O desafio de viver com sucesso na sociedade moderna

Parte de nossa presente dificuldade é que devemos ajustar constantemente nossas vidas, pensamentos e emoções a fim de viver simultaneamente em diferentes tipos de ordens, de acordo com diferentes regras. Se fôssemos aplicar as regras dos microcosmos (i.e, do pequeno grupo ou tropa, ou, digamos, de nossas famílias) inalteradas, irrefreadas ao macrocosmo (nossa vasta civilização), como nossos instintos e desejos frequentemente nos levam a querer fazer, nós provavelmente o destruiríamos. Não obstante, se sempre aplicássemos as regras da ordem extensa em nossos agrupamentos mais íntimos, nós os esmagaríamos.

Friedrich Hayek (1988). The Fatal Conceit. In W.W. Bartley III (ed.),

The Fatal Conceit, I

(Liberty Fund Library, 1988): 18.

Como enfatizado ao longo desse volume, a prosperidade moderna é produzida através de uma rede assombrosamente complexa de cooperação humana. Essa rede de cooperação é vasta. Ela abrange o globo. Quase todo indivíduo no mundo moderno é parte dela, tanto como consumidor quanto como produtor. Portanto, quase toda essa cooperação produtiva se dá entre estranhos.

Esse fato é altamente significativo para as regras que nos guiam em nossas atividades diárias.

Todos os dias, cada um de nós participa em dois tipos muito diferentes de arranjos sociais produtivos e valiosos. Um desses arranjos envolve interações com pessoas que conhecemos e nos preocupamos– nossos pais, irmãos, cônjuges, filhos, amigos, vizinhos próximos. Chamemos esses arranjos de “arranjos do pequeno grupo” 1.

Os outros arranjos são com multidões de estranhos – as milhões de pessoas na grande rede global de cooperação econômica. Um pequeno punhado desses estranhos você vê face a face, como o operador do caixa no supermercado e os comissários de bordo do seu último voo. Mas a massa desses estranhos – como a pessoa que costurou a camisa que você está usando agora, e a pessoa que desenhou os sapatos que estão agora em seus pés – são pessoas sobre as quais você nunca colocará seus olhos. Todos esses estranhos são pessoas sobre as quais você não sabe nada. Chamemos arranjos com essa multidão de estranhos “arranjos do grande grupo” 2.

Um dos maiores desafios para aqueles de nós que vivem na sociedade moderna é serem capazes de moverem-se confortavelmente nos dois tipos de arranjos. O desafio está no fato de que comportamentos apropriados em um desses arranjos são frequentemente inapropriados no outro, e vice-versa.

Considere o arranjo fundamental de pequeno-grupo: a família mais próxima. Assim como na grande sociedade, decisões econômicas internas devem ser tomadas. Qual será o cardápio para o jantar de hoje? Quem irá cozinhar esse jantar ou quem irá lavar a louça? (Tais decisões distribuem os recursos de trabalho da família). Onde a família passará as férias nesse verão? O dinheiro deve ser gasto para remodelar a cozinha ou guardado para a faculdade das crianças?

Dentro das famílias nem mesmo tais decisões “econômicas” são tomadas comercialmente entre os membros familiares. Talvez as decisões familiares sejam feitas por acordo mútuo: talvez a mãe e o pai sozinhos tomem todas as decisões. Mas, apesar dos detalhes das regras ou hábitos que qualquer família em particular usa para alcançar decisões, famílias normais não tomam decisões usando contratos formais razoáveis 3, preços de mercado, licitação competitiva ou qualquer outro procedimento impessoal que caracteriza a maioria de nossas relações econômicas com estranhos.

O mesmo permanece verdadeiro para a tomada de decisão em outros arranjos de pequenos grupos, como quando amigos decidem a qual filme assistir juntos. A decisão é comumente alcançada através de uma discussão informal que leva a um consentimento mútuo, e não através de uma barganha na qual quem der o maior lance monetário ganha o direito de escolher.

Além disso, dentro das famílias e de pequenos grupos, nós geralmente aplicamos normas igualitárias de distribuição. A parte que a mãe tem do orçamento familiar, a parte que o pai tem, e a parte que cada uma das crianças tem não é determinada pelas forças impessoais do mercado. Mas sim por uma forte norma de compartilhamento. Nas famílias, a renda é distribuída não apenas conscientemente (geralmente pelos chefes de família), mas também de forma mais igual ou menos igual. Esse compartilhamento dentro das famílias e da maioria dos pequenos grupos é, é claro, louvável.

Usarmos normas e procedimentos informais e não comerciais para tomar decisões em pequenos-grupos é uma boa coisa. Primeiramente, as formalidades e a competitividade de procedimentos comerciais são desnecessárias em pequenos-grupos. Familiares e amigos se importam genuinamente uns com os outros, se conhecem pessoalmente e com uma profundidade de detalhes que simplesmente não pode existir entre estranhos. Portanto, as pessoas numa configuração de pequeno grupo podem confiar não apenas no amor ou na mútua preocupação para evitar trapaças; pessoas nessa configuração também conhecem muitíssimo umas as outras. Esse mútuo, detalhado e profundo conhecimento possibilita cada pessoa ser confiável para agir com prudência em relação umas as outras. Os pais, por exemplo, não precisam ser forçados pela polícia a tratar bem seus filhos. Além disso, como pais eles conhecem os desejos e habilidades de seus filhos bem o suficiente para que não precisem aprender essa informação através da concorrência e dos preços do mercado.

As conexões próximas e pessoais, a contínua comunicação face a face, e a afeição mútua que unem os membros das famílias e de outros pequenos grupos dão a cada membro desses pequenos grupos um conhecimento tão profundo sobre os outros membros que nenhum meio impessoal para se relacionarem uns com os outros é necessário. Em segundo lugar e ainda mais importante, usar as formalidades e a competitividade dos procedimentos comerciais nos pequenos grupos enfraqueceria tudo o que é valioso nessa configuração. Para nossa natureza humana é central nosso desejo e nossa capacidade de interagir com aqueles que amamos e com os amigos pessoais – interagir de modos que são construídos sobre sentimentos particulares e expressões de afeto4, cuidado e amor. Cada um de nós deseja ter pessoas para cuidar e se preocupar pessoalmente. E cada um de nós deseja ser amado e cuidado pessoalmente por outros indivíduos de carne e osso. Tentativas dos pais de, por exemplo, cobrar de seus filhos pelas refeições, pelo tempo que gastam cuidando das crianças quando essas adoecem, ou por qualquer outro benefício e cuidado dado que pais normalmente dão para seus filhos, arrancaria das interações familiares tudo o que faz essas interações serem satisfatórias e valerem a pena. Crianças que crescessem nessas “famílias” provavelmente se tornariam, na melhor das hipóteses, adultos desajustados socialmente.

Com a exceção de dar às crianças mais novas uma mesada como forma de ajudá-las a começar a entender como administrar o dinheiro, a ligação com o dinheiro tem um pequeno ou quase nenhum lugar dentro de uma unidade familiar saudável. Uma casa gerida como uma empresa esmagaria ao invés de nutrir esses vínculos familiares e sentimentos pessoais que são tão profundamente importantes para nós como seres humanos. Em um mundo gerido apenas por contratos formais razoáveis, concorrência de mercado, preços monetários, e as regras formais “não deverás” que seguimos quando lidamos com estranhos, relações íntimas, famílias amorosas e amizades próximas não existiriam. Tal mundo seria pior que apenas frio; ele seria inumano.

Todos entendem o valor de relações pessoais governadas pelo amor e pelo afeto. Tais relações não são apenas parte da vida diária de todos, nós, enquanto espécie, também somos evoluídos para valorizar tais relações e para saber como praticá-las. Novamente, pais se importam naturalmente com seus filhos: eles não precisam ser instruídos para fazê-lo ou sobre como fazê-lo. Do mesmo modo, porque nós humanos passamos a maior parte de nossa história evolutiva vivendo em pequenos bandos de indivíduos que conheciam face a face uns aos outros – e interagiam apenas relativamente raramente com estranhos – quase todas as nossas conexões pessoais de sucesso permanecem sendo com os indivíduos em nossos pequenos grupos.

Os sentimentos e emoções que uniam os membros de pequenos grupos e melhor possibilitaram que eles sobrevivessem e se reproduzissem tornou-se codificado em nossos genes. Esses sentimentos e emoções, portanto, inextricavelmente, são parte de quem somos. Eles são parte do que significa ser humano. E, embora a sociedade humana nos tempos modernos tenha crescido em tamanho muito maior do que os pequenos grupos em que a maioria dos nossos antepassados viveu, os sentimentos e emoções desses pequenos grupos permanecem como “guias” importantes para nós em nossas relações com aqueles que amamos e com nossos amigos.

No entanto, por mais valiosos e agradáveis que sejam esses sentimentos e emoções do pequeno grupo, eles são pouco adequados para guiar-nos em nossas conexões com a grande sociedade. Não podemos conhecer estranhos o suficiente para interagir em suas vidas intimamente como nós interagimos nas vidas das pessoas que conhecemos pessoalmente. Ademais, nós não podemos nos importar com o bem-estar de estranhos tanto quando nos importamos com o bem-estar de nossa família e amigos.

Não obstante, para prosperar na sociedade moderna devemos manter nossas interações com incontáveis estranhos quase constantemente. Para que sejam produtivas para todos os envolvidos, essas interações devem ser baseadas no consentimento mútuo e regradas por uma ética de promessas mantidas. No entanto, essas interações não precisam ser baseadas em sentimentos de amor, cuidado e preocupação. Este fato é afortunado porque, como acabamos de observar, ninguém é capaz de conhecer e se preocupar com mais do que com um pequeno número de indivíduos com quem ele ou ela interage diariamente.

Ao sermos guiados em nossas interações com milhões de estranhos por regras impessoais e forças de mercado, não sobrecarregamos nossa capacidade de amor e preocupação para com os outros. Nem somos chamados a aprender os detalhes das vidas desses estranhos. Quando você quer comprar, digamos, um carro, você precisa saber apenas algumas informações sobre a qualidade do carro e seu preço em comparação a outros carros. A única informação pessoal que você precisa saber ao decidir sobre comprar ou não o carro é uma informação sobre você mesmo. Quais são os seus gostos e preferências em automóveis? Qual é a sua escala de preço? Qual tipo de financiamento para pagar pelo carro é melhor para você? Você não precisa saber – e você não poderia saber – nenhuma informação pessoal sobre os milhões de indivíduos cujos esforços contribuíram para a produção do carro.

As regras para interagir com estranhos coincidem em parte, mas são mais “escassas” que as regras para interagir com as pessoas as quais conhecemos pessoalmente. Tratar estranhos com respeito e não presumir que você é mais capaz que eles mesmos de julgar o que é melhor para eles; não roubar de estranhos; não enganá-los; não violentá-los; manter suas promessas para eles; respeitar seus direitos de propriedade. Para seguir essas regras não é preciso conhecer os estranhos pessoalmente. Quando as pessoas seguem essas regras impessoais ao lidarem com estranhos na economia, ocorrem trocas e contratos razoáveis. Essas trocas e contratos dão origem aos preços de mercado. Esses preços, por sua vez, orientam cada um de nós a interagir produtivamente – tanto como consumidores quanto como produtores – com um número cada vez maior de estranhos que tornam nossas vidas modernas possíveis.

O sucesso e a sustentabilidade da sociedade moderna, portanto, requerem que cada um de nós seja guiado por nossas normas de pequeno grupo quando interagimos com pessoas que conhecemos pessoalmente, mas também que coloquemos essas normas de lado quando interagimos com estranhos.

Alternar entre esses dois conjuntos de normas tão diferentes é difícil, especialmente porque nós somos geneticamente programados para seguir as normas dos pequenos grupos. Quando vemos na televisão ou em vídeos na internet rostos de estranhos que estão sofrendo perdas de emprego ou algum outro infortúnio econômico, nossas normas de pequenos grupos desencadeiam dentro de nós uma simpatia para com esses estranhos (especialmente se eles compartilham de nossa nacionalidade política). Então, quando oficiais do governo prometem “fazer alguma coisa” para aliviar o sofrimento, nós somos inclinados a apoiar esses esforços, mesmo que suspeitemos que esses esforços nos custarão alguma coisa. O raciocínio intelectual talvez nos convença de que os esforços propostos pelo governo não funcionarão, são muito custosos, ou, por outro lado, são injustificados. Mas, na mesma medida em que pensamos em nossa nação como a extensão de nossa família, os esforços planejados pelo governo tocam em nossas normas do pequeno grupo. Essas normas, assim ativadas, são muitas vezes difíceis de superar por aqueles que desejam fazer avaliações imparciais (“racionais”) de políticas governamentais. Para melhor ou pior, mesmo a melhor avaliação racional é muitas vezes insuficiente para superar o impulso emocional de cuidar conscientemente para aqueles entre nós que percebemos como sofrendo.

O poder dessas normas do pequeno grupo é especialmente intenso quando o governo se apresenta – e é retratado pela mídia, pelos acadêmicos e pela cultura popular – como sendo o líder afetuoso e prudente de nossa “família” nacional. Da mesma forma que faríamos sacrifícios pessoais para salvar nossos filhos ou irmãos de dificuldades econômicas, “nós” como membros de uma família nacional, aplaudimos os esforços dos líderes dessa nossa família nacional para resgatar aqueles entre nós que tenham caído em tempos difíceis.

Mas as políticas governamentais surgidas dessas normas de pequeno grupo podem ser contraproducentes. Se, por exemplo, o governo aumenta as tarifas para proteger os empregos dos produtores de trigo nacionais, trabalhadores em outras indústrias sofrem. A razão disso é que maiores tarifas para o trigo – através da redução do número de dólares que estrangeiros ganham vendendo trigo para nós – significam menos dólares para estrangeiros usarem na compra de outros bens produzidos por nós (ou para investir em nossa economia). Mas, como esse efeito negativo da tarifa se espalha por um grande número de pessoas diversas, ele é mais difícil de ser percebido do que os benefícios da tarifa, que estão concentrados em um grupo de pessoas relativamente pequeno, uniforme e facilmente identificado. Por serem mais difíceis de perceber, esses efeitos negativos da tarifa não despertam nossos sentimentos de pequeno grupo. Esses sentimentos, em suma, nos predispõem a apoiar as políticas cujos beneficiários são facilmente vistos e cujas vítimas permanecem encobertas nas complexidades da realidade.

Similarmente, normas de equidade do pequeno grupo que funcionam bem para determinar a distribuição de bens e recursos dentro das famílias e entre amigos, são inapropriadas para julgar a distribuição de bens e recursos na grande sociedade. As forças que determinam o tamanho relativo do conjunto dos bens materiais das pessoas nas economias de mercado são muito mais complexas do que as forças que determinam o tamanho do conjunto de recursos das pessoas dentro de pequenos grupos.

Em pequenos grupos, o esforço, intenção e simples sorte (boa ou ruim) de cada pessoa podem ser observados e levados em conta com precisão. Você sabe, por exemplo, se a baixa renda de seu irmão é resultado de sua má sorte ou de suas escolhas. (A baixa renda dele, a propósito, pode ser o resultado de más escolhas – digamos, ele bebe excessivamente – ou o resultado de escolhas que são irrepreensíveis, ainda que produzam apenas uma baixa renda – digamos, ele escolhe ganhar sua vida como um mímico de rua porque aprecia esse tipo de trabalho). E você e outras pessoas que conhecem seu irmão podem ajustar a forma como o tratam baseados no conhecimento íntimo sobre as circunstâncias particulares dele.

Na grande sociedade, no entanto, tal observação pessoal e conhecimento são impossíveis. Ninguém pode conhecer as circunstâncias particulares de todas as pessoas. Nem podemos observar diretamente a contribuição de todas as pessoas para a economia como um todo. O melhor meio disponível para calcular o tamanho da contribuição de cada pessoa para a economia é medir os ganhos monetários que ele ou ela acumula ao lidar pacificamente no mercado com clientes, fornecedores e concorrentes.

As normas que usamos em pequenos grupos são inapropriadas para avaliar os méritos do tamanho dos ganhos monetários de estranhos. O que aparece para nós como injusta alta renda e injusta baixa renda do estranho de fato possui camadas de causas complexas que não podem ser observadas e acessadas com a precisão que queremos atingir quando observamos e acessamos a amplitude do quanto de recurso do pequeno grupo é requerido por cada um de seus membros.

Outra diferença entre pequenos grupos e grandes grupos é importante aqui. Em pequenos grupos nós podemos saber com confiança a maioria dos efeitos em nosso pequeno grupo se redistribuímos recursos de uma pessoa para outra – por exemplo, se a mãe e o pai dão a Jane uma maior mesada e a Joe uma menor mesada. Em grandes grupos, no entanto, nós não podemos traçar o efeito total da redistribuição. Porque não podemos compreender todas as incontáveis e invisíveis interconexões e o intercâmbio de informações que unem as escolhas de milhões de indivíduos de todo o globo num resultado particular no qual os rendimentos anuais de alguns indivíduos são relativamente baixos, enquanto os rendimentos de outros são relativamente altos, não podemos conhecer todos os efeitos de políticas de redistribuição. A tentativa de redistribuir renda em uma configuração tão complexa corre o risco de desencadear muitos retornos negativos e arranjos produtivos perturbadores que tornam ainda mais pobres os indivíduos com os rendimentos mais baixos.

Altos impostos de renda sobre os ricos, por exemplo, podem diminuir tanto os investimentos que, ao longo do tempo, o resultado das perdas de oportunidades para os cidadãos mais pobres na economia sufoca qualquer renda extra que eles recebam através das políticas governamentais de redistribuição. Da mesma forma, a redistribuição pode bloquear tanto os incentivos das pessoas pobres de hoje para permanecerem na escola ou para encontrarem e manterem trabalhos que o bem-estar econômico dessas pessoas é, na verdade, piorado ao longo do tempo pelas políticas de redistribuição que eram destinadas ajudá-los.

O argumento aqui não é que estes efeitos negativos particulares ocorrerão. Mas sim, que alguns efeitos negativos imprevistos irão ocorrer se nós tentarmos fazer os resultados do grande grupo satisfazerem o senso de justiça e equidade que é apropriado aos pequenos grupos. A razão é que nosso conhecimento sobre os detalhes relevantes do grande grupo – nosso conhecimento de detalhes daquilo que Hayek chamou de “ordem estendida”– é insignificante comparado ao nosso conhecimento dos detalhes relevantes de nossos pequenos grupos. Se tentarmos fazer os resultados do grande grupo satisfazerem as noções de justiça e equidade que são apropriadas aos pequenos grupos, nós vamos reduzir e distorcer as forças impessoais da concorrência e de ganhos e perdas que são necessários em uma grande economia para alocar recursos para os usos que são de máximo valor para multidões de pessoas. Além disso, enfraqueceremos a obrigação que as pessoas sentem de mudar seus empregos e atividades comerciais se os consumidores já não valorizam a produção desses trabalhos e atividades.

Alternar entre as normas do pequeno grupo e do grande grupo não é fácil. É compreensível que muitas pessoas sintam um forte desejo de aplicar as normas de pequeno grupo ao grande grupo. Felizmente, entretanto, ao longo dos últimos dois ou três séculos pessoas suficientes em várias partes do mundo têm evitado aplicar suas normas de pequeno grupo à grande sociedade e à economia – ou têm evitado fazê-lo pelo menos o suficiente para permitir o capitalismo global, industrial e burguês criar raízes e se espalhar. Então isso pode ser feito. As pessoas podem alternar apropriadamente entre normas de pequeno grupo e de grande grupo. Contudo, a mídia e comentários políticos agravam diariamente a dificuldade de fazê-lo. No próximo e último capítulo desse livro, vamos explorar o papel das ideias e seu inevitável papel dominante na determinação das políticas públicas. Se nossas ideias são “boas”, elas superarão qualquer sentimento que possamos ter que seja destrutivo para a “ordem estendida”. Mas se nossas ideias são “más”, as consequências serão políticas que debilitam e destroem a “ordem estendida” e, junto com ela, nossa civilização.

Por Don Boudreaux

Tradução Fernanda Ferreira

Revisão Flávio Ghetti

1 No original,”small-group arrangements”.

2 No original, “large-group arrangements”.

3 No original, “‘arms-lenght’ formal contract” que significa um acordo feito livremente por ambas as partes e independentemente uma da outra. Na tradução literal: “a distância de um braço”.

4 No original, “sentiment”.

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