Eu, o Lápis (Edição de 50 anos)

Eu, o Lápis

Por Leonard Read

(Edição de 50 anos)

 

Introdução

Por Lawrence W. Reed

 

ordem espontanea2Eloquente. Extraordinário. Atemporal. Mudança de Paradigma. Clássico. Meio século após sua primeira publicação, “Eu, o Lápis” de Leonard Read, ainda provoca tais adjetivos de louvor. Merecidamente, pois este pequeno ensaio abre os olhos e mentes de pessoas de todas as idades. Muitos que o leram pela primeira vez nunca mais viram o mundo do mesmo modo novamente.

Ideias são mais poderosas quando envolvidas numa história atrativa. O ponto central de Leonard – a economia dificilmente pode ser “planejada” quando nenhuma alma possui todos os conhecimentos e habilidades para produzir um simples lápis – revela-se nas palavras encantadoras do próprio lápis. Leonard poderia ter escrito “Eu, o Carro” ou “Eu, o Avião”, mas escolher estes itens mais complexos teria abafado a mensagem. Nenhuma pessoa – repito, nenhuma pessoa – não importa quão inteligente ou quantos títulos acadêmicos sigam-se a seu nome, poderia produzir, partindo do zero, um pequeno e cotidiano lápis. Muito menos um carro ou um avião.

Esta é uma mensagem que humilha os grandes e poderosos. Ela alfineta os egos inflados daqueles que pensam saber como cuidar dos negócios de todos. Ela explica em linguagem clara porquê o planejamento central é um exercício de arrogância e futilidade, ou, o que o Economista Austríaco, premiado com o Nobel, F. A.  Hayek adequadamente chamou de “a pretensão do conhecimento”.

De fato, a maior influência no pensamento de Read a este respeito foi o famoso artigo de Hayek, publicado em 1945, “O Uso do Conhecimento na Sociedade”. Demolindo as afirmações espúrias dos socialistas de então (e de agora), Hayek escreveu:

“Não se trata de discutir a respeito de se o planejamento deve ou não ser realizado. É uma discussão de se o planejamento deve ser realizado de maneira centralizada, por uma autoridade, para o sistema econômico inteiro, ou se deve ser divido entre muitos indivíduos”.

É dito que Maximilien Robespierre teria justificado o horror da Revolução Francesa com esta declaração assustadora: “On ne saurait pass faire une omelette sans casser des oeufs”. Traduzindo: “Ninguém pode fazer uma omelete sem quebrar os ovos”. Um rematado estatista, que trabalhou incansavelmente para planejar as vidas de outros, ele se tornaria o arquiteto da fase mais sangrenta da Revolução – o Reino do Terror de 1793-94. Robespierre e sua guilhotina quebraram ovos aos milhares num esforço vão para impor uma sociedade utópica com planejadores governamentais no topo e toda a população embaixo.ordem espontanea eng social

A experiência Francesa não é senão um exemplo de um padrão familiar perturbador. Chame-os do que você quiser – socialistas, intervencionistas, coletivistas, estatistas – a história está repleta destes planejadores presunçosos reformulando a sociedade para que esta se encaixe à sua visão de bem comum, planejamentos que sempre falham, enquanto  matam ou empobrecem outras pessoas no processo. Se o socialismo alguma vez merecer um epitáfio, será este: Aqui jaz um aparelho planejado por um sabe tudo que quebrou ovos sem moderação sem nunca, nunca!, produzir uma omelete.

Nenhum dos Robespierres do mundo sabia como fazer um lápis, contudo eles desejaram reconstruir sociedades inteiras. Quão completamente absurdo, e pesarosamente trágico!

Mas perderemos uma ampla implicação da mensagem de Leonard Read se assumirmos isto como propósito apenas dos tiranos cujos nomes conhecemos. A lição de “Eu, o Lápis” é que os erros não começam quando os planejadores pensam grande. O erro começa no momento em que alguém lança a humildade de lado, assume conhecer o incognoscível, e emprega a força do Estado contra indivíduos pacíficos. Isto não é uma doença nacional. Ela pode, de fato, ser bastante local.

Em nosso meio estão pessoas que pensam que, se elas tivessem o poder do governo ao seu lado, poderiam escolher os vencedores e perdedores de amanhã no mercado, fixar preços e rendas onde eles deveriam estar, decidir quais formas de energia deveriam alimentar nossas residências e carros, e escolher quais indústrias deveriam sobreviver e quais deveriam extinguir-se. Eles deveriam parar por uns poucos momentos e aprender um pouco da humildade de um modesto implemento de escrita.

Enquanto “Eu, o Lápis” destrói as expectativas infundadas dos planejadores centrais, ele fornece uma perspectiva individual supremamente edificante. Guiadas pela “mão invisível” de Adam Smith, por preços, propriedade, lucros e incentivos, pessoas livres realizam milagres econômicos com os quais os teóricos socialistas podem apenas sonhar. Da mesma forma que interesses de incontáveis indivíduos ao redor do mundo convergem para produzir lápis sem uma única “mente controladora”, eles também interagem no livre mercado para alimentar, vestir, abrigar, educar e entreter centenas de milhões de pessoas em níveis cada vez mais altos.

Com grande orgulho, a FEE publica esta nova edição de “Eu, o Lápis” para assinalar o 50o aniversário do ensaio. Algum dia haverá uma edição centenária, talvez mesmo uma milenar. Este ensaio é, verdadeiramente, para a eternidade.

Lawrence W. Reed, Presidente

Foundation for Economic Education

 

 

Eu, o Lápis

Por Leonard E. Read

ordem espontanea lapis2Eu sou um lápis de grafite, o lápis comum de madeira familiar a todos os garotos, garotas e adultos que podem ler e escrever.

Escrever é minha vocação e meu hobby, é tudo o que faço.

Você pode perguntar-se porque eu deveria escrever minha genealogia. Bem, para começar, minha história é interessante. E, em seguida, eu sou um mistério – mais até que uma árvore ou um pôr do sol, ou mesmo que o clarão de um relâmpago. Mas, lamentavelmente, eu sou tido como algo garantido por aqueles que me utilizam, como se eu fosse um mero incidente sem antecedentes. Esta atitude arrogante me relega ao nível da banalidade. Esta é uma espécie de erro grave no qual a humanidade não pode persistir sem perigo. Pois, como o sábio G. K. Chesterton observou, “Decaímos por falta de maravilhamento, não por falta de maravilhas”.

Eu, o Lápis, sólido simples como pareço ser, mereço sua admiração e reverência, uma afirmação que tentarei provar. Na verdade, se você puder entender-me – não, isto é pedir demais a qualquer um – se você puder tornar-se consciente do milagre que simbolizo, você pode ajudar a salvar a liberdade que a humanidade está, infelizmente, perdendo. Tenho uma lição profunda a ensinar. E posso ensinar esta lição melhor que um automóvel, ou um avião, ou uma lava-louças porque, bem, porque sou aparentemente muito simples.

Simples? Contudo, nenhuma pessoa na face da terra sabe como me fabricar, isto soa fantástico, não? Especialmente quando se percebe que há cerca de um e meio bilhão de minha espécie produzidos a cada ano nos EUA.

Pegue-me e observe-me. O que você vê? Não há muito o que observar: alguma madeira, verniz, uma marca impressa, uma ponta de grafite, um pouco de metal e uma borracha.

Inumeráveis Antecedentes

Da mesma forma que você não pode rastrear sua árvore genealógica ao extremo, é impossível que eu nomeie e explique todos os meus antecedentes. Mas eu gostaria de indicar um número suficiente deles, para sensibilizá-lo para riqueza e complexidade de meus antecedentes.ordem espontanea1

Minha árvore genealógica começa com o que de fato é uma árvore, um cedro de fibras finas que cresce no Norte da Califórnia e no Oregon. Agora, considere todas as serras, caminhões, cordas e outros incontáveis equipamentos utilizados na extração e transporte dos troncos de cedro até as margens da ferrovia. Pense em todas as pessoas e nas inúmeras habilidades que se combinaram na criação destes utensílios: a extração do minério, a produção do aço, seu refino, e a transformação em motosserras, machados, motores; o cultivo das fibras e o processo de produção através de todos os estágios para obtenção de cordas fortes e resistentes, os acampamentos de extração com todas as suas camas e refeitórios, a cozinha e a preparação de toda a comida. Pois, incontáveis milhares de pessoas têm uma mão em cada xícara de café que os lenhadores bebem!

As toras são levadas para uma fábrica em San Leandro, Califórnia. Você é capaz de imaginar os indivíduos que construíram os vagões, trilhos, locomotivas e os que construíram e instalaram os sistemas de comunicação suplementar? Estas legiões estão entre meus ancestrais.

Imagine a fábrica em San Leandro. As toras de cedro são cortadas em pequenas ripas do comprimento de um lápis, com menos de 0,6 cm de espessura. Estas são curadas num forno e então tingidas, pela mesma razão que as mulheres passam ruge nas faces. As pessoas preferem que eu seja bonito, não um pálido pedaço de madeira. As ripas são enceradas e curadas no forno novamente. Quantas habilidades foram necessárias à fabricação da tinta, e do forno para fornecimento de calor, a iluminação e energia, as correias, motores e todas as outras coisas que uma fábrica requer? Os varredores da fábrica estão entre meus ancestrais? Sim, e estão incluídos os homens que despejaram o concreto para a usina hidrelétrica da Pacific Gas & Eletric Company que fornece energia para a fábrica!

ordem espontanea3Não negligencie os ancestrais mais atuais e mais distantes que estiveram envolvidos no transporte de sessenta cargas de toras através da nação.

Uma vez na fábrica de lápis, quatro bilhões de dólares em maquinário e construções, (tudo capital acumulado pela frugalidade e economias de meus progenitores), cada ripa recebe oito entalhes numa máquina complexa, depois disso uma outra máquina deposita grafite em cada ripa, aplica cola e coloca uma outra ripa em cima, um sanduíche de grafite e madeira, por assim dizer. Sete irmãos e eu somos esculpidos mecanicamente a partir deste sanduíche de madeira.

Minha ponta, em si mesma, é complexa. A grafite é minerada no Ceilão (Sri Lanka). Imagine todos aqueles mineiros e aqueles que construíram suas diversas ferramentas, e os produtores dos sacos de papel nos quais a grafite é expedida, e aqueles que fabricam o barbante que amarra os sacos, e aqueles que os embarcam nos navios, e aqueles que constroem navios. Mesmo o zelador do farol colaborou para meu nascimento, e os rebocadores no ancoradouro também.

A grafite é misturada com argila do Mississipi, utilizando hidróxido de amônia no processo de refino. Então, agentes umedecedores são adicionados tais como sebo sulfonado – gordura animal quimicamente tratada com ácido sulfúrico. Depois de passar através de numerosas máquinas, a mistura finalmente surge como uma extrusão interminável – como num moedor para salsicha – cortada no tamanho, secada e assada por diversas horas a 1.850oF. Para melhorar sua resistência e suavidade, as pontas são então tratadas com uma mistura quente que inclui cera de candelilla  do México, parafina, e gordura natural hidrogenada.

Meu cedro recebe seis camadas de verniz. Você conhece todos os ingredientes do verniz? Quem pensaria que os cultivadores de sementes de mamona e as refinarias de óleo de mamona (rícino) são parte dele? Mas são. Porque, mesmo os processos pelos quais o verniz é fabricado como uma bela cor amarela envolve as habilidades de mais pessoas que alguém possa enumerar!

Observe a marca, é uma película feita pela aplicação de calor ao carbono negro misturado com resinas. Como se produz resinas e o que, raios!, é carbono negro?ordem espontanea lapis

Meu pedaço de metal – o anel – é de latão. Pense em todas as pessoas que mineram o zinco e o cobre, e aqueles que possuem as habilidades para produzir brilhantes lâminas de latão a partir destes produtos da natureza. Aquelas linhas negras em meu anel são de níquel negro. O que é níquel negro, e como ele é aplicado? A história completa do porquê do centro de meu anel não possuir níquel negro consumiria páginas para ser explicada.

Então, há a minha gloriosa coroa. Deselegantemente referem-se a ela no mercado como “o pino”, a parte que o homem usa para apagar os erros que comete ao usar-me. Um ingrediente chamado “factice” é o que apaga. É um produto semelhante à borracha, produzido pela reação de óleo do grão da colza da Indonésia com cloreto de enxofre. A borracha, ao contrário da noção comum, serve apenas para aglutinar. Entram ainda numerosos agentes vulcanizadores e aceleradores. A pedra-pomes vem da Itália, e o pigmento que dá cor “ao pino” é o sulfeto de cádmio.

Ninguém Sabe

ordem espontaneaAlguém deseja desafiar minha afirmação anterior de que nenhuma pessoa na face da terra saberia como me fazer?

Na verdade, milhões de seres humanos têm participação na minha criação, ainda assim nenhum dos quais detém mais que uma pequena fração dos conhecimentos e habilidades necessários à minha fabricação. Agora, você pode dizer que estou indo longe demais ao relacionar os plantadores de café distantes no Brasil e agricultores em outro lugar à minha criação, que isto é uma posição extremada. Devo permanecer em minha afirmação. Não há uma única pessoa em todos estes milhões de indivíduos, incluindo o presidente da empresa fabricante de lápis, que contribua com mais do que um minúsculo pedaço infinitesimal de conhecimento. Da perspectiva do conhecimento a única diferença entre o minerador da grafite no Ceilão e o lenhador no Oregon é o tipo de conhecimento. Nem o mineiro, nem o lenhador, pode ser dispensado, não menos que o químico na fábrica ou o trabalhador na extração de petróleo, sendo a parafina um subproduto do petróleo.

Aqui temos um fato surpreendente: nem o trabalhador da exploração de petróleo, nem o químico, nem o minerador da grafite ou argila, nem os que constroem ou trabalham em navios, trens ou caminhões, nem os que operam a máquina que produz a saliência em meu anel de metal, nem o presidente da companhia, realizam suas tarefas por me desejarem. Cada um me deseja menos, talvez, que uma criança na primeira série. De fato, há alguns entre esta vasta multidão que nunca viram um lápis, nem saberiam como utilizar um. A motivação deles é outra, e não sou eu. Cada um destes milhões vê que pode desta maneira trocar seu pequeno conhecimento pelos bens e serviços que precisa ou deseja. Posso estar ou não entre estes itens.

Nenhuma Mente Controladora

Há um fato ainda mais espantoso: a ausência de uma mente controladora, de alguém ditando ou dirigindo à força estas incontáveis ações que me trazem à existência. Nenhum traço de tal pessoa pode ser encontrado. Ao invés disto, encontramos a “Mão Invisível” trabalhando. Este é o mistério a que me referi anteriormente.ordem espontanea mao invisivel

Tem sido dito que “apenas Deus pode fazer uma árvore”. Por que concordamos com isto? Não é porque percebemos que nós próprios não podemos fazê-la? De fato, podemos descrever uma árvore? Não podemos, exceto em termos superficiais. Podemos dizer, por exemplo, que certas configurações moleculares manifestam-se como árvore. Mas há alguma mente entre os homens que possa mesmo registrar, quanto menos dirigir, as constantes alterações moleculares que acontecem no período de vida de uma árvore? Tal façanha é absolutamente impensável!

Eu, o Lápis, sou uma combinação complexa de milagres: árvore, zinco, cobre, grafite e assim por diante. Mas a estes milagres que se manifestam na Natureza um milagre ainda mais extraordinário é adicionado: a configuração das energias criativas humanas, milhões de pequenos conhecimentos, natural e espontaneamente, configurando-se em resposta às necessidades e desejos humanos, e na ausência de qualquer planejador humano! Visto que apenas Deus pode fazer uma árvore, eu insisto que apenas Deus pode me fazer. O homem não pode dirigir estes milhões de conhecimentos para trazer-me à existência, assim como não pode juntar moléculas para criar uma árvore.

O exposto acima é o que quero dizer quando escrevo: “Se você puder tornar-se consciente do milagre que represento, você pode ajudar a salvar a liberdade que a espécie humana está infelizmente perdendo”. Pois, se alguém estiver consciente de que estes conhecimentos se arranjarão naturalmente, sim!, automaticamente, em padrões criativos e produtivos em resposta às necessidades e demandas humanas, isto é, na ausência de qualquer planejador governamental ou qualquer outro poder coercivo, então, este alguém possuirá um ingrediente absolutamente essencial à liberdade: a fé nas pessoas livres. A liberdade é impossível sem esta fé.

Uma vez que o governo tenha o monopólio de uma atividade criativa, por exemplo, tal como a entrega de correspondência, a maioria dos indivíduos acreditará que correspondências não poderiam ser entregues eficientemente por homens agindo livremente. E aqui está a razão: cada um reconhece que ele próprio não sabe como fazer todas as coisas que incidem em entregar correspondência. Ele também reconhece que nenhum outro indivíduo poderia fazê-lo. Estas premissas estão corretas. Nenhum indivíduo possui conhecimento suficiente para realizar a entrega de correspondência da nação, como nenhum indivíduo possui conhecimento suficiente para produzir um lápis. Agora, na ausência de fé nas pessoas livres, na ignorância de que milhões de pequenos conhecimentos criariam e cooperariam naturalmente e milagrosamente para satisfazer esta necessidade, o indivíduo não pode ajudar mas chega à conclusão errada de que a correspondência só pode ser entregue pelo “planejador” governamental.

Testemunhos em Abundância

Se Eu, o Lápis fosse o único item que pudesse oferecer testemunho do que homens e mulheres podem realizar quando têm liberdade para tentar, então aqueles com pouca fé teriam uma defesa razoável. Entretanto, há abundância de testemunho, estão ao nosso redor e ao alcance da mão. Entrega de correspondência é excessivamente simples quando comparado, por exemplo, à construção de um automóvel, ou uma colheitadeira, ou uma máquina de moagem ou dezenas de milhares de outras coisas. Entrega? Onde os homens foram deixados livres para tentar, eles entregam a voz humana ao redor do mundo em menos de um segundo; entregam visualmente um evento em movimento na casa de qualquer pessoa ao vivo; entregam 150 passageiros de Seattle a Baltimore em menos de quatro horas; entregam gás do Texas para um fogão de cozinha ou para a fornalha de alguém em Nova York a preços inacreditavelmente baixos e sem subsídios; entregam 1,8 Kg de óleo do Golfo Pérsico em nossa Costa Leste, meia volta ao mundo, por menos dinheiro que o governo cobra para entregar uma única carta do outro lado da rua!

A lição que tenho é esta: Deixe livre as energias criativas. Simplesmente organize a sociedade para agir em harmonia com esta lição. Deixe o aparato legal da sociedade remover todos os obstáculos o melhor que eles possam. Permita que estes conhecimentos criativos fluam livremente. Tenha fé em que homens e mulheres livres responderão à Mão Invisível. Esta fé será confirmada. Eu, o Lápis, aparentemente simples como sou, ofereço o milagre da minha criação como testemunho de que esta é uma fé efetiva, tão efetiva quanto o sol, a chuva, uma árvore de cedro, a boa terra.

Posfácio

por Milton Friedman

Prêmio Nobel de Economia, 1976

A deliciosa história ordem espontanea friedmande Leonard Read, Eu, o Lápis, tornou-se um clássico, e merecidamente. Não conheço nenhuma outra peça de literatura que ilustre tão sucintamente, persuasivamente e efetivamente o significado da mão invisível de Adam Smith – a possibilidade de cooperação sem coerção – e a ênfase de Friedrich Hayek na importância do conhecimento disperso, e o papel do sistema de preços na comunicação da informação que “fará com que indivíduos produzam coisas desejáveis sem que ninguém tenha que dizer a eles o que fazer”.

Utilizamos a história de Leonard em nosso programa na televisão, “Free to Choose” (Livre para Escolher), e no livro de mesmo título para ilustrar “o poder do mercado” (título tanto do primeiro segmento do show de TV quanto do primeiro capítulo do livro). Resumimos a história e avançamos para dizer: “Nenhuma das milhares de pessoas envolvidas na produção de um lápis desempenhou sua tarefa porque queria um lápis. Alguns entre eles nunca viram um lápis e não saberiam para que ele serve. Cada um viu seu trabalho como um meio de obter bens e serviços que desejavam – bens e serviços  que produzimos a fim de adquirir o lápis que desejamos. Cada vez que vamos à loja e compramos um lápis, estamos trocando uma pequena parte de nossos serviços por uma quantidade infinitesimal dos serviços com que cada um destes milhares contribuiu para produzir um lápis”.

“É ainda mais surpreendente que o lápis tenha sido produzido. Ninguém sentado num escritório central deu ordens a estes milhares de pessoas. Nenhuma polícia militar fez cumprir ordens, elas não foram dadas. Estas pessoas vivem em muitos países, falam diferentes línguas, praticam religiões diferentes, podem mesmo odiar-se umas as outras – contudo, nenhuma destas diferenças impediu-os de cooperar para produzir um lápis. Como isto acontece? Adam Smith deu-nos a resposta dois séculos atrás”.

“Eu, o Lápis” é uma produção típica de Leonard Read: imaginativo, simples e sutil, respirando o amor à liberdade que perpassou tudo o que Leonard escreveu ou fez. Como no restante do trabalho, ele não estava tentando dizer às pessoas o que fazer ou como conduzirem a si mesmas. Ele estava simplesmente tentando aumentar o entendimento delas próprias e do sistema em que elas vivem.

Este foi seu credo básico e um a que ele aderiu consistentemente durante seu longo período de serviços ao público – não serviço público no sentido de serviço governamental. Qualquer que fosse a pressão, ele aderiu a suas armas, recusando-se a comprometer seus princípios. Por isso ele foi tão efetivo em manter viva naqueles primórdios e então ao disseminar a ideia básica de que a liberdade humana requer propriedade privada, livre competição e governos severamente limitados.

 

Traduzido por Flávio Ghetti

 

 

 

 

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