Frank Miller: Quadrinhos e Patriotismo

Por Calvin Reid [*]

HOLY TERROR - TERROR SAGRADO.inddNo aniversário do atentado ao World Trade Center em 2006, Frank Miller, o mito dos quadrinhos e diretor (juntamente com Robert Rodriguez) do sucesso cinematográfico Sin City, gravou um ensaio para um programa do canal NPR chamado de “What I Believe,” no qual ele reavalia sua relação com o patriotismo americano após os ataques de 11 de setembro. “O patriotismo, como creio agora, não é algo sentimentalista, um conceito ultrapassado,” disse Miller naquela época. “É auto-preservação.”

Depois de vários anos fazendo filmes, Miller está de volta em uma nova editora recém inaugurada, uma divisão do estúdio de cinema Legendary Pictures e uma nova graphic novel, Holy Terror, elaborada como uma resposta aos ataques de 11 de setembro. Um conto de super-herói advertindo a complacência americana em um mundo pós 11 de setembro, Holy Terror é a primeira graphic novel de Miller em quase 10 anos. E de muitas maneiras o ensaio de 2006 na NPR continua a iluminar tanto o pensamento quanto a paixão por trás da criação desta nova obra artística.

Sim, eu sinto que eu cresci como parte de uma geração perdida,” Miller, de 54 anos, diz durante uma entrevista na Comic-Con International em San Diego. “Em tempos de fúria,” diz ele em referência a 11 de setembro, “estávamos ouvindo histórias sobre Monica Lewinsky! Quando os ataques vieram, foi como se o véu fosse retirado e eu pude ver o mundo como o era. Eu levei meu país a sério.”

BATSMiller estava em San Diego para lançar Holy Terror, que originalmente lançava Batman contra a Al-Qaeda. Mas nos anos seguintes, a obra mudou; Miller largou Batman, a retirou da DC Comics, e recriou a obra em torno de um novo herói chamado Fixer. Miller disse ter passado a perceber que a política do nosso tempo clamava por um tipo diferente de herói: “Eu fui o cara que tornou o Batman sombrio e severo [em 1986 na aclamada graphic novel Dark Knight Returns],” diz ele, “mas em algum ponto, Batman e suas engenhocas não são páreo para esses caras. Você tem que ser um assassino para lutar contra assassinos e Batman não é um assassino.”

O resultado é um novo herói (juntamente com Natalie, uma ajudante do sexo feminino), que deve reagir a uma série de atentados suicidas em Empire City, “uma Nova York levemente disfarçada,” diz Miller. O Fixer é um aventureiro “que esteve procurando uma aventura a sua altura. Natalie é muito mais ambígua e se é possível em uma HQ uma pessoa muito mais normal,” diz ele. “Ela não entende o que está acontecendo e seu pequeno mundo está sendo invadido por algo muito maior.”

Isso mudou o foco do meu trabalho,” diz Miller, referindo-se ao 11 de setembro. Ele chama Holy Terror “de um lembrete de que o nosso país tem o hábito de seguir em frente, recolhendo-se em um lugar seguro e bom. É um lembrete de que há um inimigo ativo lá fora, absolutamente dedicado, bem equipado, e muito inteligente. Nós estamos lidando com uma ameaça existencial.”

Ilustrações vivídas em preto e branco, desenho muscular de Miller é tão poderosa, como negrito e cinética como qualquer coisa no gráfico de Sin City romances, ele continua a impressionar, apesar das demandas de também fazer filmes em Hollywood. Na verdade, Miller diz que ele divide seu tempo entre os quadrinhos e a produção de filmes e está prestes a começar a filmar o tão aguardado Sin City 2 – “está escrito, e Robert [Rodriguez] e eu estamos a discutir os últimos detalhes do script.” Ele trabalhou em Holy Terror entre os filmes. “Os últimos meses eu definir tudo de lado e apenas trabalhou neste,” diz ele, “porque eu estava cansado de falar sobre isso.”

Enquanto Miller diz ainda passar maior parte de seu tempo trabalhando em quadrinhos, ele considera fazer filmes “uma interrupção agradável. Desenhar é maravilhoso o sonho de minha vida mas é algo um pouco solitário. O que faço nos quadrinhos é muito pessoal, meus editores não vêem o trabalho até que esteja concluído. Estar em um grande escritório coordenando uma centena de pessoas por aí é muito divertido.” Mas ele diz que, como mídia, os quadrinhos ainda motivam seu trabalho. Ele está no meio de uma nova graphic novel, Xerxes, um prelúdio para 300, a graphic novel de 1998 (e sucesso cinematográfico) que reconta a história dos espartanos na batalha de Termópilas. E ele continua apaixonado pela crescente importância dessas obras no mercado tradicional dos quadrinhos.

O maior feito do Eisner Awards e do ramo de quadrinhos é a graphic novel,” diz ele, “se feito primeiro como panfletos ou não. Uma obra concluída que seja uma leitura prazerosa é a maior ambição do artista de quadrinhos.”

[*] Calvin Reid. “Frank Miller: Comics and Patriotism”. Publishers Weekly, 2 de Setembro de 2011.

Tradução: Rodrigo Carmo

Revisão: Israel Pestana

1 comentário

  • Matheus Lago

    É tão bom a ter acesso a esses materiais e descobrir quais figuras realmente importam no entretenimento americano.
    Obrigado Tradutores!!

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