Não é somente a Alemanha que está encobrindo ataques sexuais em massa por imigrantes… O recorde Sueco é vergonhoso

A Polícia de Estocolmo foi aconselhada a não dar descrições dos criminosos para que não sejam acusados de serem racistas.
Ivar Arpi

rapeeuropa1Passaram-se dias para que a polícia reconhecesse os ataques em massa às mulheres que celebravam o Ano Novo em Cologne. Os alemães foram sortudos; na Suécia, ataques similares tem acontecido por mais de um ano e as autoridades ainda estão tentando acompanhar. Somente agora a verdade está aparecendo, tanto sobre os ataques, quanto sobre os encobrimentos. Stefan Löfven, primeiro ministro Sueco, denunciou essa “dupla traição” sobre as mulheres e a promessa de investigações. Mas ele deveria estar se perguntando: o que fez a polícia e também os jornalistas encobrirem a verdade?

A resposta pode ser encontrada na reação aos ataques de Cologne. A Suécia se orgulha por sua igualdade sexual e tem até iniciado uma polícia feminista estrangeira. Quando milhares de mulheres relataram terem sido molestadas ou abusadas em Cologne – pelas mãos de um grupo organizado – a reação do políticos e comentaristas Suecos tem sido um grande ultraje.

Ao invés disso, foi-nos dito que os eventos de Cologne não foram usuais. Um artigo da Aftonbladet, um dos maiores jornais da Suécia, disse que foi racismo indicar que os autores dos crimes em Cologne tenham sido descritos como africanos do norte ou árabes, já que homens da Alemanha já haviam cometido crimes sexuais durante a Oktoberfest na Bavaria. Um outro artigo deste mesmo tabloide disse que os relatórios sobre os ataques em Cologne foram curvando-se ao extremismo de direita. Ao longo da última semana, foi-nos dito repetidas vezes que a verdadeira questão é, os homens não qualquer cultura particular que os homens suecos não são melhores.

Então, na semana passada as histórias da Suécia começaram a surgir. Durante o festival de música We Are Sthlm, grandes grupos de homens jovens assediaram sexualmente meninas. Tudo começou em 2014 e também prosseguiu durante o festival do ano passado. De acordo com relatórios internos da polícia, os grupos eram “chamados de jovens refugiados principalmente do Afeganistão”. A mais jovem das vítimas tinha 12 anos.rapeeuropa3

A polícia alegou que houve “relativamente menos crimes e prisões, considerando o número de participantes”. Relatórios internos contaram uma história diferente. A polícia ficou tão chocada com o assédio que tentou criar uma estratégia para lidar com os grupos de molestadores no festival – a estratégia foi evidentemente um fracasso. O problema é que eles estavam tentando lidar com um problema, mas sem chamá-lo pelo nome. Como Peter Ågren, o policial chefe da central de Estocolmo, colocou: “As vezes nós não nos atrevemos a dizer como as coisas realmente estão porque acreditamos que irá cair nas mãos dos Democratas Suecos”. Como todos sabemos, os policiais de Estocolmo são instruídos a não revelar a etnia ou nacionalidade de nenhum suspeito para que não sejam acusados de racismo.

Os democratas suecos são a força populista anti-imigração na Suécia não mais um elemento de franja, mas o terceiro maior partido após a eleição de 2014. Pesquisas de opinião sugerem que eles estão crescendo cada vez mais . Eles são insultados por todos os outros partidos , que tentam combatê-los rejeitando todas as reivindicações como sem fundamento. Como resultado, a imigração não pode ser discutida francamente na Suécia. Se você mencionar qualquer coisa negativa sobre os refugiados ou imigração, você é acusado de jogar nas mãos da insultada extrema-direita. Como resultado, as preocupações legítimas são silenciadas ou rotuladas como xenofóbicas. A recente crise migratória mudou isso só ligeiramente.

Quando um país não consegue ter debates honestos, existem consequências. Vejamos Roger Ticoalu, diretor de eventos no Concelho da Cidade de Estocolmo. Ele disse ser desconhecer completamente os riscos de tais ataques:

Foi um M.O. (modus operandi) que nunca tínhamos visto antes: grandes grupos de homens jovens cercavam meninas e as molestavam

A polícia alemã tem uma semelhança: eles estão acostumados a lidar com bêbados. Mas gangues de homens jovens rodeando e depois atacando mulheres em grandes conglomerados de pessoas: quem já tenha ouvido de tal coisa?

rapeeuropaNo mundo Árabe, isso é um fenômeno. E esse fenômeno tem nome: “Taharrush gamea”. Algumas vezes as moças são provocadas e têm seus véus arrancados por gangues de homens jovens; às vezes desenvolve-se em estupro. Cinco anos atrás, essa forma de ataque a mulheres foi tema de um filme egípcio ganhador de vários prêmios, 678. Exemplos de jovens rodeando e atacando meninas foram relatados durante os protestos da Primavera Árabe no Cairo em 2011 e 2012. Lara Logan, um jornalista da CNN cobrindo a queda de Hosni Mubarak, foi violentada em Tahrir Square. Taharrush gameâ é um mal moderno, e está sendo importado para a Europa. Nossas autoridades deveriam estar cientes disso.

Mas eles não podem estar cientes, quando qualquer menção à questão é desencorajada. Isso deixa a polícia despreparada, e deixa a percepção do público não apenas vulnerável, mas enganada. Não é preciso ser um teórico da conspiração para saber como tem havido muitos exemplos da polícia sueca ter tomado em conta considerações políticas antes de divulgar informações.

Antes de Dan Eliasson se tornar o comissário da polícia nacional da Suécia, ele twittou que “vomitou” quando viu Jimmie Åkesson, líder dos Democratas Suécos na televisão. Até que ponto suas opiniões pessoais foram marcadas na polícia da Suécia? Foram os policiais que encobriram os ataques sexuais respondendo a sinais de Eliasson? Será que eles acharam que fazer um alarde sobre os crimes de cometidos por imigrantes eram um mal caminho a se tomar em suas carreiras e os impediu de cumprir seus deveres?

Até agora, os suecos ainda estão tentando descobrir o que está realmente acontecendo. Relatos estão aparecendo sobre o estilo Taharrysg gamea de assédio no ano novo em Malmö. De acordo com relatos da polícia, milhares de jovens refugiados do Afeganistão passeavam e “rodeavam meninas e mulheres e as assediavam”. Incidentes similares tem sido reportados de cidades como Kalmar e Karlstad. As autoridades finlandesas estão cuidando dos relatos sobre os assédios sexuais organizados por imigrantes iraquianos.

Nós suecos nos orgulhamos de nosso recorde incomparável em matéria de respeito aos direitos das mulheres. Mas quando os direitos das mulheres entram em conflito com o objetivo de acomodar outras culturas, são quase sempre as mulheres que são jogadas de lado. Essa semana, as aulas tagarelas na suécia terão que se preocupar como essa história discorre nas mãos dos Democratas Suecos. Mas os eventos tem sido mais do que isso. A verdade pode ser dolorosa. Mais ainda, como nós já vimos, escondê-la pode ser muito mais doloroso.

Originalmente publicado em The Spectator

Tradução Duanne Scremin

Revisão Flávio Ghetti

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