Meus valores conservadores

Diversidade ideológica contribui para o desenvolvimento da teoria.
No meu post “A ideologia da psicologia social”, discuti que a pesquisa empírica sugere que a ideologia esquerdista domina a psicologia social e psicólogos sociais conservadores estão subrepresentados. Lee Jussim tem escrevido sobre isto no seu blog “The Rabble Rouser”.

Não desejo promover conservadorismo com este blog. Contribuo com o movimento de diversidade ideológica ao me identificar como um conservador. Espero que  1) psicólogos sociais conservadores se tornem mais abertos e sejam aceitos por sua ideologia, e 2) psicólogos sociais não conservadores aprendam a não me termer, e a me ver como um indivíduo único com uma perspectiva única. Listei alguns dos meus valores fundamentais a seguir, para que você saiba mais sobre minha perspectiva

Meus valores

  • Deus. Sou cristão. Acredito em Deus e Jesus Cristo. Rezo todo dia, e vou a igreja com minha família nos domingos para louvá-lo. Se você continuar a ler além desta sentença, você irá aprender que grande parte da minha pesquisa tem sido em psicologia evolucionista. Acredito na evolução e meu pai é um biólogo evolucionista. Acredito que a ciência revela verdades que não podem estar em desacordo com Deus, e Deus não pode estar em desacordo com a ciência. Acredito na tolerância de todas as pessoas, religiosas (de qualquer denominação) ou não. Nós deveríamos ter liberdade para praticar a religião que escolhemos, quando escolhemos praticá-la, e nunca impô-la a outrem.

 

  • Família. Minha família é importante para mim. Passar tempo com minha esposa e filhos é a melhor parte da minha vida. Quero que estejam expostos ao melhor que o mundo tem a oferecer, e que meus filhos cresçam entendendo a obrigação que eles tem de ter de usar seus dons para fazer o mundo um lugar melhor e ajudar aqueles menos afortunados do que eles em todo o tempo.

 

  • Democracia. Acredito que não há substituto para a democracia. Democracia em uma organização ou governo conduz a uma maior motivação, melhor qualidade de liderança, melhor qualidade de adesão, e uma melhor qualidade geral da vida. Decisões específicas em democracias não estão sempre corretas. Em longo prazo, tenho fé que pessoas são inerentemente boas e irão trabalhar juntas, altruisticamente, para facilitar o sucesso de longo alcance de sua sociedade, com tomadores de decisões informados com boa ciência.

 

  • Capitalismo de livre mercado. Acredito que capitalismo de livre mercado conduz a sociedade a desenvolver-se na melhor versão de si mesma que ela pode ser – a mais inovadora, rica(de cima a baixo), altruísta, e saudável sociedade possível. Deveria haver sempre restrições colocadas para garantir que ninguém seja deixado para trás. Muitos desacordos podem ocorrer sobre onde restringir no processo e quantas restrições deveriam ser postas.

 

  • Posição sobre políticas. Acredito em defender aqueles que não podem se defender, domesticamente ou no estrangeiro. Acredito em investir em educação, investir em assistência médica e investir em assistência para saúde mental para construir uma sociedade. Estes irão ser os assuntos de alguns dos meus futuros posts do blog sobre a a aplicação dos achados das pesquisas de psicologia social.

 

Sou adepto do conservadorismo fiscal e socialmente moderado. Democracia e nossas liberdades nos Estados Unidos nos deu oportunidade de discordar, discutir e sermos diferentes de muitos modos interessantes. Quanto ao campo da psicologia social, ninguém é culpado pela falta de diversidade ideológica. Devemos continuar a fazer boa ciência, ter a mente aberta sobre as questões que fazemos, e respeitar nossos colegas. Não estou desautorizado por ser um acadêmico conservador. Sou apaixonad em relação à boa ciência empírica que fazemos na psicologia social e quero falar às pessoas sobre ela.

 

Meus valores não guiam minha pesquisa com o objetivo de produzir qualquer resultado preconcebido. A psicóloga social Susan Fiske(2004) traçou quatro fontes das quais teóricos constroem suas teorias: intelectual, pessoal, grupal e visão de mundo. Ela defendeu que identificações grupais podem dar perspectivas ao criar teorias do comportamento humano (ex.: A experiência feminina com o sexismo informando uma teoria sobre o sexismo). Ela expôs que “quando grupos socialmente significantes participam, então o campo ganha a variedade de perspectivas necessárias para uma série saudável de diálogos” (p. 136). Ela também defendeu que para fontes de pontos de vista, uma agenda inspirada em valores informando uma teoria é apropriada na medida em que a teoria está sujeita aos mesmos critérios científicos como qualquer outra teoria. Como exemplo, ela citou o trabalho de John Darley sobre a hipótese do bom samaritano.

 

Meus valores informam minha perspectiva como um cientista mas não guiam minha ciência.

Fiske, S. T. (2004). Mind the gap: In praise of informal sources of formal theory.Personality and Social Psychology Review, 8, 132-137.
Tradução: Pedro Henrique
Revisão: Jonatas

Artigo original: https://www.psychologytoday.com/blog/the-conservative-social-psychologist/201603/my-conservative-values

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