JOSEPH PEARCE: A LIBERDADE ESTÁ NO SEU BOLSO!

Por Joseph Pearce [*]

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Como muitas pessoas, achei a recente Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas um tanto inquietante. E, ainda, ao contrário de muitos, minhas preocupações tinham pouco ou nada a ver com a questão da mudança climática em si. Se o aquecimento global está realmente acontecendo ou não e, mesmo que esteja ocorrendo, seja causado por poluição artificial, é um tema interessante e, de fato, importante. Porém, há outro perigo que a Conferência das Nações Unidas destacou, o qual é danoso negligenciarmos, pois se trata do perigo de um governo mundial estar tomando uma forma embrionária diante de nossos olhos. Quanto mais força política e influência são dadas às Nações Unidas, ou que ela toma para si, mais perto estamos de um mundo no qual nós, enquanto indivíduos, não possuiremos liberdade política.

Uma das grandes ameaças contra a liberdade é o problema da centralização progressiva de poder dentro de maiores formas de governo, que estão cada vez mais distantes do povo e respondem cada vez menos, na prática, à vontade das pessoas. Em outras palavras, para deixar bem claro: o mundo em que vivemos está paulatinamente se tornando menos democrático, ao passo que seu governo fica progressivamente maior. Deste modo, por exemplo, a crescente centralização de poder em organismos supranacionais, como a União Europeia ou as Nações Unidas, representa um afastamento da democracia genuína em direção a uma tirania globalista, na qual as massas mais empobrecidas ficam efetivamente impotentes, independente do fato de terem um voto simbólico em eleições cada vez mais inexpressivas.

O mesmo princípio se aplica à centralização progressiva de poder dentro do crescente Governo Federal dos Estados Unidos, o qual reiteradamente usurpa os direitos das famílias e de comunidades locais em sua maníaca obsessão de impor sua ideologia como sendo aquilo que todos deveriam pensar.

Para piorar a situação, esses governos megalomaníacos estão sendo ajudados e instigados em sua usurpação de poder por organismos econômicos como o Banco Mundial, o Fundo Monetário Internacional (FMI), e pelas maiores corporações globais, as quais trabalham com as instituições políticas supranacionais no sentido de harmonizar o mundo de uma forma em que grandes governos e grandes empresas liderem em seu próprio benefício e às custas da liberdade política das pessoas comuns.

1984-1Diante de tal aliança profana de poder monumental, seria fácil retorcer nossas mãos em desespero ou elevá-las em ato de rendição. Mesmo assim, ainda não há, de fato, necessidade de fazê-lo. Os inimigos da liberdade podem ser poderosos, mas seus amigos não são menos potentes. Em vez de retorcermos ou elevarmos nossas mãos, nós deveríamos simplesmente começar a colocá-las em nossos bolsos para que assim pudéssemos liberar o poder que mantemos em nossas carteiras. Precisamos educar-nos e aos outros para perceber que todo dinheiro gasto de forma correta é um voto pelo tipo de mundo no qual nós gostaríamos de viver, ao passo que cada centavo que nós gastamos de forma indevida é um voto para o tipo de mundo no qual atualmente nos encontramos. De fato, o dinheiro que nós gastamos é mais poderoso que um simples voto, porque a moeda garante que nós obtenhamos o que pagamos para ter, enquanto que um voto não garante que iremos adquirir aquilo pelo qual votamos. Em outras palavras, cada vez que colocamos as mãos dentro dos nossos bolsos, ou estamos cavando nosso caminho para a liberdade ou nossa própria sepultura política, o que depende [do fato] de estarmos gastando o dinheiro de forma sábia ou irresponsável.

Então, como aprendemos a abrir nossos bolsos de forma que possamos transformá-los em armas na briga pela liberdade?

Primeiramente, nós precisamos lutar contra o poder centralizado, através da restauração da força de nossas próprias comunidades locais. Podemos fazer isso gastando nosso dinheiro em produtos feitos localmente. Compre produtos locais; compre cervejas artesanais produzidas localmente; compre coisas produzidas por artesãos locais; vá a restaurantes de proprietários locais; evite as redes de restaurantes; supere o vício de consumir a tecnologia mais recente produzida pelas corporações globais, gastando menos nos aparelhos que nós não precisamos e mais na revitalização de nossa economia regional através do investimento da nossa renda no comércio local e de maneira prudente. Esqueça a sua televisão e comece a participar de eventos locais que interessem a você!

Há muitas coisas que podemos fazer em nossa rotina diária para transformar as comunidades locais em centros de economia forte e, assim, aumentar nossa independência do Governo Federal e das monumentais empresas globalistas. Uma vez que nossas comunidades locais tornam-se saudáveis, isto é, economicamente autossustentáveis, elas irão começar a exigir a liberdade política da intromissão de um Estado Grande, começando pela restauração do governo local, o qual é o genuinamente do povo, pelo povo e para o povo.   soros

O fato preocupante é que, ou nós somos parte da solução para o problema de um Estado Grande, ou somos parte do problema. A liberdade está em nossas próprias mãos, no conteúdo de nossos bolsos. Se aprendermos a mudar o mundo para melhor, com cada centavo que nós gastamos, e persuadir os outros a fazer o mesmo, estaremos ajudando a construir um mundo melhor para nós mesmos e para as nossas crianças. Se fracassarmos em refletir sobre o dinheiro que estamos gastando, teremos apenas a nós mesmos para culpar pelo tipo de mundo no qual nos encontramos.

[*] Joseph Pearce. “Finding Freedom in Your Pocket”. The Imaginative Conservative, 2 de Janeiro de 2016.

Tradução: Walkiria Melo

Revisão: Isabela Alencar

2 comentários

  • marco antonio Lopes

    A ideia é boa, mas primeiramente, o nosso problema está no controle cultural que esses agentes também tem, as pessoas são doutrinadas, inculcadas, ouvem sobre o assunto que a eles interessam diariamente, e assim, são aculturados no tema, logo, em que pese a lógica inteligente da proposta, os globalistas trabalharam a mudança de comportamento das pessoas, sem uma luta pela mente, em reeditar a nossa cultura em prol de uma visão local, de fato democrática, o estabelecimento de um governo central será inevitável.

  • Thiago Silva

    Excelente reflexão. Creio que a leitura suscita duas palavras de ação: BOICOTE e DESOBEDIÊNCIA. Exemplos de boicote: não compraremos nenhum carro 0km durante 1 mês, caso não baixem dramaticamente os preços. Exemplo de desobediência: o mesmo do boicote (no sentido de desobedecer o status quo).

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