Michelle Westby, ex-grid girl comenta sobre a extinção da profissão na F1

Por Michelle Westby

Tempo estimado de leitura: 4 minutos e 5 segundos.

Eu não iria me envolver nesse debate sobre o fim das grid girls já que eu achei que todas as garotas estavam lidando muito bem com isso, mas eu vi recentemente alguns comentários que realmente fizeram meu sangue ferver, como “elas não têm nenhum propósito, inteligência ou conhecimento de carros e corridas” ou “está na hora de elas arrumarem um emprego decente”.

Em primeiro lugar, a maioria das garotas que trabalham no grid tem um interesse muito grande em automobilismo e, assim como eu, envolveram-se em tarefas dos boxes o quanto podiam e até usaram seu tempo nos eventos para aprenderem e melhorarem seu conhecimento sobre carros e corridas! Além disso a maioria das garotas fazem esse trabalho para complementar a renda, já que (de novo), assim como eu, já tinham um bom emprego em horário integral e/ou cursavam ensino superior. A maioria dessas garotas são mais do que um rostinho bonito.

As pessoas se esqueceram da frase “não julgue um livro pela capa”. A mensagem mais importante que eu gostaria de passar é que, de fato, se não fosse pelo trabalho no grid como modelo promocional, eu não estaria onde estou agora, em um esporte “dominado por machos” como piloto substituta e de competição de drift, inspirando e influenciando mulheres neste “ambiente masculino e intimidador”. Eu recebo mensagens de garotas o tempo todo dizendo o quanto eu as inspiro e as fiz quererem tentar a sorte no automobilismo quando antes elas achavam que não seriam aceitas.

Agora eu ouço todas as pessoas negativas perguntarem como foi que ficar parada bonitinha em um grid ajudou…. Bem, eu sempre gostei de carros e corridas, mas, assim como a maioria das garotas, eu não achava que poderia chegar lá, já que não era homem e também não tinha dinheiro. Foi graças ao Campeonato Europeu de Drift me dar um emprego como grid girl que eu consegui. Eu vi drifting pela primeira vez e pensei seriamente que eu adoraria fazer aquilo. Depois de conversar com os pilotos, eles todos me apoiaram e me aconselharam. Dali em diante eu aproveitei seus conselhos para iniciar minha carreira e o trabalho no grid me ajudou a financiá-la. De novo: o que a maioria das pessoas não percebem é que as garotas conhecem as equipes e produtos que estão promovendo, isto é parte do trabalho! Nós também sempre somos instruídas sobre quais serão os nossos uniformes, e aí cabe a nós decidir se nos sentimos confortáveis neles, mas eu acho que nós usamos mais roupa do que o que as adolescentes usam hoje em dia para irem ao supermercado.

Eu hoje estou aposentada dessas carreiras mas é muito frustrante pensar que as garotas perderam uma importante fonte de renda porque as feministas acham que sabem mais quando, na verdade. elas não têm a menor noção. Nós temos a nossa própria voz, nós amávamos esse trabalho. Isso tudo é basicamente porque alguns homens não conseguem controlar suas bocas e não tem nada a ver com as garotas. Eu posso atravessar uma obra de construção e receber os mesmos comentários, então por que um emprego deve ser extinto depois de alguns comentários masculinos inconvenientes? É ridículo. O que vem depois? Revistas femininas, comerciais… onde isso vai terminar? Espero que as pessoas certas consigam ver este post.

Fonte: https://www.facebook.com/michellechellebelle.westby/posts/1763928720305705

Tradução: dvgurjao

Revisão: Andrey Costa

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