Diferenças entre Esquerda e a Direita: Parte 2

Por Dennis Prager [*]

Progressistas Tentam Reformar a Sociedade, os Conservadores se Esforçam para Melhorar a Si Mesmos

A diferença entre a direita e a esquerda abordada neste artigo diz respeito ao método fundamentalmente diferente que cada uma delas utiliza para melhorar a sociedade.

Os conservadores acreditam que o caminho para um mundo melhor parte quase sempre do desenvolvimento moral dos indivíduos, com cada pessoa lutando contra suas próprias falhas morais. É verdade que em sociedades particularmente violentas e más, como as tiranias fascistas, comunistas e islâmicas, o indivíduo deve se preocupar em combater forças externas. No entanto, em quase todos os outros lugares, e com certeza num país livre e decente como os EUA, a principal batalha do indivíduo deve ser contra forças internas, isto é, contra seu caráter falho e seus próprios defeitos morais (veja a Parte 1 da série “Diferenças entre a Esquerda e a Direita”, sobre suas diferentes percepções da natureza humana).

Por outro lado, a esquerda acredita que o caminho para um mundo melhor é quase sempre através do combate aos defeitos morais da sociedade (sejam eles reais ou os que a esquerda percebe). Assim, nos EUA, a esquerda define como boas as pessoas que lutam contra o sexismo, o racismo, a intolerância, a xenofobia, a homofobia, islamofobia e outros males que a esquerda acredita que permeiam a sociedade americana. Essa é uma das razões pela qual os esquerdistas estão mais preocupados com a política do que aqueles que são de direita. Um exemplo simples deixa este ponto mais claro. Sempre os termos “ativista”, “militante” ou “organizador” são usados, infere-se que eles se referem a alguém de esquerda.

Uma das consequências dessa diferença é que os conservadores acreditam que o bem é alcançado de forma muito mais gradual do que os esquerdistas. O processo de fazer um mundo melhor é, em grande parte, um esforço de indivíduo por indivíduo, um de cada vez, que deve ser refeito a cada nova geração. Até mesmo a mais nobre geração que já existiu tem que ensinar seus filhos a lutar contra suas naturezas. Se não fizer isso, mesmo a melhor das sociedades começará a sucumbir rapidamente, e é exatamente isso que os conservadores acreditam estar acontecendo com os EUA desde o final da 2ª Guerra Mundial.

A Esquerda não foca no desenvolvimento do caráter dos indivíduos. Pelo contrário, ela foca –  desde sempre e em todos os lugares – na revolução social. A declaração mais reveladora do então candidato à presidente Barack Obama, o presidente mais comprometido com a esquerda na história dos Estados Unidos, foi feita apenas alguns dias antes da eleição de 2008: “Nós estamos há cinco dias de transformar fundamentalmente os Estados Unidos da América“, ele disse a uma grande plateia em êxtase.

Os conservadores não apenas se desinteressam por transformar fundamentalmente os Estados Unidos, mas eles se opõem fervorosamente a essa ação. Transformar fundamentalmente qualquer uma que não seja a pior das sociedades (para não mencionar a transformação daquela que é, provavelmente, a sociedade mais decente da história) só pode piorar essa sociedade. É claro que os conservadores acreditam que os EUA podem melhorar, mas não ser transformado, muito menos fundamentalmente transformado.

Todos os Fundadores dos EUA entenderam que a transformação que cada geração deve realizar é a transformação moral de cada cidadão. Assim, o desenvolvimento do caráter estava no centro tanto da educação infantil quanto da educação dos jovens nas escolas. Como disse John Adams: “Nossa Constituição foi feita apenas para um povo moral e religioso. Ela é totalmente inadequada para o governo de qualquer outro povo“.

Nas palavras de Benjamin Franklin: “Somente um povo virtuoso é capaz da liberdade.” Por que é assim? Porque a liberdade requer auto-controle. Caso contrário, controles externos (o que implica num governo cada vez mais poderoso) terão que ser impostos.

Quanto mais as ideias de esquerda influenciam a sociedade, menos educação para formação do caráter existe. Em vez disso, as crianças são ensinadas a se concentrar em questões sociais. Por exemplo, o Wall Street Journal acabou de informar que o Currículo Unificado (Common Core), o programa de diretrizes federais de ensino fundamental e médio, expôs um novo currículo científico, a “Nova Geração de Padrões Científicos”, que vai doutrinar jovens americanos, do jardim de infância em diante, sobre os pontos de vista politicamente corretos acerca do aquecimento global. E, quando eles chegarem à faculdade, os jovens americanos serão ensinados nos campus sobre a necessidade de combater coisas como “privilégios dos brancos” ou a “cultura do estupro”.

Ao mesmo tempo, como um professor de filosofia escreveu recentemente no New York Times, cada vez menos jovens americanos acreditam na existência de verdades morais. Enquanto isso, nos lares, os pais e a religião, que historicamente são os dois principais transmissores das verdades morais e da auto-disciplina moral, muitas vezes não existem.

Como resultado disso tudo, nós estamos gerando (na verdade, temos gerado desde a Segunda Guerra Mundial) um grande número de americanos que são apaixonados por emissões de carbono, combate ao sexismo e em se opor aos “privilégios dos brancos”, mas que também estão colando nas provas com uma alta frequência sem precedentes.

Apesar disso, a sabedoria milenar abraçada pelos conservadores permanece tão verdadeira como sempre foi: antes de você consertar a sociedade, você deve primeiro consertar a si próprio.

[*] Dennis Prager. “Progressives Try to Reform Society; Conservatives Work to Improve Themselves”. National Review, 02 de Junho de 2015.

Tradução: Gustavo B.

Revisão: Jonatas

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