Por que as mulheres não são iguais aos homens

Por Glenn Stanton [*]

É certo que conservadores cristãos acreditam que mulheres e homens não são iguais. Sabemos que acreditamos nisso, e as elites que não compartilham da nossa fé (que hoje, 26 de agosto, celebram o Dia da Igualdade Feminina) constantemente nos lembram disso. Como poderíamos esquecer?

Eles estão certos, mas da maneira errada. Pessoas civilizadas percebem (até mesmo quando não percebem que percebem) que homens e mulheres não são iguais. G. K Chesterton, com sua perspicácia revolucionária, foi certeiro em seu ensaio “The Romance of Thrift”:

Lembro-me de uma mulher artística e impaciente perguntando a mim, em sua bela sala verde de desenho, se eu acreditava na camaradagem entre os sexos, e por que não. Tive então que oferecê-la a resposta mais óbvia e sincera, “Porque, se eu a tratasse por dois minutos com trato um homem, você me expulsaria de sua casa”.

E é assim mesmo. As mulheres criam, modelam e sustentam a cultura humana. Modos existem porque as mulheres existem. Homens de valor ajustam seus comportamentos quando, no local, entra uma mulher. Tornam-se criaturas melhores. A civilização surge e sustenta-se porque mulheres têm expectativas a respeito delas mesmas e daqueles que as cercam. Essa não é apenas uma ideia dos conservadores e tradicionalistas.

Gail Collins, do New York Times, disse à NPR, inequivocamente, que a mais importante descoberta de seu brilhante livro, ‘America’s Women’ (que ocupa fielmente o lugar esquerdo da mesa de Leslie Knope nos episódios de Park & Recreation), é que a influência mais importante e poderosa que tiveram as mulheres na fundação, crescimento e sucesso dos Estados Unidos da América é este: mulheres fazem os homens comportar-se. Todas as outras contribuições importantes das mulheres são secundárias.

Collins dá exemplos da História. Aqui vai um: os investidores britânicos de Jamestown — que só enviavam homens para trabalhar, com a intenção de que não se distraíssem — não estavam tendo o retorno esperado de seus investimentos. Enviaram, então, um agente para investigar o caso, e descobriram que os homens não estavam trabalhando. De acordo com o relato de um [tal] Senhor Thomas Dale, os homens estavam “vagando pelas ruas no horário das atividades diárias”. Esse hábito gerava no assentamento, explica Collins, “festas de fraternidade longas e desordenadas, sem comida”. Qual foi a solução dos investidores? Começaram a atrair mulheres jovens e disponíveis para o matrimônio às colônias, com ofertas de passagens grátis, e promessas esperançosas e atraentes. Eles imaginaram que esposas poderiam transformar esses fraternos garotos procrastinadores em homens produtivos, trabalhadores e diligentes. E assim foi feito. Uma coisa foi levando a outra, e, por fim, chegou o resultado: a nação mais próspera e trabalhadora da história do mundo. Não apenas por causa das mulheres, mas por meio do poder socializante das esposas e mães.

Antropólogos há tempos reconheceram que o problema social mais fundamental que toda comunidade deve solucionar é o do “macho disponível”. Se suas energias físicas, sexuais e emocionais não são governadas e direcionadas para fins sociais e domésticos, ele se torna o câncer mais maligno da comunidade. Esposas e crianças, nessa ordem, são os únicos remédios bem sucedidos já encontrados. O serviço militar está em segundo lugar, muito distante. O vencedor do Prêmio Nobel de Economia, George Akerlof, explica que “os homens ‘sossegam’ quando casam; se fracassam para casar, não encontram o sossego”, pois “com o casamento, homens assumem novas identidades e mudam seus comportamentos”. Isso não parece funcionar em relacionamentos duradouros de pares formados por dois homens.

Pais e maridos tornam-se cidadãos melhores, mais seguros, mais responsáveis e mais produtivos, sem condição de comparação a seus pares em qualquer outro tipo de relacionamento. Maridos tornam-se melhores companheiros, tratando melhor sua esposa em cada importante aspecto — segurança física e emocional, provisão financeira e material, respeito pessoal, fidelidade, autossacrifício geral etc. — se comparados a namorados, independente de viverem sob o mesmo teto ou não. Maridos e pais possuem planos de saúde, de vida e de automóvel muito piores do que seus colegas solteiros por uma razão estritamente pragmática. Companhias de seguro não ligam muito para maridos. Eles têm seguros piores porque são criaturas diferentes em termos de hábitos, valores, comportamento e saúde geral.

É por isso que o “Senhor das Moscas[1]”, de William Goulding, é uma narrativa não tanto da natureza sombria da humanidade quanto o é do isolamento do masculino do feminino. Se houvesse apenas algumas garotas confiantes entre aqueles garotos, a conclusão teria sido mais para “A Família do Robinson Suíço[2]”.

Homens e mulheres não são iguais. Ele deve o que é a ela. Pode ser que seja este seu único poder, mas é também o mais formidável. O Cristianismo sempre soube disso. O Salvador do mundo escolheu vir a nós por meio de uma esposa e mãe. Eis o motivo pelo qual encontramos o que encontramos exatamente no centro, a parte honrada e singular, no limite máximo do teto de uma certa capela célebre.

A mulher é a força viva mais poderosa na Terra. Ela cria, molda e sustenta a civilização humana. O primeiro passo para enfraquecer o poder que ela possui é convencê-la de que  deve superar sua feminilidade. E isso, ironicamente, é precisamente o que grande parte das correntes do feminismo tem propagado. Sim, a mulher deve ter igualdade nos locais de trabalho, na política e na esfera pública. Mas torná-la mais parecida com o homem para conquistar essas coisas, e considerar a feminilidade um obstáculo para que elas ascendam, é entender as coisas completamente do avesso. É tratá-la de forma muito inferior ao que é.

Glenn Stanton é diretor dos estudos de formação da família no “Focus on the Family”.

[*] Glenn Stanton. “Why Man and Woman Are Not Equal“. First Things, 26 de Agosto de 2016.

Tradução: Laan Carvalho
Revisão: Gleice Queiroz

[1] Livro de alegoria escrito por William Golding, em 1954, vencedor do Prêmio Nobel em 1983, que retrata a regressão à selvageria de um grupo de crianças inglesas de um colégio interno, presos em uma ilha deserta sem a supervisão de adultos, após a queda do avião que as transportava para longe da guerra. Fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/O_Senhor_das_Moscas

[2] Romance, de 1812, Der Schweizerische Robinson, de Johann David Wyss, que narra a história de uma família suíça de colonos que, ao viajar para a Nova Guiné, sofre um naufrágio. O pai Robinson e seus três filhos constroem uma jangada com a madeira do navio destruído e dirigem-se até uma praia próxima, acompanhados da Mãe Robinson e dois cães que estavam no navio. Enquanto esperam o resgate, entre outras coisas, constroem uma confortável casa na árvore, domesticam vários animais, lutam contra piratas e resgatam uma moça de suas mãos. Fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/Swiss_Family_Robinson_(filme)

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