O Legado de Andrew Breitbart

Por Thaddeus G. McCotter

9781619694347_p0_v1_s1200x630Faz um ano desde que perdemos Andrew Breitbart. Nesse momento de pesar, vamos refletir sobre o que era, o que não era, e o que é: especificamente, o destino do “Conservadorismo Pop-Cultural” de Andrew.

Em uma república, onde o consentimento dos governados e a delegação de poderes aos servidores públicos é a regra constitucional, é natural que a grande maioria dos norte-americanos sejam apolíticos. Isso não é sinônimo de apatia; ao contrário, significa apenas que os eleitores elegem “esses vagabundos” para lidar com a rotina diária do governo, enquanto eles, os cidadãos soberanos, se envolvem na busca diária da felicidade.

Se ainda tem dúvidas, lembre-se que a CBS (uma das maiores redes de TV aberta dos EUA) tem uma audiência mais elevada que a C-SPAN (rede norte-americana de TVs, rádio e websites com programação de interesse público).

Como resultado, a grande maioria do eleitorado desliga-se do ruído estridente da política com seu léxico absurdo de siglas, números e notícias de bastidores sobre o que algum imbecil da Câmara falou para alguma diva do Senado sobre ambos terem usado a mesma roupa durante o discurso do estado da União.

Estas obviedades sociais e eleitorais formam a base para o ditado de Andrew, “A política está abaixo da cultura”. Para alguém obter apoio à sua causa, este deve transcender a porta estreita da política e desse modo formar e alimentar uma conexão cultural sustentável com o eleitorado, estabelecendo assim uma suposta compreensão e simpatia para com as dificuldades e sonhos das pessoas.

Da mesma forma, se um movimento político for incapaz de comunicar sua mensagem de forma inteligível e amigável para a massa de eleitores, esse movimento estará condenado.

Ecoando a observação de Marshall McLuhan de que “Qualquer um que tente fazer uma distinção entre educação e entretenimento não sabe nada sobre nenhum dos dois,” a atuação iconoclasta de Andrew criou esse singular raio de esperança de que o conservadorismo pop-cultural poderia lançar a ponte indispensável entre nosso movimento político e o grande público.

Infelizmente, para o establishment Republicano essa é uma ponte longe demais.

No rastro devastador da sua morte, muitas vezes esquecemos como a mensagem do “alegre brincalhão” Andrew foi tantas vezes ignorada ou ridicularizada por figurões do Partido Republicano que frequentemente o tratavam como um pária. Em última análise, o grito rebelde de Andrew e os indigestos pontos de discussão da “classe emergente” provarem ser tão irreconciliáveis quanto “Lucy in the Sky with Diamonds” e as cordas vocais de William Shatner.

Nós éramos o que Punk foi para o Rock-n-Roll. A criatividade revigorante de Andrew foi [o que houve de melhor] para a geração dos “republicanos Rock-n-Roll” que ficaram desamparados durante a era Reagan. O punk rejeitou a fumaça, os espelhos e as luzes piscantes e sem alma da música disco e reacendeu o fogo rebelde das entranhas (e regiões pubianas) do Rock-n-Roll. Como é comum, as realizações do gênero só foram plenamente apreciadas após sua morte, quando o punk rock foi substituído pelas fraquíssimas hair bands techno dos anos 80 que Andrew adorava.

Ao contrário do punk rock, no entanto, permanece a questão de a obra da vida de Andrew no campo do conservadorismo pop-cultural representar o futuro ou se foi apenas um relâmpago na escuridão.

Os primeiros resultados não são animadores. Uma vez que os apóstolos do establishment Republicano possuem toda a desenvoltura retórica da professora do Charlie Brown, os eleitores – especialmente os jovens eleitores que decidirão as eleições durante décadas – formaram uma visão sucinta do conservadorismo: é uma porcaria. Este lamentável estado de coisas é impregnado com o pathos reminiscente de uma história de Andy Anuzis sobre a luta de nosso amigo Phil para vender um carro usado:

Ele colocou anúncios nos jornais para tentar vender seu Plymouth Barracuda 1967, mas não havia interessados. Então, uma noite, ele estacionou aquela tranqueira no meio-fio e deixou destrancado, com a chave na ignição e um cartaz de “grátis” no pára-brisa. Na manhã seguinte o maldito carro ainda estava lá. Na porta do lado do motorista alguém usou a chave do carro para escrever a mensagem “Não, ninguém quer essa merda.”

Na falta de uma conexão do pop-cultural com os eleitores, o movimento conservador de hoje é um Plymouth Barracuda 1967 enferrujado: “Não, ninguém quer essa merda”; e nós perdemos nosso melhor vendedor.

Descanse em paz, Andrew.

Thaddeus G. McCotter. Pop Cultural Conservatism, Year One A.B. (After Breitbart). Breitbart, 3 de Janeiro de 2013.

Tradução: Felipe Alves

Revisão: Rodrigo Carmo

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