Maconha causa esquizofrenia e é fator de risco para ataques cardíacos, dizem os especialistas em um estudo histórico que considera a maioria dos benefícios médicos da droga como não provados

Por Mia De Graaf [*]

A maconha aumenta o risco de esquizofrenia e é fator de risco para ataques cardíacos, de acordo com o mais significativo estudo sobre os efeitos da droga até o momento.

Um painel consultivo federal reconheceu que a cannabis quase certamente alivia a dor crônica e pode ajudar algumas pessoas a dormir. Mas descarta a maioria dos outros supostos “benefícios medicinais”, considerando-os infundados.

Um ponto crucial é que os pesquisadores concluíram não haver pesquisas suficientes para afirmar se a maconha de fato trata a epilepsia – uma das principais razões para a prescrição de cannabis.

O relatório também coloca dúvidas sobre o uso de cannabis para o tratamento de câncer, síndrome do intestino irritável ou certos sintomas da doença de Parkinson, ou como auxílio para as pessoas superarem vícios.

Especialistas de todo o país se juntaram para estudar mais sobre a família química da maconha, incluindo compostos de ação similar, chamados canabinóides.

De fato, a atual falta de informação científica “representa um risco para a saúde pública”, afirmou o relatório, divulgado pelas Academias Nacionais de Ciências, Engenharia e Medicina.

Pacientes, profissionais de saúde e políticos precisam de mais evidências para tomar decisões sensatas, afirmou.

Vários fatores têm limitado a pesquisa. O governo federal aprovou alguns medicamentos contendo ingredientes encontrados na maconha, mas ainda classifica a maconha em si como ilegal e impõe restrições à pesquisa. Os cientistas então têm de fazer malabarismos burocráticos que alguns acham assustadores, segundo o relatório.

A política de financiar estudos sobre os possíveis danos também impede a pesquisa sobre possíveis benefícios para a saúde, segundo o relatório. Também é restrita a gama de produtos derivados da maconha disponíveis para estudo, embora o governo esteja expandindo o número de fornecedores aprovados.

Vinte e oito estados e o Distrito de Colúmbia legalizaram a maconha para vários usos médicos, e oito desses estados além do DC também a legalizaram para uso recreativo.

O relatório apresenta quase 100 conclusões sobre a maconha e outras substâncias de ação semelhante, com base em estudos publicados desde 1999.

Encontrou fortes evidências, por exemplo, de que a maconha pode tratar a dor crônica em adultos e que compostos similares aliviam a náusea da quimioterapia, com diferentes graus de evidência para o tratamento da rigidez muscular e espasmos na esclerose múltipla.

Uma evidência limitada mostra que a maconha e outros compostos podem aumentar o apetite em pessoas com HIV e AIDS e aliviar os sintomas do transtorno de stress pós-traumático, concluiu o relatório.

Podem haver mais evidências em breve: um estudo no Colorado está ainda investigando o uso de maconha como tratamento para o TEPT.

Em relação a possíveis danos, o comitê concluiu:

• Forte evidência ligando o uso de maconha ao risco de desenvolver esquizofrenia e outras causas de psicose, com maior risco entre os usuários mais frequentes.

• Algumas evidências sugerem um pequeno risco aumentado para o desenvolvimento de distúrbios depressivos, mas não há evidência sobre como ela afeta o curso ou os sintomas de tais distúrbios, ou o risco de desenvolver transtorno de estresse pós-traumático.

• Há uma forte evidência de que o uso de maconha aumenta o risco de acidentes de trânsito, mas nenhuma indicação clara de como ou se promove acidentes ou ferimentos no local de trabalho, ou morte por overdose.

• Há poucas evidências para a idéia de que ela prejudique o desempenho escolar, aumente as taxas de desemprego ou prejudique o funcionamento em sociedade.

• Para as mulheres grávidas usuárias, existem fortes evidências de peso reduzido da criança ao nascer, mas apenas evidências fracas de quaisquer efeitos como complicações na gravidez para a mãe ou necessidade de tratamento intensivo para a criança. Não há evidências suficientes para concluir sobre efeitos tardios na criança, como síndrome de morte súbita infantil ou predisposição para uso de substâncias.

• Algumas evidências sugerem que não há ligação entre câncer de pulmão e uso da maconha. Mas não há evidências, ou elas são escassas, para apoiar ou refutar qualquer ligação com o desenvolvimento de câncer da próstata, colo do útero, bexiga ou esôfago.

• Evidências substanciais ligam o uso de maconha a uma piora em sintomas respiratórios, e a episódios mais frequentes de bronquite crônica.

• Há evidências fracas que sugerem que fumar maconha pode desencadear um ataque cardíaco, especialmente em pessoas com risco aumentado de doença cardíaca. Mas não há evidências sobre como ou quando o uso crônico influencia o risco de um ataque cardíaco.

• Algumas evidências sugerem uma ligação entre usar maconha e o desenvolvimento de dependência ou abuso de outras substâncias, incluindo álcool, tabaco e outras drogas ilícitas.

[*] Mia De Graaf. “Marijuana DOES cause schizophrenia and triggers heart attacks, experts say in landmark study that slams most of the drug’s medical benefits as unproven”. Daily Mail, 12 de Janeiro de 2017.

Tradução: Felipe Alves

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