Nada Além do Sentimentalismo: Os Parâmetros da Política da Esquerda

Parte 3 de uma série sobre as diferenças entre esquerda e direita.

Uma diferença fundamental entre a Esquerda e a Direita diz respeito à forma como cada uma avalia as políticas públicas. A Direita pergunta: “Será que isso faz o bem?” Já a esquerda faz uma pergunta diferente. Um exemplo é o salário mínimo. Em 1987, o New York Times fez um editorial contra qualquer salário mínimo. O título do editorial já dizia tudo: “O Salário- Mínimo ideal: R$ 0,00”.
“Há um consenso geral entre os economistas”, dizia o editorial do Times, “de que o salário mínimo é uma ideia ultrapassada. Aumentar substancialmente o salário mínimo implicaria em excluir os trabalhadores pobres do mercado de trabalho… E principalmente, aumentaria o desemprego… A ideia de utilizar um salário mínimo para superar a pobreza é antiga e louvável, mas totalmente equivocada.”

Por que o New York Times fez um editorial contra o salário mínimo? Porque ele fez a pergunta que os conservadores fazem: “Será que isso faz bem?”.
Apesar disso, 27 anos mais tarde, a página editorial do New York Times propôs o oposto do que havia dito em 1987 e advogou por um grande aumento no salário mínimo. Dessa vez, a página se moveu mais à esquerda e já não estava mais preocupada com o que faz bem, mas com a desigualdade de renda, que causa um mal estar. Ela lamentou o fato de que um salário mínimo baixo não tinha “amolecido os corações de seus opositores” (os republicanos e seus apoiadores).

Um segundo exemplo são as ações afirmativas[¹]. Estudo após estudo (e, principalmente, o senso comum e os fatos) têm demostrado os efeitos deletérios que as ações afirmativas baseadas na raça tiveram sobre os estudantes negros. O rebaixamento dos padrões de admissão das faculdades para os candidatos negros garantiu ao menos dois resultados terríveis.

O primeiro é que cada vez mais estudantes negros não conseguem se graduar na faculdade, porque muitas vezes eles são admitidos em faculdades que exigem um rigor acadêmico maior do que estão preparados para lidar. Ao invés de frequentar uma escola compatível com suas habilidades, uma escola onde eles poderiam se destacar, eles fracassam em uma escola em que não são competitivos.
O outro resultado é que muitos, senão a maioria, dos estudantes negros se sentem como se houvesse uma nuvem negra pairando sobre eles. Eles suspeitam que outros estudantes se perguntam se eles, os estudantes negros, foram admitidos na faculdade por mérito ou porque os padrões foram rebaixados.

Parece que a última pergunta que os defensores das ações afirmativas baseada na raça se fazem é: “Será que isso faz bem?”.

Um terceiro exemplo é o pacifismo e outras formas de ativismo pacifista. A Esquerda sempre teve uma queda pelo pacifismo, a crença de que matar outro ser humano é sempre imoral. Nem todos os esquerdistas são pacifistas, mas o pacifismo tem origem na esquerda, e quase todos os esquerdistas apoiam o “ativismo pacifista”, “estudos sobre a paz” ou qualquer outra coisa que contenha a palavra “paz”.

A Direita, por outro lado, ao mesmo tempo em que deseja a paz tanto quanto a Esquerda (que pai conservador quer que seu filho morra em uma guerra?), sabe que o pacifismo e a maioria dos “pacifistas” aumentam as chances de guerra, não de paz.

Nada garante tão bem o triunfo do mal como se recusar a combatê-lo. O mal maior, portanto, nunca é derrotado por ativistas da paz, mas sim através de poderio militar superior. A vitória dos Aliados na Segunda Guerra Mundial é um exemplo óbvio. Assim como a força do exército americano que conteve e, ao final, parou o comunismo soviético.
Os defensores do pacifismo, de estudos sobre a paz, do desarmamento nuclear americano, e da retirada das tropas americanas dos países em que elas haviam lutado (o Iraque é o exemplo mais recente) não se perguntam: “Será que isso é bom?”

A desocupação do Iraque foi boa? Claro que não. Ela só levou ao surgimento do Estado Islâmico, com suas práticas de tortura e assassinatos em massa.

Assim, se para avaliar quais políticas públicas devem ser adotadas os conservadores se perguntam: “Será que isso faz bem?”, que pergunta fazem os esquerdistas?

Eles se perguntam: “Será que isso vai fazer com que as pessoas, inclusive eu, se sintam bem?”

Por que os esquerdistas apoiam o aumento do salário mínimo se isso não é bom? Porque faz com que os que recebem um salário mais elevado se sintam bem (mesmo que outros trabalhadores percam seus empregos quando os restaurantes e outras empresas que não puderem pagar esse aumento fecharem as portas), e faz com que os esquerdistas se sintam bem sobre si próprios: “Nós, da Esquerda, ao contrário dos conservadores, temos corações moles”.

Por que os esquerdistas apoiam ações afirmativas baseadas na raça? Pelas mesmas razões. Isso faz com que seus destinatários se sintam bem quando são admitidos em faculdades mais prestigiadas e faz com que os esquerdistas se sintam bem sobre si mesmos, por aparentemente compensarem os males do racismo histórico.
O mesmo vale para os esquerdistas do ativismo pacifista: Apoiar “a paz” em vez dos militares faz com que os esquerdistas se sintam bem sobre si mesmos.

Talvez o melhor exemplo disso seja o movimento pela auto-estima. Ele teve um efeito negativo, em quase sua totalidade, sobre uma geração de americanos, que foram criados para ter uma auto-estima em alta sem merecer. Consequentemente, eles acabaram sofrendo de narcisismo e de uma incapacidade para lidar com os inevitáveis contratempos da vida. Mas a auto-estima gera sensação de bem-estar. E é de sentimentos, e não da razão, que o esquerdismo se trata. A razão pergunta: “Será que isso faz bem?”. A esquerda pergunta: “Será que isso vai fazer eu me sentir bem?”

[¹] Nota do Revisor: Sistemas semelhantes às cotas raciais do Brasil, originadas na década de 60 pelo então presidente John F. Kennedy.

 

Tradução: Gustavo B.

Revisão: Jonatas

Artigo original: http://www.nationalreview.com/article/419498/left-right-differences-feelings-reason

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