O Marxismo Cultural da Cerimônia de Abertura das Olimpíadas do Rio

por Gabriel de Arruda Castro [*]

 

O Brasil deveria envergonhar-se de sua pobreza, não glamorizá-la.

A cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos, além de não ter sido prejudicada por terroristas, bandos de criminosos ou por um ataque maciço de mosquitos infestados pelo Zika Vírus, foi até razoavelmente divertida. A simbologia que o Brasil escolheu para se apresentar ao mundo, no entanto, foi falha.thequint%2F2016-08%2F7bb47506-029a-46e5-8b52-0f4725d5d6e6%2Fe-Rio-Olympics-Opening-_Webf-(57)

O show da noite de sexta-feira começou com uma representação comovente da história do País desde a chegada dos portugueses. Mas logo depois ficou claro que, para os organizadores, esse foi apenas um preâmbulo para o que consideraram uma apoteose do show: meninos de favela executando alguma versão do Terceiro Mundo de “break dance” e um “rapper duo” — um deles com apenas doze anos — falando sobre o poder feminino.

Isso não é nenhuma surpresa. Um dos mentores da cerimônia foi Fernando Meirelles, o cineasta responsável pelo filme aclamado pela crítica em 2002, Cidade de Deus, a joia da estética das favelas.

A intelligentsia do Rio é fascinada pela própria pobreza da cidade, como se as favelas fossem algo de que o Brasil devesse se orgulhar, em vez de ter vergonha. Imagine se os Jogos Olímpicos de Atenas houvessem destacado a corrupção da Grécia contemporânea em vez da mitologia do país, ou se Pequim decidisse mostrar sua poluição do ar em vez da grandeza da China.

A pobreza não é o Brasil. Felizmente, no Brasil do futuro, não haverá pobreza nem favelas. Mas a partir de onde, então, os marxistas culturais tropicais obterão sua mitologia? Assim como a violência contra os negros (reais ou imaginários) é parte integrante da narrativa cultural contínua da esquerda norte-americana, a pobreza desempenha um papel semelhante para a esquerda no Brasil.

Não é coincidência o fato de a cerimônia não ter feito nenhuma referência a qualquer coisa que possa ser vista como erudita ou que esteja de alguma forma ligada à tradição europeia (por exemplo, a magnífica arquitetura de Aleijadinho, as óperas de Carlos Gomes, ou a música clássica moderna de Heitor Villa-Lobos).

Os discípulos brasileiros da Escola de Frankfurt só conhecem duas leis:

  • O único tipo de cultura que importa é a cultura popular.

  • O único tipo de cultura popular que importa é o que se encaixa na luta ideológica de construção de um “novo mundo”.

anitta-caetano-gilberto-gil-rio-2016É por isso que, na cerimônia de abertura, o tipo de música mais popular no Brasil foi completamente ignorado. O sertanejo, que nasceu nas áreas rurais e ainda é a única forma de música apreciada em todas as regiões desse país continental, não preencheu os requisitos.

Apesar de ter sido modificado pela indústria da música nos últimos anos, o sertanejo ainda é a melhor representação da alma do povo brasileiro: pessoas cristãs, trabalhadoras, que valorizam a família e a tradição. Desculpe, mas o brasileiro médio não é um boêmio tomando caipirinha em Copacabana.

A cerimônia poderia ter apresentado um dos cantores sertanejos mais populares, Sérgio Reis, que canta sobre um pai pobre que criou não só seus seis filhos como também um filho adotivo. Nos últimos dias [de vida] do pai, o filho adotivo acaba sendo o único que realmente se preocupa com ele:

Meu Deus proteja os meus seis filhos queridos

 

Mas foi meu filho adotivo

 

Que a este velho amparou

 

Poderia ter tido como destaque “Romaria”, uma canção popular do cantor Renato Teixeira, que retrata a devoção espiritual profunda do homem católico comum.

Me disseram ,porém, 

 

Que eu viesse aqui

 

Pra pedir em romaria e prece paz nos desaventos

 

Como eu não sei rezar

 

Só queria mostrar

 

Meu olhar, meu olhar, meu olhar.

Em vez disso, o que o mundo viu nessa sexta-feira foram performances de um conhecido apologista da maconha (Marcelo D2), uma aspirante a Beyoncé, cujas canções raramente falam sobre algo que não seja sexo (Anitta), e um esquerdista de longa data (Gilberto Gil, que pelo menos tem algum talento).

Adicione um pouco de pregação de mudança climática, e a noite estava completa.

Após o aquecimento global no show, o comentarista brasileiro anunciou orgulhosamente que o Rio tem “a menor pira olímpica da história, o que causará o menor impacto possível”.rio-de-janeiro-pollution

Enquanto isso, no mundo real, as autoridades locais não puderam nem mesmo despoluir as águas da Baía de Guanabara a fim de torná-la razoavelmente segura para que os atletas competissem nelas.

E, adivinhe só… As favelas, que os esquerdistas querem ter certeza de que permanecerão favelas para sempre, são a principal razão para isso, uma vez que é impossível oferecer saneamento decente nessas condições.

Os marxistas culturais do Terceiro Mundo querem certificar-se de que o Brasil nunca será grande.

[*] Gabriel de Arruda Castro. “The Cultural Marxism of Rio’s Opening Ceremonies”. National Review, 6 de Agosto de 2016.

Tradução: Gleice Queiroz

Revisão: Márcio Flemming

 

1 comentário

  • Mônica Abreu

    Parabéns pela análise. Muito boa mesmo. Aliás os Tradutores de Direita tem feito um excelente trabalho para os brasileiros. Muito obrigada.

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