Guia de sobrevivência para o autor de fantasia e ficção científica conservador, liberal clássico e libertário.

Por Brad R. Torgersen [*]

Olá madame ou senhor. Já que você chegou pela porta de serviço, ao invés do grandioso pórtico forrado por tapete vermelho e isolado por cordas de veludo, eu só posso presumir que você é conservador, liberal clássico ou libertário que busca entrada no grande e espaçoso edifício conhecido como Ficção Especulativa Profissional — a qual inclui ficção científica, fantasia, horror e alguns outros subgêneros. Não fique nervoso. Eu sei que você viu tudo o que está acontecendo (mesmo de longe) e você está se perguntando se devia sequer se incomodar de tentar entrar. Não parece um local fácil de se encaixar, parece? Eles o construíram assim desde a concepção. Você não deve ficar confortável aqui. Você deve se sentir como um dedão ferido.[1] Deslocado. Indesejado. E se você está fazendo isso porque acha que fará dinheiro rápido, ou porque quer algo menos estressante do que seu trabalho atual, eu sugiro que pegue seu casaco, seu chapéu, e busque uma profissão diferente.

Ainda aqui? Certo. Bom. Sei exatamente o porquê. Você não consegue desistir. A literatura especulativa fala com você. Talvez você tenha começado com Heinlein? Talvez com outra pessoa? Não importa. Você quer entrar, todavia, tem que fazer isso. Porque há histórias ficcionais que você acredita que precisam ser contadas, e você é quem deve contá-las. Estupendo. A literatura especulativa precisa desesperadamente de seus conservadores, liberais clássicos e libertários — não obstante as contestações dos especialistas. Esse é o campo do “E se?”, das visões perigosas e dos cutucões ao inefável. Ele não pode se chamar do que é sem sólidos conservadores, liberais clássicos e libertários mantendo altas suas respectivas bandeiras. Para manter o campo honesto e não deixar os safados se safarem.

Mas você precisa entender algumas coisas primeiro. Coisas que eu não entendia quando ousei sonhar em entrar, inicialmente. Em me tornar “profissional” e trilhar o caminho dos meus heróis.

Este é um campo que realmente, realmente não gosta de você, ou ao menos do referencial que ele geralmente tem em mente quando pensa em admiradores de Heinlein, Rand, Hayek, Friedman, Reagan, Limbaugh ou espectadores da FOX NEWS. Poxa, você sequer precisa ser nada disso. Só pense que talvez o socialismo não seja uma grande idéia. Gostou de escutar Paul Harvey no rádio do carro de seu pai? Você segue a página de Mike Rowe no Facebook? Veja que não precisa de muito para ser incomodado pelas pessoas dentro desse prédio grande e espaçoso. É por isso que você está na entrada de serviço, e não à porta da frente.

O tapete vermelho é para mentes semelhantes. O tapete vermelho é para pessoas que dizem ao setor o que o setor quer ouvir sobre si mesmo e sobre o mundo, em geral.

Você não vai agora, nem nunca, provavelmente, receber o tratamento do tapete vermelho.

Pelo menos se você escolher fazer de si mesmo um livro aberto, sobre quem é e sobre o que pensa.

Então vamos considerar seus caminhos possíveis. Alguns são permanentes, uma vez que você os tome. De outros você pode se desviar a tempo, com consequências. Antes que você entre, você precisa estar ciente da realidade que está encarando. Olhos bem abertos. Costas retas. Ombros alinhados. Nada a respeito da entrada é impossível, há somente escolhas que você terá que fazer e estar pronto a viver com elas; e se isso soa muito enervante, de novo, não há vergonha, — zero, de fato — em se virar e ir embora. Isso foi feito muitas vezes antes. Há 101 maneiras mais rápidas, melhores e menos excruciantes de fazer dinheiro, ou ganhar status, ou atingir uma audiência.

Mas já que você continua de pé aqui, esperando pacientemente, tenho que assumir que você é afligido pelo mesmo sonho que aflige muitos de nós. Sonho de jornadas a planetas e estrelas, de prosseguir ousadamente, de espadas desembainhadas contra os orcs de Mordor, porque alguém tem de ajudar Frodo a destruir O Um Anel. E puxa, Paul Atreides não pode montar naqueles Vermes da Areia sozinho! Além do que, o Imperador Palpatine está cacarejando em seu trono, e alguém realmente deve fazer alguma coisa a respeito dos Romulanos invadindo a Zona Neutra. Para que a Sonserina não ganhe o troféu de Quadribol e Lord Voldemort não reivindique o Mapa da Criação do Rei Arthur e seus Cavaleiros Jedi. Os Kzinti querem sua maldita máquina do tempo de volta antes que os Morlocks a levem a Foul’s Creche e ajudem Nehemias Scudder a criar um exértico de cyborgs T-8000 do tipo que nem mesmo o comandante Adama e seus Guerreiros Coloniais da battlestar Serenity podem esperar derrotar.

Tudo certo, estabelecemos que você é doido e quer mesmo fazer isso. Estas, meu amigo insano, são suas opções. Leia com cuidado. Tome seu tempo para decidir. Não há pressa. Quando estiver pronto, apenas tenha certeza. Como foi dito anteriormente, algumas dessas são permanentes.

Mas primeiro, um lembrete prático: Roma não foi construída num dia, e também não o serão sua escrita e sua habilidade de contar histórias. Se desejos fossem peixes, todos estaríamos mais ricos do que J.K. Rowling. Publicar está mais fácil do que nunca, mas o sucesso continua difícil. Talvez mais difícil? Porque há mais pessoas tentando publicar ficção especulativa [agora, em 2016] do que em qualquer outro período na história desta área. Muitas dessas pessoas são muito mais talentosas do que você. Algumas trabalharão mais duro. Se você não estiver disposto a conquistar respeito — com notas de rejeição, ou ensinando a si mesmo sua arte, ou passar pela moedura diária da contagem de palavras apesar de contratempos e do seu emprego regular — não importa quais são suas políticas. Porque você não terá nada a oferecer à audiência que seja digno de ser oferecido.

(ham-ham) Agora…

CAMINHO UM: SILÊNCIO

Este é o caminho mais seguro e mais consagrado que você pode seguir. Ele meramente requer que você nunca diga suas opiniões em público. Sem blogar. Sem editoriais no jornal local. Sem debater vocalmente com os colegas nas convenções. Apenas… cale a boca. Ah, você provavelmente pode empurrar sorrateiramente algumas de suas crenças em suas histórias, mas você deve ser furtivo. Você pode estar em algumas cédulas de premiações. Talvez até ganhar umas? Desviar desse caminho significa que você jamais pode voltar, pois as pessoas e a intarwebz[2] lembram pra sempre. Comece a abrir sua boca, a desgostar do último candidato Democrata à presidência (ou pior ainda, falhar em odiar propriamente o último candidato Republicano à presidência) e você jamais poderá ser um agente invisível novamente. Você terá aberto o seu jogo. Esteja ciente de que, nos anos vindouros, quando a bobagem estiver empilhada alta e massuda, você sentirá que precisa gritar. Você pode desabafar em privado para amigos confiáveis? Quando a cretinice da sabedoria convencional no prédio grande e espaçoso se torna demais? Mantenha um diário privado. Guarde seus pensamentos para um círculo fechado. Isso já foi feito muitas vezes antes; pode ser feito de novo. Essa é a forma de “conservador” que prédio grande e espaçoso poderia respeitar, ou ao menos aturar. Porque eles nunca precisam perceber que você existe.

CAMINHO DOIS: CAMALEÃO

Esse é o caminho do agente duplo. Algo similar ao caminho um, mas muito mais difícil e perigoso, porque você deve trabalhar ativamente para fazer o prédio grande e espaçoso pensar que você é um deles. Você tem que estar a par de todo o linguajar vigente e em todos os sinais corriqueiros do pseudo-esquerdismo. Vá às convenções e sorria e gargalhe enquanto eles zombam de idéias e pessoas que você reverencia. Esteja certo de ser visto enaltecendo qualquer autor e/ou livro imbuído de consciência social que esteja sendo enaltecido no ano. Também seja visto apoiando qualquer causa que Jon Stewart ache louvável. Graças ao milagre da World Wide Web, sua performance pode ser feita da segurança de sua casa ou escritório. Não é difícil fazer o prédio grande e espaçoso te adorar quando você soa, age, fala e chilreia[3] como todos os outros. Certifique-se de retuitar todas as pessoas “legais” você saberá quem elas são porque elas estarão cercadas por bajuladores que desesperadamente também querem ser “legais”, ou que desesperadamente querem ser notados por pessoas “legais”. Certifique-se de que todos saibam exatamente quão preocupado você é com questões de Justiça Social. Por isso mesmo, vá a algumas queimas de bruxas. Sempre há uma queima de bruxa (algum herege infeliz pego com as calças arriadas) acontecendo no meio da ficção especulativa contemporânea. O maior problema que você terá é: olhar para si mesmo no espelho toda manhã. O maquiavelismo (nas artes) é tão velho quanto as colinas, e duas vezes mais empoeirado. Ele pode repousar mais fácil no seu coração do que no coração de outros. Se você não consegue dormir com isso à noite, não siga por essa rota. Realmente não vale a pena.

CAMINHO TRÊS: FORA DO ARMÁRIO

Muitas pessoas que seguiram pelo Caminho Um ou pelo Caminho Dois eventualmente decidem que não agüentam mais. Elas vêem e ouvem muito. As besteiras ouvidas chegam a tal ponto que eles simplesmente não conseguem lidar com elas por mais tempo, ou enlouquecerão. Então eles escolhem sair do armário. Esse é um processo delicado e normalmente doloroso. Seus amigos mais próximos, às vezes seus profissionais mais queridos, da ficção especulativa arquejarão em choque e exclamarão “Oh meu Deus, como você pôde?” ou, provavelmente “Meu Deus, como pôde fazer isso comigo?” Todo esse tempo eles pensaram que você fosse um dos mocinhos. Ou ao menos, um dos caras invisíveis. Revelar quem você realmente é, no que você realmente acredita, virá com algumas repercussões. Rejeição. Montes e montes de rejeição. Mais raiva. E um discreto reajuste da sua “vivência” tal como é percebida no meio [profissional]. Se você estava sendo aclamado pela crítica antes, aquela torneira pode minguar ou secar. Se você estava em cédulas de premiações antes, ou muito perto de prêmios, isso também se tornará uma não-opção. Ah, você continuará vendendo. A menos que você tenha ido tão fundo no Caminho Dois que suas histórias e trabalhos fossem também maquiavélicos. Trair o prédio grande e espaçoso é contornável. Trair seus leitores? Não necessariamente. Arrume um pseudônimo. Tente virar Indie. Você pode terminar começando do início. Mas se você era um invisível bom e apropriado com algumas conexões construídas, nem todas elas irão desmoronar; o prédio não é administrado completamente por imbecis.

CAMINHO QUATRO: A OPOSIÇÃO LEAL

Este é o caminho da apologia. De sempre ter que se explicar ou dar desculpas pelo que você acredita, ou para seus amigos que acreditam igualmente. É quando você mantém seu temperamento sob controle, fica calmo, educado, e não importa quão rudes ou bombásticos eles são com você, você não permite que isso te afete. Você será conhecido desde o começo como uma daquelas pessoas. Por essa razão, você não será amado. Mas você pode ser apreciado. É o bastante para a indicação errante e ocasional de prêmio cruzar seu caminho. Vencer? Ha! Não, muito provavelmente, não. Mas tudo bem. Você está cumprindo seu papel como minoria permanente, não é pra você ganhar prêmios. É pra você ficar feliz com sua parte, ou ao menos se comportar como se estivesse satisfeito. Ocasionalmente eles jogarão ovos em sua casa e papel higiênico em sua árvore. Sempre esteja contente pelo fato de que eles te deixam ter um assento, mesmo que eles o considerem um inútil que é o equivalente autoral de bens de segunda classe. Ainda esperarão que você defenda o prédio grande e espaçoso contra as acusações de incompetência e malícia feitas pelas pessoas do Caminho Cinco. Isso demonstra sua boa fé ao prédio. Desse modo, você manterá sua credibilidade. Muitas pessoas no caminho três terminam, por fim, no Caminho Quatro. Mas nem sempre.

CAMINHO CINCO: JOHN WAYNE

Não dê desculpas. Entre como se você pertencesse ao lugar. Desafie-os a ser infelizes com você. Fale sua verdade em alto e bom som e com orgulho. As caças às bruxas serão constantes. Pegue uma caixa de gelo, um barril e faça um churrasco. Convide seus parceiros, é uma festa! Você ficará surpreso de quantas pessoas desejam secretamente fazer o mesmo. Você receberá cartas e comunicações dos agentes invisíveis e dos agentes duplos animando você. Eles sabem quão ruim a coisa está. Eles desejam que também pudessem não se importar. O prédio grande e espaçoso ficará estupefato com sua própria existência. Você é pior do que eles jamais haviam suspeitado que seu “lado” seria, porque você nunca se desculpa. Um pequeno punhado de verdadeiros esquerdistas lhe dirão, na verdade, que eles discordam inteiramente de você, mas que respeitam o fato de você não ter medo de expor sua visão e de fazer isso com estilo. Você nunca, jamais, ganhará prêmios. Não do prédio. Você pode ganhar reconhecimento de fora de além do gueto da ficção especulativa mas o prédio desejará abertamente que você não existisse. Você é imundície. Você é escória inumana. Você terá dificuldades em vender para certos editores e certas casas. Esteja pronto pra virar indie, se você já não tiver começado indie. Se você não tinha a casca grossa, desenvolva. E retribua. Retribua bastante. Você está cercado por gerbos. Seja um leão da montanha. Muitas pessoas no Caminho Três ignoram o Caminho Quatro e pulam direto ao Caminho Cinco. Como no Caminho Um, uma vez que você vá para o Cinco não haverá retorno jamais, não importa o quanto você possa querer.

Mas o que isso tem a ver com sobrevivência?

Olhe, a coisa é assim. O Mercado sempre ganha. Sua carreira pode estourar ou falir, e isso pode ter ou não ter algo a ver com o quê o prédio grande e espaçoso pensa de você. No mundo do Patreon, do Kindle da Amazon, do Kobo e do Smashwords, você sequer tem que se incomodar com o prédio, se não quiser. Sempre há um número crescente de exemplos bem-sucedidos o tempo inteiro. Porque o Mercado especulativo escapou dos limites da publicação tradicional. Suas duas melhores características para sobrevivência serão, portanto: produtividade e longevidade.

Direi novamente: suas duas melhores características de sobrevivência serão produtividade e longevidade.

Essas e não ter medo de ser seu próprio empresário.

As quais, talvez não coincidentemente, eram as mesmas características de sobrevivência necessárias para vencer antes da publicação Indie decolar no fim do século passado.

Agora, se você não consegue contar uma boa história, não estou certo de que nada possa ajudá-lo. Se você chegar bagunçando o coreto, descarregando o seu arsenal e procurando uma briga de bar com um dos Eloi mas não consegue se virar na escrita[4] o prédio grande e espaçoso ou ignorará você, ou rirá de você. Porque você estará representando exatamente o nível que eles esperam de qualquer conservador; especialmente um conservador do Caminho Cinco. Cão que ladra não morde, alguém pode dizer.

Então foque em aprender seu ofício, e ensine a si mesmo (através de duro aprendizado e esforço paciente) o que é preciso para criar histórias não apenas dignas do tempo do leitor, mas que absorvam de tal modo o leitor que ele, ou ela, fará todo esforço para voltar [pedindo por mais]. De novo e de novo. No seu próximo livro, próxima história, ou o que quer que você esteja tentando fazer. Uma Web Comic? Um Podcast? Algo mais? É um produto intelectual. Você consegue exercer seu ofício no nível de um chef profissional ou você está somente disparando bolinhos congelados na frigideira do McDonalds? Todos começamos na grelha. Sair da grelha até algo mais sofisticado requer tempo, esforço e (sim) talento. Fanfarrões sem talento também representam o nível que o prédio grande e espaçoso espera. O prédio insistirá que talento e conservadorismo são inversamente proporcionais. Esse é um boato que o prédio tem se contado por décadas.

Faça um favor a si mesmo: Não confunda atrevimento com habilidades.

É preciso de muito de ambos para ser consistente e ser um autor de ficção especulativa que vença nesse ramo.

A boa notícia é que você não está sozinho. A Cheka[5] pode ter forçado muitas pessoas ao ostracismo e ao silêncio, mas não todos. Existem vários mercados de ficção curta e pelo menos um grande mercado de novelas que não vão te afastar por não ser progressista. Na verdade, eles podem ver isso como um patrimônio. Suas portas não estarão todas fechadas. Apenas não existirão tantas delas. E (como observado acima) você realmente precisa estar pronto pra virar Indie ou se você já é Indie, prosseguir com todas as forças. Autores de Boutique não têm uma carreira proeminente. Autores de Boutique são uma fração monetária ínfima no prédio grande e espaçoso. Eles publicam com moderação e freqüentemente com grande louvor da crítica prêmios, prêmios mas eles não fazem muita grana. Você não é progressista, “negócios” não é uma palavra suja para você. Esforce-se nisso e se divirta ganhando dinheiro.

Novamente, produtividade e longevidade. Trabalhe como uma mula e não pare.

Basicamente, os mesmo dois princípios que trazem sucesso em praticamente todas as outras arenas da vida. Eu sei, eu sei, estávamos esperando uma espécie de atalho. Queríamos que essa carreira fosse completamente diferente de todos nossos outros empregos. Esperávamos que fosse só diversão indolor. Não é assim, meu amigo. Não é assim.

No meio tempo, localize aqueles oásis de sanidade que se apresentam. Você os encontrará, eventualmente. Às vezes é necessário um pequeno esforço. O prédio grande e espaçoso não tem idéia de quantos não progressistas se infiltraram. De fato, o prédio gosta de fingir que não progressistas não estão lá, pra começo de conversa ele é progressista de cima a baixo. Só que não. Conservadorismo, libertarianismo e liberalismo clássico sempre fizeram parte da estrutura do prédio. É que o barulho da banda pseudo-esquerdista Karl Marx Memorial (e cartazes do chão ao teto dos #JusSoc) acabaram cobrindo os retratos de algumas das âncoras do setor mais cosmopolita do ramo.

Então, localize seus portos seguros nas convenções, online, no mercado. Estabeleça vínculos. Freqüente-os. Seja gentil com seus companheiros viajantes. Seja engraçado. Seja generoso. Seja relaxado. Seja leal. E absolutamente tente ser legal com o punhado de esquerdistas de boa fé que não cagam em você por seu posicionamento. Esses relacionamentos serão os mais duros de criar e manter porque a atual política tribal performática exige que “eles” nunca sejam vistos se divertindo com nenhum de “nós” do lado “ruim”. Você também os irritará de tempos em tempos. Apenas porque esquerdistas são de Vênus, moderados são de Marte, e você é do planeta Krypton. Você pensará que apenas deu tapinhas nos ombros deles, brincando, mas eles sentirão como se você os tivesse jogado através da parede na outra sala com um soco. E eles também esperarão que você se sinta mal por isso.

Mas como ficarei famoso e farei um monte de dinheiro?

Espere, o quê? Okay, vamos retroceder. Eu disse que há maneiras muito melhores de enriquecer, ser aclamado ou ter uma audiência. Por exemplo, há caras no Youtube agora mesmo fazendo seis dígitos em cada vídeo por, basicamente, não fazer nada de relevante. Eles brincam durante quinze minutos por episódio, apenas sendo dois caras bobos, e estou certo de que minha filha que beira os treze anos acha Rhett e Link o Alpha e o Omega do entretenimento do século 21. Rhett e Link parecem ter um zilhão de fãs femininas (e alguns fãs masculinos) por todo o mundo com idades entre 10 e 25 anos. Você faria melhor, muuuuuito melhor, em tentar imitar Rhett e Link do que em tentar virar um autor de ficção especulativa cheio de dinheiro cujo nome é conhecido no mundo inteiro.

Mas se você é como eu como nós e não consegue tirar os olhos das estrelas, essa pode ser uma carreira pra você. Não uma carreira fácil. Não uma carreira livre de estupidez enervante de ambas as variedades, política e comercial. Mas uma carreira. E você não está sozinho. Compreende? O prédio grande e espaçoso quer que você pense que você está completamente deslocado de seu nicho, longe, bem longe de qualquer um e qualquer coisa civilizada. Mas seus espreitadores, aqueles que “entendem” você estão à mão. Como está o seu mercado. Você só tem que cavar um pouco, trabalhar um pouco e encontrar coisas do jeito difícil. Você não está sendo fresco, você está peneirando, como um gato-bravo minerador. Não é um trabalho para diletantes e indolentes. Você tem que querer isso. E querer tanto que você está disposto a aturar tudo que o prédio arremessará em você depois se lavar, trocar de roupa, pentear o cabelo, colocar Metal escandalosamente alto no seu MP3 e voltar ao trabalho.

[*] Brad R. Torgersen. “Survival Guide for the Conservative, Classically Liberal, & Libertarian Science Fiction & Fantasy Author”. The Mad Genius Club, 21 de Agosto de 2016.

Tradução: Yuri Mayal

Revisão: Rodrigo Carmo

[1] Sore Thumb, no original. Alguém que pode ser facilmente notado como desajustado no meio em que está.

[2] Termo tipicamente usado de forma jocosa ou sarcástica por usuários de internet mais experientes, especialmente como uma zombaria dos menos experientes quando é usado “teh intarwebz”.

[3] Falar mal, insultar ou menosprezar a capacidade (ou aptidão) de outras pessoas para realizar uma atividade. Refere-se também a conversas em redes sociais (Tweeter, Facebook, LinkedIn, etc.).

[4] Trecho original: …but you can’t write your way out of a paper bag…

[5] A Cheka foi a primeira polícia secreta soviética.

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