O Começo das Brigadas da Juventude de Reagan

Por Gene Kopelson [*]

Há cinquenta anos Ronald Reagan cativava os corações e as mentes da juventude dos Estados Unidos.

Há cinquenta anos Ronald Reagan cativava os corações e mentes da juventude dos Estados Unidos. A visão que se tem do final da década de 1960 é a de que foi um momento em que hippies drogados e protestos anti-guerra tomaram conta o país. Mas havia também uma outra subcultura oposta: uma onda crescente de jovens conservadores. E em junho de 1967 esse grupo encontrou seu herói em um candidato presidencial estreante, que era o então governador da Califórnia. Seu nome, é claro, era Ronald Reagan.

Quando Reagan concorreu para governador em 1966, surgiram na Califórnia divisões locais da “Juventude para Reagan”. O comitê de campanha não sabia o que fazer com esses militantes locais, e em certo momento consideraram exigir a dissolução desses grupos de meninos. Nesse ponto, o jovem Dana Rohrabacher (futuro congressista) acampou no gramado à frente da residência de Reagan para poder conhecer pessoalmente o candidato e convencê-lo a anular os planos do comitê. Deu certo.

Em junho de 1967 Reagan já estava há sete meses em sua primeira campanha para a presidência. Mas na época os favoritos na corrida eram o governador liberal de Michigan, George Romney (pai de Mitt Romney); o governador liberal de Nova York, Nelson Rockefeller; o vice-presidente centrista, Richard Nixon. (Em 1960, Nixon perdera a presidência para John F. Kennedy, e dois anos depois perderia o governo da Califórnia para Pat Brown — o pai do atual governador da Califórnia, Jerry Brown, e o nome que Reagan havia derrotado seis meses antes por quase um milhão de votos. Sim, a política da Califórnia é interessante.)

O primeiro teste de força para os quatro candidatos republicanos foi a convenção da Federação Nacional de Jovens Republicanos, realizada em Omaha, Nebraska, na terceira semana de junho. O grupo era conservador e havia apoiado com entusiasmo Barry Goldwater em 1964. Em 1967, em todo o país e na convenção nacional, Reagan tornou-se o favorito deles. E os oponentes sabiam disso.

Nixon e Rockefeller nem sequer apareceram. Na verdade, repórteres há época observaram que não havia pessoal da Nixon na convenção, nem mesmo uma suíte reservada para ele. Romney também foi uma ausência sentida, mas ele pelo menos enviou a esposa para pronunciar um breve discurso. A inegável estrela do show foi Reagan.

Havia balões com o nome de Reagan flutuando no ar, cartazes de Reagan, chapéus de palha e bottoms em todos os lugares. Reagan veio pessoalmente conhecer seus jovens apoiadores e fez um discurso eletrizante em 23 de junho de 1967.

Reagan desprezava os programas da “Grande Sociedade” do presidente [Lyndon] Johnson. Ele disse à plateia que desde 1961, apesar das grandes despesas com a guerra no Vietnã, os recursos não militares aplicados em programas sociais superaram os gastos militares. Refletindo sobre as vitórias eleitorais do Partido Republicano em 1966, Reagan exortou os jovens republicanos a se manterem firmes na oposição às políticas falidas dos democratas: usou pela primeira vez em público o termo “tons pastel doentios” — que evoluiria para o seu bordão clássico sobre os “tons pastel pálidos”.

Diante dos Jovens Republicanos, Reagan advertiu que os soldados americanos no Vietnã não estavam recebendo as ferramentas militares necessárias para vencer a guerra. Em vista da impressionante vitória de Israel na Guerra dos Seis Dias no início do mês e a tentativa de Johnson de permanecer neutro quanto ao Oriente Médio, Reagan declarou que os Estados Unidos tinham a obrigação moral de apoiar o estado judeu.

O discurso foi interrompido várias vezes por aplausos selvagens e Reagan recebeu uma série de ovações de pé. Uma pesquisa informal entre os participantes da convenção mostrou Reagan muito acima de qualquer outro candidato do Partido Republicano, ganhando 46% na preferência entre os quatro nomes. Um repórter do New York Times, cobria candidatos presidenciais desde Truman, afirmou: “Nunca vi nada parecido (…) Não há ninguém que possa alcançar Reagan”.

Ronald Reagan perdeu a indicação mas ganhou os corações dos jovens republicanos, que viriam a se tornar uma parte importante de sua base de apoio em 1980. E o apoio que recebeu naquela convenção de Omaha, ele o levaria por toda a sua presidência.

[*] Gene Kopelson. “The Beginning of Reagan’s Youth Brigades”. The Weekly Standard, 23 de Junho de 2017.

Tradução: Felipe Alves

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