Os sucessos e fracassos do feminismo

Por Dale Ahlquist [*]

Algumas das piores feministas são homens. A feminista clássica é mulher, certamente. Ela surgiu como uma exibição pública há cerca de um século e se tornou uma espécie de instituição em nosso tempo — graças a propaganda apoiada pelo Estado em nossas escolas públicas e a história contada na educação através de imagens. Ela é retratada como uma criatura oprimida que se liberta de uma prisão social comanda por homens. É uma imagem muito bem entranhada na mentalidade americana. Soa como um grito por justiça. Mas buscar igualdade com os homens foi, como apontou G.K. Chesterton, um rebaixamento para as mulheres. Provavelmente é por isso que apenas uma minoria de mulheres abraçou o feminismo. Elas foram, como Chesterton afirmou, simplesmente culpadas de serem uma “imitação lerda, complexa e muito gorda do sexo masculino” — uma descrição impressionantemente vazia de adjetivos nobres.

Chesterton explicou que a maior fraqueza das feministas foi elas acreditarem em todas as afirmações bobas que os homens faziam a respeito da importância da política. A maioria das mulheres era inteligente o suficiente para deixar seus maridos irem a bares e clubes discutir, já que isto acontecia muito pouco e geralmente não interferia nas questões reais da vida, no drama do lar e no da família. Os homens afirmaram que a política era importante; as mulheres sabiam mais. Elas sabiam o que de fato era importante: moldar as mentes e almas de suas crianças dentro do ambiente ideal e independente de seus lares. Mas haviam algumas mulheres, geralmente as que o privilégio de ser de classe alta já as separava dos filhos, que se encantaram pelo discurso masculino pomposo e foram para o universo da política. Chesterton alertou que caso as mulheres se envolvessem na política haveria o temido resultado de tornar a política mais legítima do que ela era. Isso condicionaria um crescimento ao alcance e à influência do governo de modo que eventualmente ele se impusesse em todos os aspectos de nossas vidas. O resultado seria o enfraquecimento da autoridade da família e o fortalecimento da autoridade do Estado. A História tem mostrado que seus alertas foram justos.

Alguns podem considerar que as mulheres terem conseguido o direto de votar foi um triunfo do feminismo. Mas uma vez que as feministas eram uma minoria, o voto não deu a elas realmente muita voz. O triunfo verdadeiro do feminismo foi a legalização do aborto. O argumento de que as mulheres teriam o direito de assassinar seus próprios bebês não está baseado em nenhum precedente legal conhecido, entendimento tradicional sobre direitos humanos ou em qualquer ensinamento moral civilizado e clássico. Isso transformou violentamente a família de dentro para fora, tornando o seio familiar em seu inimigo letal. Mas o argumento feminista venceu… porque alguns homens se apaixonaram por ele.

E ainda há homens que se apaixonam por isto. Apesar de todas as evidências de que o feminismo fracassou — lares destruídos, a geração das creches, a melancolia das mães que trabalham, as consequências do sexo promíscuo e sem amor e, principalmente, os profundos remorsos acerca do aborto — a chama do feminismo ainda está acesa. Mas não são as mulheres que mantém essa chama viva. São os homens. São os homens falhando em seu papel masculino. O feminismo masculino tem sido uma das piores influências da sociedade moderna. Ele representa as perdas de cavalheirismo, masculinidade, paternidade e autoridade.

Embora o aborto seja uma conquista para o feminismo, ele não é uma conquista para as mulheres. Transformou os homens em menos responsáveis em suas ações e menos respeitosos com relação as mulheres. São homens que arrastam ou pressionam as mulheres ou as abandonam em clínicas de aborto. São os homens que financiam o aborto. E todo esse tempo são as mulheres que continuam a serem degradadas e descartadas graças ao aborto. Talvez a ironia mais contundente de todas: geralmente são mulheres que são abortadas.

Chesterton chamou o feminismo de ódio a todas as coisas femininas. O que há de mais feminino é a maternidade, e o ódio a maternidade é sintetizado pelo aborto: o ato horrível de matar o próprio bebê é defendido como um direito.

A perda dos papéis distintivos dos sexos — a qual é chamada por Chesterton de “distinção de dignidade entre homens e mulheres” — tem tido grave consequências para nossa sociedade. O problema com os sexos hoje em dia, diz ele, “é que cada sexo está tentando ser ambos os sexos ao mesmo tempo. O feminismo, que começou com as mulheres tentando ser mais do que os homens, só obteve sucesso em fazer com que os homens fossem menos como homens. E as mulheres estão deixando os verdadeiros homens irem embora.

[*] Dale Ahlquist. “The Triumphs and Failures of Feminism”. The Distributist Review, 5 de Junho de 2011.

Tradução: Patrícia Maragoni

3 comentários

  • Rafael Costa Souza

    Poxa, legal o texto e muito boa a tradução, mas discordo da parte do Homem. Eu sei que o feminismo foi uma criação DOS HOMENS, ao qual o ex-cinegrafista AARON RUSSO, numa entrevista a Alex Jones, afirma com todas as letras que Nick ROCKEFELLER o confidenciou que FORAM OS ROCKEFELLER QUEM CRIARAM E FINANCIARAM O MOVIMENTO DE “EMANCIPAÇÃO” FEMININA.
    MAS isso foi um movimento DE UMA ÍNFIMA MINORIA DE HOMENS, porém MUITO PODEROSOS. E quem paga o pato por isso tudo? eu, homem comum e de bem, cristão-evangélico e com princípios liberais-conservadores, que só quer uma mulher MULHER para ser sua esposa, dona-do-lar e cuidadora dos seus filhos (dos dois).
    Eu tenho enfrentado uma dificuldade SEM PRECEDENTES para conseguir encontrar UMA MULHER DECENTE para casar pois, com a lavagem cerebral MACIÇA feminista (que começa DESDE CEDO, com as mães ensinando às filhas a “não serem dependentes dos homens et cetera), isso está se mostrando uma “quest” (rs) quase IMPOSSÍVEL, até mesmo nas igrejas evangélicas e protestantes.
    Paz.

  • Lucas Andrade

    Isso é verdade, Rafael
    Mas há esperanças. Biologia sempre triunfa sobre ideologia, por mais que demore.
    A maioria esmagadora das americanas e inglesas estão abandonando o feminismo e o percentual de mulheres com diploma que decidem ser mães full time está crescendo. Mais da metade das mães brasileiras gostaria de não trabalhar fora. É uma perspectiva boa.

    Agora,o plano de ação para o presente é o seguinte ( falo por experiência) :
    Defina critérios modestos e realistas e parta daí.
    Exemplos de critérios:
    Uma mulher que queira ser dona de casa e mãe full time. (Errado,improvável)
    Uma moça jovem que não se diga feminista. (Certo, modesto e realista)

    Explicando:
    Se ela não tem firmes convicções feministas, só a lavagem cerebral padrão das escolas e mães, ela pode acordar disso sem problemas, com conversas e leituras, incentivo e certa paciência da sua parte.
    E sendo jovem, não teve sua vida sexual arruinada pela promiscuidade pregada pelo feminismo (pelo menos as chances são maiores).

    Assim, livre das más influências, a mulher pode seguir sua inclinação biológica para a maternidade. Mas não adianta tentar impor nada ou a vida de ambos será infeliz. Se, depois de alguns meses, a moça continuar com aquelas birras feministas é melhor procurar outra.
    Mesmo com uma esposa assim, saiba que a pressão da sociedade sempre vai existir, então o marido precisa fazê-la sentir-se segura, amada e importante na sua decisão de ser mãe e esposa, pois os ataques virão de todos os lados e, pra ela, mais importante que os argumentos são os sentimentos; ela vai precisar de força e apoio ( Existe um curso chamado ” De volta ao lar”, da Camila Abadie; eu não pude comprar ainda mas pretendo).
    E não esqueça de fazer seguro de vida e guardar/investir dinheiro para os tempos difíceis. Você não quer a família dela dizendo: ” viu só, fica dependendo de homem dá nisso.”

    Espero ter ajudado
    Abraços,
    Lucas

  • André Felix

    Xênia, uma antiga feminista, pioneira apresentadora de programas feminismos na TV dos anos 70, afirmou, em sua última aparição pública, que o movimento errou totalmente. Segundo ela as mulheres, abandonando suas tarefas tradicionais, perderam as suas identidades verdadeiras e se transformaram em caricaturas dos homens.

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