Obama Watch: a audácia da negação

Por George Neumayr [*]

Obama ainda não consegue admitir qualquer responsabilidade pela derrota de Hillary.

A vitória tem mil pais, mas a derrota é uma órfã,” disse John F. Kennedy. O comportamento egocêntrico dos políticos Democratas desde a derrota de Hillary, dá crédito a esta observação. Repare como eles avidamente explicam a derrota como uma falha pessoal de Hillary. Ela “não sabia por que” ela estava disputando, diz Joe Biden. Eles se consolam com a ideia de que os defeitos estão na personalidade de Hillary, e não em suas políticas, que foram determinantes para sua derrota.

Ainda preso à sua autoimagem de grandiosidade, Obama diz que ele teria ganho as eleições. Apesar dele ter feito campanha para Hillary, crente que ela continuaria suas gloriosas políticas, ele se recusa a enxergar a derrota dela como um ato de repúdio à sua “visão” e permanece “confiante que, se tivesse concorrido novamente e articulado isto, poderia ter mobilizado a maioria do povo americano a se unir para apoiá-lo”.

Os Democratas não se importaram de levar um caixote toda vez que tentaram surfar no sucesso do Obama. Eles sofreram grandes derrotas em todos os níveis governamentais durante sua presidência.

Obama era inútil para Hillary em qualquer dos estados que ela precisava vencer. A derrota de Hillary fez com que as vitórias de Obama em 2008 e 2012 parecessem um lance de sorte – algo que não pode ser atribuído a força de sua “visão”, mas a fraqueza de seus oponentes Republicanos.

Hillary teria se saído melhor, se ela tivesse rejeitado o legado de Obama e prometido uma mudança dramática. Ao invés disso, ela prosseguiu sobre uma frágil plataforma de continuidade, o que a deixou exposta a repetidas investidas de Trump, que a representou como “o terceiro mandato de Obama”.

Assim como a instabilidade dos anos de Carter fizeram a campanha do reavivamento nacionalista de Reagan possível, os fracassos de Obama deram potência ao slogan de Trump de “Fazer a América Grande Novamente”. Da desordem da América “fundamentalmente transformada” de Obama, vieram os principais pontos da plataforma de Trump. Ele gastou tanto tempo em sua campanha falando sobre Obama, quanto gastou falando de Hillary.

Os coros mais populares nos comícios de Trump – desde “construam o muro” até “revogar e substituir” – se originaram do fracasso das políticas de Obama. De fato, é difícil pensar em quaisquer pontos determinantes da campanha, que não tenham resultado da “visão” de Obama.

A divisão racial que Obama fomentou ao apoiar as políticas de Al Sharpton, possibilitaram Trump a fazer campanha prometendo restaurar o respeito ao “cumprimento da lei” e restaurar a “lei e a ordem”. A insegurança que Obama criou através da sua fraca resposta ao terrorismo islâmico, possibilitou Trump a fazer campanha prometendo “Acabar com o ISIS” e “vigiar rigorosamente” imigrantes de países radicais islâmicos. O ativismo de Obama sobre as mudanças climáticas, possibilitaram Trump a fazer campanha em cima da promessa de salvar os empregos dos mineradores de carvão e expandir o setor de energia.

O aumento no preço dos planos de saúde durante os últimos dias de campanha eleitoral, graças ao Obamacare, tornaram fácil para Trump protestar contra o mesmo. Quando Bill Clinton criticou o Obamacare em campanha, falaram para ele não fazer isto. Mas se Hillary tivesse seguido o caminho trilhado por seu marido, ao invés de seguir o de Obama, talvez ela tivesse se saído melhor. Ela perdeu não por que se desviou da visão de Obama, mas porque ela servilmente a seguiu.

Biden e Obama insinuam que Hillary perdeu o contato com a classe branca trabalhadora. Mas quando que eles tiveram uma conexão direta com esta classe? Eles também tiveram desprezo pelo “balaio de deploráveis”. Lembro de Obama prometendo a falência das empresas mineradoras de carvão, endireitar todas as pessoas extremamente apegadas aos seu “Deus e armas”, e seus sermões de “Joe o Encanador”, sobre as virtudes do redistribucionismo. Obama e Biden deram sorte por disputar contra um oponente fraco, que era muito politicamente correto para expor o elitismo e condescendência de seus adversários.

O mesmo Joe Biden que fez campanha com Sandra Fluke, que trabalha com casamentos gays, que disse que os Republicanos levariam os negros “de volta às correntes”, de repente vira novamente um expert no fortalecimento de laços com a classe trabalhadora. Eles não são “sexistas” ou “racistas”, diz ele agora, após oito anos promovendo as políticas de divisão e demagogia de Obama.

Enquanto isso, Obama insinua que a classe trabalhadora não rejeitou sua mensagem, mas apenas sua mensageira. Hillary deve irritar-se ao ouvir Obama dizendo que ela não se esforçou o suficiente (“se você pensa que está vencendo, então você tem a tendência, assim como nos esportes, de talvez jogar sem correr riscos”, disse ele), Ela deve detectar em seu discurso paternalista “post-mortem” os mesmos comentários sarcásticos que sofreu em sua primeira campanha em 2008 (“Você é adorável o suficiente”, disse ele em um debate).

Obama quer que os Democratas façam um trabalho melhor, “sangrando” junto à classe trabalhadora, e garantindo a eles que “entendemos por que estão frustrados”. Mas qual é a derradeira fonte da frustração? É sua ideologia abusiva. Seu “legado estava nas urnas”, uma frase que ele usou durante sua campanha e agora sem dúvidas se arrepende, e as pessoas rejeitam.

[*] George Neumayr. “The Audacity of Denial”. The Spectator, 28 de Dezembro de 2016.

Tradução: Leonardo Matos

Revisão: Rodrigo Carmo

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