Os 10 Maiores Micos do Prêmio Nobel da Paz

Por Michael Rubin: [*]

É temporada de Prêmio Nobel novamente. A partir dessa segunda, o Comitê do Nobel ou a Royal Swedish Academy of Sciences irá anunciar os vencedores em medicina, física e química. E então, no dia 6 de outubro, o Norwegian Nobel Institute irá anunciar o vencedor do Prêmio Nobel da Paz de 2017. Vencedores deste cobiçado prêmio obtêm uma credencial para opinar nas questões de guerra, paz, diplomacia e política no cenário mundial. Tanto em impacto quanto em prestígio internacional, o Prêmio Nobel da Paz é diferente. E assim também é o critério para a entrega do prêmio.

Enquanto prêmios no âmbito científico são baseados no trabalho de vida e sucesso comprovado, políticos noruegueses e seus representantes entregam o Prêmio Nobel da Paz baseados mais na aspiração e na política do que na conquista da paz propriamente dita.

Este ano, os mediadores do acordo nuclear do Irã – o ex-Secretário de Estado John Kerry, o Ministro de Relações Exteriores Iranianas Javad Zarif, e a Alta Representante para a Política Externa e de Segurança da União Europeia Federica Mogherini – são os favoritos para vencer o prêmio. Não apenas o Norwegian Nobel Institute quer recompensar diplomatas de grande visibilidade, mas também devem querer se limitar a Washignton, especialmente contra o pano de fundo da bem possível recusa do Presidente Trump em certificar a complacência iraniana no acordo.

Tal decisão politizada, no entanto, iria apenas envergonhar o comitê do Nobel no final, dado o histórico da perspectiva dos laureados.

Mogherini é uma veterana do Partido Comunista Italiano, portanto, em sua juventude, conscientemente se aliou a um movimento global responsável pelas mortes de 100 milhões de pessoas nos séculos XX e XXI. Ela nunca advogou em sua vida pela liberdade. Quando ela visitou Teerã depois do acordo, ela poderia ter falado por outras mulheres, mas ao invés disso, por se conformar com a imposição de vestimenta da República Islâmica, ela imitou a opressão delas.

Zarif, enquanto isso, tem mentido sobre o envolvimento iraniano na Síria, acobertado as atrocidades na Síria e isentado o presidente sírio (e cliente iraniano) Bahsar al-Assad pelo uso de armas químicas contra seus cidadãos. Se não fosse pelo apoio iraniano ao regime de Assad, centenas de homens, mulheres e crianças estariam vivas hoje.

Kerry, enquanto isso, com sua mistura nociva de ambição desenfreada, credulidade, uma pobre compreensão dos fatos e num toque de despeito pessoal, reverteu décadas de processo de paz no Oriente Médio e deve ter feito a causa de paz retroagir em décadas.

De certa forma, o prêmio para Mogherini, Zarif e Kerry seria o esperado, é claro.

Considere a longa história de micos no Prêmio Nobel da Paz:

1 – Aung San Suu Kyi: Em 1991, o comitê do Nobel premiou Suu Kyi “pela sua luta não violenta pela democracia e direitos humanos”. Ela talhou uma figura simpática: uma mulher que venceu a eleição democrática apenas para ser deposta pela junta militar e posta em prisão domiciliar. Por mais de duas décadas, o destino dela se tornou a métrica pela qual diplomatas ocidentais e ativistas dos direitos humanos julgavam Burma. Hoje, no entanto, como Primeira Ministra de Burma, ela é tanto a face de um regime a comandar uma limpeza étnica quanto a defendê-la.

2 – Yasser Arafat: o presidente da Organização para a Libertação da Palestina (OLP) dividiu o prêmio [com Yitzhak Rabin] em 1994 por concordar com o Acordo de Oslo durante o qual ele renunciou o terrorismo e reconheceu Israel. O único problema foi que, para Arafat, tais palavras eram insignificantes. Em comparação com os meses anteriores, mais israelitas morreram em ataques terroristas patrocinados pela OLP nos meses após o início da vigência do acordo. Documentos obtidos mostram que Arafat ordenou e pagou pessoalmente por ataques terroristas após receber seu prêmio. A cereja do bolo não foi o desfalque de bilhões de dólares em ajuda internacional, mas sim seus próprios mediadores concordarem com um último acordo de paz com Israel apenas para ver Arafat se dar bem.

3 – Tawakkol Karman: Muitas pessoas já se esqueceram sobre essa co-destinatária e ativista política do Iêmen de 2011. No período, a laureada mais jovem do Nobel da Paz, o comitê norueguês explicitamente disse que a escolheram para mostrar que a Irmandade Islâmica (ela pertencia a um grupo afiliado) era uma parceira profícua da paz. Infelizmente, embora Karman não tenha hesitado em falar contra os abusos da ditatura do Iêmen, ela conspicuamente se calou frente à violência islâmica, mesmo quando os terroristas do Talibã atiraram na defensora dos direitos para as garotas de 14 anos (e futura laureada) Malala Yousezfai no rosto. Parece uma obviedade para os muitos recentes laureados do Nobel: a paz é um objetivo digno para seus iguais, mas aqueles que se opõem a seus desejos políticos não merecem nenhuma consideração.

4 – Desmond Tutu: Isto nos leva ao Bispo sul-africano e laureado de 1984 Desmond Tutu, que venceu o prêmio por sua digna campanha contra o regime de Apartheid da África do Sul. Nos anos seguintes, contudo, a complacência de Tutu por grupos terroristas como o Hamas e o seu pujante antissemitismo vieram à tona. Não é apenas por ele rotular como racista a idéia de judeus possuírem um estado próprio — ele também abraçou e apoiou ativistas do Hamas que estavam clamando pelo genocídio de judeus. E ele tem minimizado o holocausto, apontando que  ao menos as câmaras de gás nazistas permitiram aos judeus uma morte mais limpa do que a sofrida pelos negros no Apartheid da África do Sul. Tutu pode ter estado certo sobre enfrentar o apartheid, mas nem o Prêmio Nobel irá ser o suficiente para limpar seu antissemitismo e sua intolerância.

5 – Jimmy Carter: O 39º presidente é vastamente celebrado como um pacificador, embora muitos daqueles [líderes] pelos quais ele é creditado por trazer à mesa [de negociação] privadamente dizem que ele promoveu a paz [não por causa, mas] apesar de algumas de suas intervenções complicadoras. Independentemente disso, dê crédito ao homem: ele de fato encorajou, e talvez liderou, a paz entre Israel e Egito, o maior país árabe em termos de população. Por trás das cenas, no entanto, Carter tem um hábito de se aliar a ditadores e intervir de formas que pioram tudo. Ele tem apoiado há muito tempo o brutal ditador do Zimbábue, Robert Mugabe, e como mostro em Dancing with the Devil: The Perils of Engaging Rogue Regimes, desde seu primeiro discurso sobre política externa como candidato para presidente, ele encorajou o regime norte-coreano a esperar uma recompensa pelo terror e provocação.

De fato, suas intervenções em 1994 em Pyongyang, bem além do que o Presidente Bill Clinton aprovara, impediu o que pode ter sido a última e melhor chance de deter o programa nuclear da Coréia do Norte. Nada disso se compara à sua própria desonestidade, no entanto, e à sua falta de vergonha quando flagrado. Para legitimar a pacificação do regime sírio, Carter falsificou suas próprias anotações, como seu tomador de notas na época demonstrou. Ser um laureado do Nobel, todavia, significa nunca pedir desculpas, mesmo quando apoiando ditadores ou promovendo ficções que custam vidas.

6 – Barack Obama: O Presidente Obama ganhou o Prêmio Nobel da Paz de 2009 mais pela promessa que sua sublime retórica espalhou. Oito anos depois, entretanto, as decisões de Obama acirrou os ânimos nos conflitos na Síria, Líbia e Iraque, facilmente levando a um exponencial crescimento em suas taxas de mortes. Novamente, parece que a decisão do Norwegian Nobel Institute de premiar os indicados com base na imaginação e esperança, ao invés da realidade e mudança, tem um custo muito grande.

7 – Kofi Annan: Em 2001, o ex-Secretário Geral das Nações Unidas, Kofi Annan, dividiu o seu prêmio da paz com a organização que administrava. Enquanto fosse completamente previsível que os juristas do Nobel iriam querer enaltecer as Nações Unidas, a seleção de Annan deveria ter erguido algumas sobrancelhas. Não apenas ele presidiu o maior escândalo de corrupção da ONU em termos de programa de petróleo por comida do Iraque, mas foi a falta de calma de Annan como oficial encarregado da pacificação da ONU que permitiu a Ruanda prosseguir com seu genocídio. Para o crédito de Annan, todavia, ele realmente se desculpou pela sua falta de pulso em Ruanda, um pequeno consolo pelas centenas de milhares de vítimas condenadas ao túmulo.

8 – Al Gore: O ex-vice-presidente e candidato às eleições presidenciais de 2000 venceu pelo ativismo ambiental. Isso é ótimo, mas o exagero de Gore sobre a ameaça do aquecimento global motivou muita da aversão ao tema. Sua própria hipocrisia pessoal no quesito conservação é apenas a cereja do bolo.

9 – O American Friends Service Committee (AFSC): Quem poderia guardar ressentimento do chefe da ONG dos pacíficos Quakers que levou para casa, em 1947, o prêmio por sua “compaixão pelas pessoas e desejo de ajudá-las”? Não diga isso ao cambojanos, já que Khmer Vermelho massacrou 1 milhão de cambojanos e foi a AFSC que negou o genocídio e acobertou os autores.

10 – Henry Kissinger: O ex-Secretário de Estado e Conselheiro de Segurança Nacional Henry Kissinger talvez seja lembrado como um realista e grande estrategista, mas a folha de registro do Nobel da Paz de 1973 pelo seu trabalho negociando um cessar fogo com o Vietnã do Norte é altamente enviesada contra a paz. Suas decisões levaram às mortes de dezenas de milhares de cambojanos, à traição dos aliados curdos, e a esquadrões da morte no Chile. Nem para conservadores que talvez estejam inclinados a ver de outra forma pela lógica de que os comunistas que ele enfrentava eram bem piores, sua diplomacia no Vietnã condenou milhões de sul-vietnamitas a campos de reeducação, exploração e morte.

Talvez, então, o Prêmio Nobel para o Ministro de Relações Exteriores do Irã, Kerry, ou para Morgherini seria mais a regra do que a exceção. Eles já desperdiçaram o sangue de muitas pessoas suficientemente para qualificá-los.

[*] Michael Rubin. “Top 10 Nobel Peace Prize embarrassments.” Washington Examiner, 28 de setembro de 2017.

Tradutor: Giovanni Russo
Revisão: Rodrigo Carmo & Yuri Mayal

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2 comentários

  • Guilherme

    Com base no que diz Pacepa no livro “Desinformação”, podemos incluir um décimo primeiro: Mikhail Gorbachev. Vale a pena ver no livro o significado de “Glasnost” (dar nova roupagem a um político, termo assim conhecido no início do século XX) e a atuação da KGB e outros serviços secretos.

  • Gabriel

    Nelson Mandela não estaria nesse grupo?

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