Onde estão os conservadores de Hollywood?

Por Ed Driscoll [*]

Conservadores e republicanos nem sempre tiveram problemas para progredir na carreira em Hollywood — eles eram Hollywood durante seus anos dourados, incluindo Big Crosby, Bob Hope, John Wayne, Jimmy Stewart, Cary Grant e Frank Capra. No fim das contas, todos esses homens entenderam a cultura pop e como se conectar com a audiência de massa. Mas no começo dos anos 1960, eles começaram a se encontrar numa posição de observadores externos.

Quando o falecido Andrew Breitbart foi entrevistado por Peter Robinson na série de longa duração Uncommon Knowledge em 2009, o assunto Hollywood e conservadorismo logo vieram à tona. Andrew tinha co-escrito Hollywood Interrupted em 2004 — antes de ter entrado de cabeça em seu papel de jornalista investigativo na mídia alternativa. Ele contou a Robinson uma breve história de como a legendária Hollywood dos anos 1930 a 1950 foi facilmente cooptada pela New Left (Nova Esquerda) dos anos 1960.

Enquanto George McGovern perdia em 1972, Breitbart disse para Robinson, “Hollywood foi tomada pela esquerda e eles nunca mais abriram mão. E de fato, eu diria que a direita abdicou seu lugar em Hollywood porque lhes disseram que eles não eram mais aceitos ali e eles nunca lutaram contra isso. Então eu não sei por quem tenho menos respeito: pela esquerda em função de seu comportamento totalitário em relação àqueles que discordam dela, ou pela direita, o movimento conservador, por terem deixado isso acontecer e não terem lutado contra.”

Mas antes dos anos 1960, a fim de terem seus roteiros aprovados pelo Hays Office (que também sucumbiu nesse período, e possivelmente de forma não tão coincidente), roteiristas com opiniões de extrema esquerda ou progressistas tinham de esconder suas pautas nas entrelinhas dos filmes. De certa forma, isso beneficiou muitas produções, possibilitando-as serem observadas em diferentes níveis. O original Manchurian Candidate (Sob o Domínio do Mal, 1962) é uma denúncia esquerdista da era McCarthy — mas também se segura como um thriller tenso e completo ao estilo Hitchcock. The Hustler (Desafio à Corrupção, 1961) é uma denúncia de boicote — no entanto é também um dos maiores filmes com tema esportivo já feito. Dr. Strangelove (Dr. Fantástico, 1964) condena a Força Aérea Americana e todo o aparato de defesa bipartidário dos EUA estabelecido depois da Segunda Guerra para lutar a Guerra Fria. E é também engraçado pra caramba.

Hoje, ambos os lados na guerra cultural esqueceram essas lições. Os filmes contra a Guerra do Iraque, no final da era Bush, eram notórios fracassos de bilheteria. Por quê? Seus criadores estavam mais interessados em propaganda política do que em entretenimento. E no outro lado, quando David Zucker co-escreveu e dirigiu An American Carol (Corra que Tem Loucos por Aí!) em 2008, o humor de risadas constantes que dominou seus filmes anteriores como Airplane! (Apertem os Cintos… o Piloto Sumiu!, 1980) e The Naked Gun (Corra que a Polícia Vem Aí, 1988), ficou em segundo lugar com seu chauvinismo explícito.

Houve temas de alto potencial que guiaram os filmes Americanos da era dourada de Hollywood — fosse um homem lutando contra as possibilidades para salvar sua terra no oeste americano, ou o homem e a mulher degenerados da época dos filmes pessimistas, envergonhados por terem abonado Deus e a moralidade. Mas essas mensagens eram subordinadas à muita ação e drama intenso.

O melhor da televisão ainda parece entender esse conceito, sejam os temas pró-Guerra ao Terror de NCIS, ou até mesmo as piadas de peido que garantem as gargalhadas da audiência em South Park, enquanto seus roteiristas recorrem a temas libertários regularmente. Se produtores de filmes e TV conservadores querem reconquistar o espaço que, como Andrew Breitbart disse a Peter Robinson, seus predecessores abandonaram sem muita luta no final dos anos 60 e começo dos anos 70 (ou pegar uma fatia do audiência de Hollywood por meio do YouTube, Roku e outros meios alternativos de distribuição), eles precisarão colocar o entretenimento antes da mensagem. Mas o resultado será uma vitória tanto para suas audiências, como também para suas carreiras, e talvez, eventualmente, para o país.

[*] Ed Driscoll. “Where Are the Conservatives in Hollywood?”. Acculturated, 29 de Maio de 2012.

Tradução: Rubens Lopes

Revisão: Rodrigo Carmo

1 comentário

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *