Drogas prescritas matam mais do que armas de fogo nos EUA

Segundo os números do DEA (Drug Enforcement Administration, o departamento anti-narcóticos americano) o número de mortes pelo consumo de drogas prescritas é superior ao de mortes por armas de fogo nos EUA.

Por Ryan McMaken:

Chuck Rosenberg, Chefe do DEA, anunciou o resultado do Levantamento Nacional Sobre Drogas de 2015 (2015 National Drug Threat Assessment), do qual constatou-se que overdose é a maior causa de mortes violentas nos Estados Unidos a frente de mortes envolvendo veículos automotivos e armas de fogo. Em 2013, mais de 46.000 pessoas nos Estados Unidos morreram por overdose de drogas, e mais da metade delas causada por analgésicos prescritos e heroína.

Estes são os números de 2013 de acordo com o Centro de Controle de Doenças (Centers for Disease Control, em inglês), então vamos compará-los com as outras causas de morte nos Estados Unidos.

Overdose de drogas, com a taxa de morte em 13,9 por 100.000 habitantes, é uma causa de morte quase quatro vezes maior do que homicídios com armas de fogo (3,6 por 100.000). O índice de morte por drogas prescritas (7,2 por 100.000) é o dobro da taxa de homicídios com armas de fogo.

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Esses são os números absolutos. Se você preferir a informação no formato mais comum, número de casos por 100.000 habitantes, aqui vão eles:

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Obviamente, homicídios não são exatamente a maior causa de morte nos EUA, muito menos homicídios com armas de fogo. Os índices de acidentes com armas de fogo (0,2 por 100.000) são ínfimos.

Para todos aqueles pais preocupados que seus pequerruxos sejam alvejados por aí, seria melhor avisá-los do perigo dos analgésicos prescritos, já que os garotos correm um risco muito maior de morrer pelo uso recorrente dessas pílulas do que por qualquer arma em sua casa ou nas mãos de algum colega de aula.

E, claro, uma pessoa também tem três vezes mais chance de morrer num acidente automotivo (taxa de morte de 10,7 por 100.000) do que por homicídio.

Ademais, nenhuma das causas mencionadas aqui está sequer entre as 10 maiores causas de morte nos EUA (em inglês). Você tem muito, muito mais chance de suicidar-se ou morrer por “gripe e pneumonia” do que qualquer coisa listada acima.

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Muitas pessoas não temem tanto as doenças cardíacas como temem violência com armas de fogo porque elas sentem que têm algum controle sobre isso, e geralmente consideram que o risco de morte súbita por ataque cardíaco é muito menor do que realmente o é. Simultaneamente, eles superestimam suas chances de morrerem por homicídio ou acidente com armas.

À contramão, alguém poderia levantar o argumento de que homicídios são diferentes dessas outras causas de mortes porque eles são intencionais, e afetam a outros indivíduos. Isso faz algum sentido, mas não funciona para “direção alcolizada”, que afeta outros indivíduos também. O fato de as mortes por direção alcolizada ocorrerem devido a neglicência ao invés de maldade (geralmente) não serve de consolo para as vítimas e suas famílias.

Como observou recentemente este artigo do Mises Daily (em inglês), o álcool manifesta uma ameaça a saúde pública muito maior que armas de fogo, e o número de mortes por direção alcolizada (10.076) é similar ao de mortes por homicídios (11.208). Porém, a reação a “direção alcolizada” é nada se comparada à reação a violência com armas de fogo. Nos é dito que a devida reação a “direção alcolizada” é combater os motoristas notavelmente imprudentes. Aqueles que têm um histórico de abusos são impedidos de envolver-se em subseqüentes comportamentos de risco. Qualquer outra pessoa é livre para comprar enormes volumes de álcool, até que se prove culpado de algum crime relacionado ao álcool.

A reação aos homicídios com armas de fogo, entretanto, é restringir à todos o acesso as armas, mesmo gente sem qualquer maus antecedentes.

Se os legisladores reagissem a “direção alcolizada” como reagem a homicídios com armas de fogo, teríamos que impor proibições em nível nacional sobre carros velozes e motores que podem exceder os limites de velocidades. Ouviríamos demanda por leis que diminuíssem a quantidade de automóveis vendidos todos os anos. Algumas pessoas diriam: “Mais carros é igual a mais fatalidades!”, “Já estamos inundados de carros!”. (Apesar de que já estamos ouvindo isso dos ambientalistas.)

Mas o fato que interessa é que as armas de fogo não são a causa maior de mortes nos EUA, e nos aproximamos, ainda que com cautela, de coisas que têm maiores chances de matar a nós ou as nossas crianças – como drogas prescritas e álcool.

Claro, pode não ser apenas coincidência que a indústria farmacêutica aparente ser mais rica e mais influente que o lobby de armas.

Tradução: Henrique Abdallah
Revisão: Hugo Silver

Fonte: DEA Releases New Drug Overdose Death Figures: Guns Safer than Prescription Drugs.

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