Estamos fazendo as perguntas erradas

Por James Poulos [*]

Nota do editor: Este trecho é parte de um simpósio onde diversos escritores e pensadores refletem sobre a relação entre conservadorismo e a cultura pop.

Em algum momento, mesmo que em um passado distante como o da era Reagan, os Republicanos eram o centro da cultura pop. Hoje em dia, a cultura popular celebra coisas como atrizes pornô e maconha, e são os Democratas que as promovem. Não existem fotos na Internet de presidentes Republicanos fumando maconha ou posando ao lado de atrizes pornô. A amplitude da dominação esquerdista abriu o terreno para o uso da cultura como veículo de implantação de projetos da esquerda. Então não é de surpreender que alguns conservadores se sintam compelidos a restaurar o conservadorismo na cultura pop antes que seja tarde demais.

E eles irão perserverar ao perceber que basta contribuir para a cultura pop sem se preocupar se suas contribuições são, de fato, adequadamente ou verdadeiramente conservadoras. Pois essa preocupação é o passaporte para uma frustração sem fim. É muitas vezes difícil dizer exatamente qual conteúdo ideológico está de fato incorporado em canções, arte ou filmes. “Gunpowder and Lead”, é uma música conservadora? E uma pintura de Thomas Kinkade? E o filme Juno? Ou não seriam essas, as perguntas adequadas?

Considere os produtos da cultura pop que normalmente são associados à esquerda. Wes Anderson talvez seja a personificação do hipster de esquerda, mas seria uma perda de tempo tentar distinguir algum tipo de ideologia em O Fantástico Sr. Raposo. O seu novo filme Moonrise Kingdom surge com enredo e retórica que poderiam facilmente ser tachadas de “conservadoras” – um casal apaixonado que tenta a todo custo preservar o seu idílio protegendo-se mutuamente contra as investidas do mundo exterior. Esquerdistas podem e fazem contribuições à cultura pop que não são exatamente de esquerda. Eles apenas aparentam essa forma pela maneira como se situam e como são interpretados.

Crescer despreocupado em relação ao teste de fogo que é a cultura pop não será nada fácil para os conservadores. Eles são resistentes em permitir que produtos pop simplesmente sejam o que são porque lá no fundo, eles temem que a esquerda não só esteja interessada em politizar tudo, como também é capaz de o fazer.

Essa falta de confiança é parte de uma dificuldade maior: o conservadorismo é uma forma de ser que resiste à qualquer definição formal. O conservadorismo pode misturar conteúdo cultural, político e religioso, deixando os conservadores em luta sobre que tipo de conteúdo, e quanto, torna um produto conservador. A esquerda raramente parece ter esse tipo problema. Os conservadores podem buscar ajuda nas tradições Cristãs. Por um lado, para um Cristão, imbuir o seu trabalho com o cristianismo é muito mais importante e factível do que imbuir esse mesmo trabalho com algo que possa ser carimbado com qualquer rótulo ideológico. Mas, por outro lado, geralmente mostra-se suficiente deixar que essa atividade mostre sua real face, seja ela a coleta de lixo, a construção de casas ou um jogo de futebol.

De fato, a cultura pop parece diferente; é, em tese, tão criativa que requer uma infusão de um sistema de crenças, princípios e perspectivas que os trabalhos não-criativos não precisam. Se é assim, a resposta está em como essa infusão é feita. Conservadores poderiam relaxar se eles se concentrassem em ser quem de fato são, para a partir daí contribuir com a cultura pop, independentemente dos produtos que venham a criar. A autenticidade dessa abordagem ajuda a revelar que as buscas “criativas” são, em última instância, mais semelhantes do que diferentes das “não-criativas”. Uma crença equivocada que existe em torno da cultura pop é que a arte, atuação e coisas do gênero tem que ser as coisas mais criativas que fazemos, o ápice da criatividade. Particularmente, essa não é uma noção de esquerda, mas é hostil à autoridade cultural. Esse é um grande motivo pelo qual conservadores se sentem tão desajustados em meio a cultura pop. Mas a exigência de criatividade radical imposta pela cultura pop se mostra tão inexorável quanto a demanda pelos produtos autenticamente conservadores exigidos dos seus criadores no campo conservador. Deixemos isso de lado, e o medo de que a cultura pop possa ser presa fácil de uma ideologia desaparecerá.

[*] James Poulos. “We’re Asking the Wrong Question”. Acculturated, 01 de Junho de 2012.

Tradução: Nicolas Nogueira

Revisão: Rodrigo Carmo

2 comentários

  • “Hoje em dia, a cultura popular celebra coisas como atrizes pornô e maconha, e são os Democratas que as promovem.”
    Repararam que, em 99% dos filmes do Seth Rogen, ele usa alguma substância ilícita? Maconha é a mais levezinha.
    Quem financia esse cara?

  • IVAN

    A arte tem o poder indireto de influenciar mentes! Precisamos contribuir com a cultura pop…

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