M. Le Pen, o frente nacional, como sendo de ” extrema direita”. Isso são os efeitos da “moral” do politicamente correto.
    Proposições como o rompimento com a UE, maior rigidez em relação aos imigrantes, e força ante ao terrorismo, é precisamente o que a França precisa. E é o que Le Pen , somente ela, oferece no momento. Mas provavelmente o país de Robespierre, Rousseau, Sartre, Foucault e Holland optará novamente por soluções, digamos, ” menos invasivas”.
    E a profecia de ” submissão” de Houellebecq, torna-se cada vez mais verossímil…

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