Eleitores pobres sofrem cobranças abusivas da campanha de Hillary Clinton

Publicado por Liz Crokin no portal Observer*
Data da notícia original: 15/09/2016
Data da tradução: 19/09/2016

A campanha de Hillary Clinton faz cobrança extra sistemática, involuntária e abusiva dos seus doadores mais pobres. O departamento de fraude do banco Wells Fargo foi inundado de chamadas de clientes de baixa renda, que efetuaram doações para a campanha da candidata à presidência dos EUA Hillary Clinton, e agora recebem repetidas cobranças não autorizadas em seus cartões de crédito.

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Campanha de Hillary Clinton cobra um total não autorizado de 94 dólares em um cartão de crédito.

De acordo com múltiplas fontes do portal de mídia “Observer”, a campanha de Hillary Clinton está roubando de seus eleitores mais pobres. As vítimas, que efetuaram uma doação única no site oficial da candidata, têm recebido repetidas cobranças, sem autorização.

As cobranças extras acontecem tão frequentemente que o departamento de fraude de um dos maiores bancos dos EUA recebe até 100 ligações por dia de pequenos doadores de Hillary Clinton, pedindo o reembolso de cobranças indevidas em seus cartões de banco feitas pela campanha da candidata. Uma doadora idosa, que foi vítima de este esquema de fraude, entregou uma denúncia para o procurador-geral do seu estado e foi informada que o caso foi transferido para a Comissão Eleitoral Federal (FEC).

“Nós temos até cem ligações por dia dos eleitores de baixa renda de Hillary Clinton, reclamando sobre múltiplas cobranças indevidas”, afirma um funcionário do departamento de fraude do banco Wells Fargo, que pediu para ficar anônima, por medo de perder o emprego. Ele também afirma que a campanha de Clinton tem repetido este feito desde os primeiros meses deste ano. A campanha presidencial “Hillary for America” efetua, repetidamente, cobranças de pequenas quantias (como 20 dólares) dos cartões de crédito de pessoas que fizeram apenas uma doação. No entanto, a campanha de Hillary Clinton, de forma estratégica, não cobra valores de 100 dólares ou mais, pois o banco seria obrigado a investigar a fraude.

“Nós não investigamos cobranças fraudulentas, a menos que estas estejam acima de 100 dólares”, um especialista em fraude explicou. “A campanha de Clinton sabe disto; e é por isto que nós não vemos cobranças acima deste valor: eles param de cobrar logo abaixo de 100 dólares. Temos visto sua campanha cobrar 20, 40 ou 60 dólares a mais de seus doadores – mas nunca mais do que 100”. Este especialista, que trabalhou para o banco Wells Fargo por 10 anos, disse que a quantia total que eles estornam diariamente para clientes que têm sido cobrados de forma abusiva pela campanha de Hillary Clinton é, em média, de 700 a 1200 dólares por dia.

O especialista em fraude disse que alguns doadores de Hillary Clinton ligam primeiro para a direção da campanha presidencial, na tentativa de resolver a questão. Porém, eles nunca chegam a lugar algum. “Eles ligam para a campanha de Hillary Clinton para ter a restituição e o problema nunca é resolvido. Então eles nos ligam para que nós emitamos o reembolso. A campanha de Hillary Clinton sabe que estas cobranças são pequenas e nós vamos restituir o dinheiro de volta.”

A fonte também disse que práticas similares são realizadas por companhias de pornografia. “Nós vemos este mesmo esquema com diversas companhias pornográficas decadentes”, a fonte disse. A fonte também comenta que dúzias das ligações que seu departamento recebe diariamente são de pessoas que demonstram a percepção das cobranças fraudulentas em suas próprias declarações. “As pessoas que ligam para nós são justamente aquelas que descobrem as cobranças fraudulentas. Não posso imaginar quantas pessoas a mais são cobradas de forma abusiva pela campanha de Hillary Clinton e nem sequer sabem.”

O funcionário do banco Wells Fargo diz que ele ser apartidário, mas informou que o departamento de fraude do banco ainda não recebeu nenhuma ligação de doadores do candidato republicano Donald Trump, a respeito de cobranças abusivas para a sua campanha. “Só estou falando a você, porque o que a Hillary está fazendo é muito baixo, ela está roubando dos seus apoiadores mais pobres”.

Recentemente, o Wells Fargo foi alvo de ataques, depois da notícia de que várias agências reguladoras multaram o banco em 185 milhões de dólares, por abrir dois milhões de contas falsas, sem a permissão dos clientes. Este escândalo resultou na demissão de 5300 empregados. Carol Mahre, de 81 anos e de Minnesota, é uma das vítimas do escândalo de fraude de doação da campanha de Clinton. Em Março, Mahre disse que ela fez apenas uma doação de 25 dólares, através do website oficial da campanha. No entanto, quando recebeu o extrato do cartão do U.S. Bank, ela percebeu que múltiplas cobranças de 25 dólares foram feitas. Mahre, que disse em entrevista que ela apenas contribuiu com 25 dólares porque ela “não é rica” e isto era tudo que ela poderia oferecer, entrou em contato com seu filho, Roger Mahre, para ajudá-la na disputa por cobranças indevidas.

Roger, que é um advogado, disse ao “Observer” que ele ligou para a coordenação de campanha de Hillary Clinton dúzias de vezes, em Abril e no início de Maio, na tentativa de resolver o problema. “Levou pelo menos entre 40 e 50 ligações para o escritório da campanha, antes de finalmente me atenderem”, Roger disse. “Depois que consegui falar com um dos funcionários da campanha no telefone, me disseram que eles iriam parar de fazer as cobranças”. Incrivelmente, no dia seguinte, o cartão de Carol foi cobrado novamente e a campanha nunca restituiu as cobranças fraudulentas iniciais. “Disseram que eles iriam parar de cobrar do cartão da minha mãe, mas eles nunca pararam”. Ele disse ainda que ele sabe que sua mãe não se inscreveu para pagamentos recorrentes. “Ela é muito boa com a internet, então eu sei que ela fez apenas um pagamento.” Roger também comentou que, mesmo que sua mãe tivesse se inscrito por engano para pagamentos mensais, ela deveria ser cobrada pela mesma quantidade de dinheiro a cada mês, e não múltiplas cobranças de quantias variáveis no mesmo dia ou no mesmo mês. Além disto, Roger disse que depois que a campanha tomou conhecimento desta situação, as cobranças deveriam ter parado, mas nunca pararam.

A campanha de Clinton cobrou Carol, por três vezes, a quantia de 25 dólares e, então, cobrou mais uma vez (desta vez, 19 dólares), totalizando 94 dólares em cobranças fraudulentas. As cobranças extras da campanha para Carol estavam a apenas alguns poucos dólares de chegar a 100. Isto segue a linha do que a fonte do banco Wells Fargo revelou ao “Observer”.

Como a direção da campanha falhou em corrigir o problema de Carol, Roger contatou o banco dela (U.S. Bank). No entanto, ele teve problemas ao pedir que o U.S. Bank restituísse o dinheiro de sua mãe. Roger disse ao “Observer” que o banco não iria reverter as cobranças e que um porta-voz do banco disse-lhe que eles não têm controle sobre companhias que fazem cobranças indevidas. Neste momento, Roger decidiu entrar em contato com o noticiário local e preencheu uma queixa no escritório de Lori Swanson, na procuradoria-geral de Minnesota em nome de sua mãe. Depois do noticiário da TV local transmitir a história, o U.S. Bank entrou em contato com Roger no dia seguinte e disse que eles haviam parado as cobranças no cartão de sua mãe.

Um representante do escritório da procuradoria-geral democrata de Minnesota disse a Roger que este problema não era de sua jurisdição e que eles encaminharam o caso para o FEC. No entanto, a porta-voz do FEC, Julia Queen, disse ao “Observer” que eles não têm registro do caso. O “Observer” entrou em contato com o escritório de Swanson e não obteve retorno.

Finalmente, Roger recebeu uma carta de um advogado, representante da campanha de Hillary Clinton. Na carta, o advogado escreveu que sua mãe seria removida da lista de doadores; porém, a campanha não iria assumir qualquer responsabilidade pelas cobranças fraudulentas.

“Eles basicamente disseram que não estavam aceitando a responsabilidade por isto; mas eles removeram minha mãe da lista de doadores”, ele disse. Roger não está muito feliz com a forma como a campanha de Hillary Clinton lidou com este pesadelo para ele e sua mãe. “Isto é uma palhaçada!” Mahre disse. “O egoísmo dos políticos me leva a loucura. Se você e eu fizéssemos isto, seríamos jogados na cadeia. Isto é roubo, fraude ou fraude eletrônica – é um crime federal!”

Desde que a história de Carol se tornou pública, Roger descobriu outras pessoas que também foram extorquidas pela campanha de Hillary Clinton. “Eu escutei que isto havia acontecido com outros doadores”, Roger disse. As pessoas vão doar 25 dólares, mas eles recebem o extrato do cartão de crédito com diversas cobranças de 25 dólares”.

O incidente não deixou um gosto amargo apenas para Roger. Carol decidiu não votar em Hillary, mesmo tendo votado nos candidatos do partido Democrata, em todas as eleições, desde que o Presidente Dwight Eisenhower ganhou as eleições, em 1956. “Minha mãe foi democrata a vida toda e ela votou, em todas as eleições, em um democrata; mas ela não vai votar em Hillary”, Roger disse.
O New York Times noticiou em 2007 que a primeira campanha presidencial de Clinton teve que restituir e subtrair centenas de milhares de dólares do total do primeiro trimestre, porque os cartões de crédito dos doadores foram cobrados duas vezes. Ainda, foi reportado que Clinton teve que restituir a impressionante quantia de 2,8 milhões de dólares em doações (três vezes mais do que os 900 mil dólares que a campanha do presidente Barack Obama restituiu).

Outra fonte do banco disse ao “Observer” que a motivação de Clinton em cobrar doadores a mais propositadamente não é apenas juntar mais dinheiro para a campanha dela, mas também inflar seu pequeno número de doadores informado ao FEC. “Isto dá uma falsa impressão sobre quanto dinheiro Hillary levantou”, a fonte disse. “O dinheiro que o banco restituiu não deveria aparecer nos registros do FEC até depois da eleição. Isto dá a ilusão para o público de que seu apoio e a quantidade que ela levantou é muito maior do que é realmente.”

Uma funcionária da campanha de Hillary Clinton chamada Kathy Callahan, que trabalhou na campanha presidencial de Hillary em 2008, afirmou em uma postagem que Hillary cobrou muitos milhares de dólares dela, de forma fraudulenta. Ela escreveu que ela voluntariamente deixou o comitê de finanças da campanha depois que descobriu três mil dólares em cobranças indevidas, feitas pela campanha de Hillary no seu cartão. Callahan disse que as cobranças indevidas causaram um gasto de 400 dólares em seu cheque especial e em cobranças bancárias, colocando Callahan acima do limite legal por doador. Callahan disse que, depois de um mês “pedindo e implorando”, ela não conseguiu o seu dinheiro de volta, até que ela ameaçou ir até as autoridades. No entanto, quando ela finalmente teve seu dinheiro restituído, a campanha de Clinton se recusou a compensar ela pelos 400 dólares de cobrança pelo cheque especial e de tarifas bancárias.

Callahan também escreveu para Matt McQueeney, que trabalhou no departamento de contabilidade e compliance no quartel-general da campanha de Hillary: “O que aconteceu com você, em relação a erros no cartão de crédito, também está acontecendo com outros”. McQueene alegou ter se afastado da campanha de Hillary, logo após este incidente. Confirmando o que McQueeney disse, há diversos incidentes semelhantes ao relatado por Callahan em 2008. Callahan e McQueeney não foram encontrados para esclarecimentos.

Em 2001, os Clintons foram acusados de tentar roubar itens doados para a Casa Branca, durante a presidência de Bill Clinton, quando ele saiu do cargo. Havia 190 mil dólares em presentes, que os Clintons enviaram para a sua nova casa, em Nova Yorque.

Múltiplos doadores disseram que eles entenderam que os itens que eles doaram, durante a presidência de Bill Clinton, ficariam na Casa Branca como parte do projeto de 1993 para redecorar a Casa Branca. Inicialmente, os Clintons disseram que os itens em questão foram dados a eles antes do Presidente Clinton assumir o cargo; no entanto, registros governamentais provaram o contrário. Enfrentando duras críticas, os Clintons decidiram devolver diversos itens, incluindo 28,5 mil em mobília e eles pagaram 86 mil pelos outros presentes.

Recentemente, Bill Clinton se comparou com Robin Hood e disse que, através de sua fundação, ele pede que pessoas com dinheiro doassem às pessoas que não têm. Na realidade, os Clintos roubam das pessoas com pouco dinheiro; e eles estão roubando alguns dos eleitores mais pobres de Hillary – incluindo uma pobre senhora idosa – para financiar sua campanha.

Tradução: Pedro Henrique
Revisão: cpac
*Link da notícia original: http://observer.com/2016/09/exclusive-hillary-clinton-campaign-systematically-overcharging-poorest-donors/

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