O New York Times continua escondendo os crimes do comunismo

Por Marc A. Thiessen [*]

Manifestantes com bandeiras e um retrato de Vladimir Lênin participam de uma passeata que marca o 100º aniversário da Revolução Bolchevique de 1917, no centro de Moscou em 7 de novembro.

A administração Trump assinalou nesta semana o 100º aniversário da Revolução Bolchevique como o Dia Nacional pelas Vítimas do Comunismo. O New York Times comemorou o mesmo aniversário de um jeito diferente: com uma série de artigos exaltando as virtudes do comunismo.

A ironia do título da série “Século Vermelho” parece perdida no editorial do Times. De fato, o século XX foi vermelho – vermelho do sangue das vítimas do comunismo. A preço em mortes do comunismo, citada no “Livro Negro do Comunismo” é simplesmente assombrosa: na União Soviética, próximo de 20 milhões de mortes; China, 65 milhões; Vietnã, 1 milhão; Camboja, 2 milhões; Europa oriental, 1 milhão; África, 1,7 milhões; Afeganistão, 1,5 milhões; Coréia do Norte, 2 milhões (e os números continuam a crescer). No total, regimes comunistas mataram próximo de 100 milhões de pessoas – aproximadamente quatro vezes o número de mortos pelos nazistas – o que faz o comunismo a ideologia mais assassina na história humana.

Isso tudo não importa. A professora Kristen R. Ghodsee, da Universidade da Pensilvânia, escreve que os comunistas tinham melhores relações sexuais. Mulheres orientais tem vinte vezes mais orgasmos do que as mulheres ocidentais (…) que tem menos sexo e menos satisfação sexual do que mulheres que tem que entrar em filas por papel higiênico.” Ela tem palavras duras para Joseph Stalin porque ele “revogou os principais ganhos nos direitos das mulheres da União Soviética – ao criminalizar o aborto e promover a família tradicional”. Sim, este foi o crime de Stalin. Não foram os expurgos, nem os gulags, mas a promoção da família tradicional.

Em “Como as mulheres passaram na Revolução Comunista Chinesa” Helen Gao recorda sua avó “conversando com alegres camponeses das novas fazendas coletivas” e escreve que “apesar de todas as suas falhas, a revolução Comunista levou as mulheres chinesas a sonhar alto”. A revolução de Mao matou 10 milhões de chineses – sem contar os milhões mortos pela brutal política chinesa do “Filho Único”, que levou a um infanticídio feminino generalizado. Aquelas garotas chinesas nunca tiveram a chance de sonhar alto.

Em “Eco-guerreiros de Lênin”, o professor de Yale Fred Strebeigh escreve que Lênin foi “um antigo entusiasta de caminhada e acampamento” que tornou a Rússia um país pioneiro a nível mundial em conservação. Ele esquece de mencionar que Lênin também foi um assassino em massa que executou muito mais opositores políticos nos primeiros quatros meses do seu governo do que os Czares no século anterior inteiro. Em um telegrama reproduzido no Livro Negro do Comunismo, Lênin ordena a Cheka (uma predecessora da KGB) para enforcar (quero dizer enforcar publicamente para as pessoas verem) no mpinimo 100 kulaks, bastardos ricos e conhecidos sanguessugas.” (o telegrama conclui com um misterioso: “P.S. Encontre as pessoas mais resistentes”). Pode ser que ele estava acampando quando escreveu isso.

O professor de Berkeley Yuri Slezkine afirma em “Como ser Pai como um Bolchevique” nada mais que “em casa, as crianças dos bolcheviques leem o que eles chamam de ‘tesouros da literatura mundial’, com uma ênfase nas analogias da Idade de Ouro para eles mesmo” e que “espera que os leitores soviéticos aprendam com Dante, Shakespeare e Cervantes”. Ele não diz se também era esperado que aprendessem com Orwell. Em outra obra, “Love Lives Bolsheviks”, ele nota que para os comunistas russos, “a revolução é inseparável do amor”. Exceto, é claro, quando a KGB aparecia no meio da noite para separá-los do seu amor transportando-os para o gulag.

Embora nem todos os artigos não sejam tão ruins, a série continua. Vivian Gornich escreve “Quando o comunismo inspirou os americanos”. Palash Krishna Mehrota escreve como uma “exibição de livros soviéticos” fez sua cidade indiana “tornar-se viva”. John T. Sidel lamenta a “promessa perdida do comunismo muçulmano”.

A série do Times está dentro da tradição estabelecida pelo antigo chefe de gabinete do jornal em Moscou Walter Duranty, que escreveu reportagens entusiasmadas sobre o governo de Stálin, inclusive repetidas negações sobre a fome em massa realizada por Stálin na Ucrânia. “Qualquer relato sobre fome na Rússia hoje é um exagero ou propaganda maliciosa” ele escreveu, enquanto milhões morriam de fome. E além disso, “você não pode fazer um omelete sem quebrar os ovos.”

Agora, depois de um século de mortandade, o Times se volta para isto, retratando o comunismo como uma causa nobre e os assassinatos realizados em seu nome simplesmente como aberrações. Não importa que não há um único exemplo de país onde o comunismo foi tentado e não resultou em terror, expurgos, massacres, fome em massa e miséria totalitária. No entanto, pegue qualquer uma das opiniões acima e substitua a palavra “comunismo” por “nazismo” e tente imaginar se alguém, talvez além do Daily Stormer, as publicaria.

Tristemente, esta visão deturpada do comunismo está sendo passada para a próxima geração. Uma pesquisa recente da Fundação Memorial das Vítimas do Comunismo concluiu que somente 36% dos millenials americanos tem uma visão “muito desfavorável” do comunismo – a única geração americana onde este número é menor do que a maioria. Pior ainda, 32% acreditam que mais pessoas foram mortas sob George W. Bush do que sob Joseph Stalin. A ignorância é estonteante. A primeira geração pós Guerra-Fria cresceu completamente ignorante dos perigos do comunismo.

O escritor checo Milan Kundera descreveu uma vez que a batalha contra o comunismo como “uma batalha da memória contra o esquecimento.” Os regimes comunistas fizeram mais do que matar as suas vítimas; eles procuraram apagar sua memória e humanidade. Vergonhosamente, os crimes do comunismo contra a memória e humanidade continuam sendo escondidos pelo New York Times.

[*] Marc A. Thiessen. “The New York Times keeps whitewashing communism’s crimes”. The Washington Post, 10 de Novembro de 2017.

Tradução: Oscar Mundstock

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