DENNIS PRAGER: ESTADOS DIVIDIDOS – 2ª GUERRA CIVIL AMERICANA

Por Dennis Prager [*]

Haverá unidade somente quando a esquerda derrotar a direta ou o contrário.

Já é hora de nossa sociedade reconhecer uma triste realidade: A América está atualmente vivendo a sua segunda Guerra Civil.

De fato, com a óbvia e enorme exceção das atitudes em relação à escravidão, os americanos estão mais divididos moralmente, ideologicamente e politicamente hoje do que durante a Guerra Civil. Por essa razão, assim como a Grande Guerra só veio a ser conhecida como a Primeira Guerra Mundial quando houve a Segunda Guerra Mundial, a Guerra Civil será conhecida como a Primeira Guerra Civil, quando mais americanos perceberem a atual batalha como a Segunda Guerra Civil.

Felizmente, esta Segunda Guerra Civil difere da primeira em um ponto criticamente importante: até agora, de forma geral, ela não tem sido violenta. Mas, dada a crescente violência da esquerda, como tumultos, a tomada de reitorias e a ocupação ilegal de assembleias legislativas estaduais, não é possível garantir a não-violência como uma característica permanente da Segunda Guerra Civil.

Há aqueles, tanto na esquerda quanto na direita, que clamam pela unidade americana. Mas esse clamor é ingênuo ou falso. A unidade seria possível entre a direita e os liberais, mas não entre a direita e a esquerda.

O liberalismo – que era anti-esquerda, pró-americano e profundamente comprometido com os fundamentos judaico-cristãos da América; e que considerava “o caldeirão étnico” como o ideal americano, lutou pela liberdade de expressão de seus oponentes, considerou a civilização ocidental como a maior realização moral e artística humana e considerou a celebração da identidade racial como racismo – é atualmente afirmado, de forma quase exclusiva, pela direita e entre um punhado de pessoas que não se autodenominam conservadoras.

A esquerda, no entanto, se opõe a cada um desses princípios fundamentais do liberalismo.

Como a esquerda em todos os outros países, a esquerda na América vê os Estados Unidos como uma nação essencialmente racista, xenófoba, colonialista, imperialista, belicista, adoradora de dinheiro e fanaticamente religiosa.

Assim como na Europa Ocidental, a esquerda na América procura apagar as fundações judaico-cristãs do país. O “caldeirão étnico” é considerado nada mais do que um meme anti-negro, anti-muçulmano e anti-hispânico. A esquerda suprime a liberdade de expressão de seus oponentes em todos os lugares possíveis, definindo a todos os discursos anti-esquerda como “discursos de ódio”. Para citar apenas um exemplo, se você acha que Shakespeare é o maior dramaturgo ou Bach é o maior compositor, você é um proponente de machos europeus brancos mortos e, portanto, racista.

Sem qualquer valor importante mantido em comum, como pode haver unidade entre esquerda e não-esquerda? Obviamente, não pode.

Só haverá unidade quando a esquerda vencer a direita ou a direita vencer a esquerda. Usando a analogia da Primeira Guerra Civil, a união americana foi conseguida somente depois que o sul foi vencido e a escravidão foi abolida.

Como poderiam os que se opõem ao niilismo de esquerda – não há outra palavra para descrever uma ideologia que despreze a civilização ocidental e os valores fundamentais da América – se unirem aos “educadores” que instruem os professores das escolas de ensino fundamental a não chamar seus alunos de “meninos” e “meninas”, porque “isso é imposição de identidade de gênero”? Com as faculdades de letras com ênfase em Inglês que não exigem a leitura de Shakespeare para receber um diploma? Com aqueles que consideram que praticamente todas as guerras que os Estados Unidos têm lutado foram imperialistas e imorais? Com aqueles que consideram o livre mercado como uma forma de opressão? Com aqueles que querem que o Estado controle tanto da vida americana quanto seja possível? Com aqueles que, repetidamente, dizem à América e à sua minoria negra que os maiores problemas que afligem os negros americanos são causados ​​pelo racismo branco, “privilégio branco” e “racismo sistêmico”? Com aqueles que pensam que o ideal da família nuclear é inerentemente misógino e homofóbico? Com aqueles que afirmam que Israel é o vilão no Oriente Médio? Com aqueles que afirmam que o termo “terrorista islâmico” é uma expressão de fanatismo religioso?

A terceira diferença significativa entre a Primeira e a Segunda Guerra Civil é que na Segunda, um lado tem feito quase todos os combates. É assim que tem sido possível assumir as escolas –  de ensino fundamental, ensino médio, universidades – e doutrinar os jovens americanos; assim que eles tomaram conta de quase todos os meios de comunicação; e como assumiram a mídia de entretenimento.

O lado conservador perdeu em cada uma dessas frentes porque raramente lutou, com apenas uma parte da ferocidade com a qual a esquerda luta. Nomeie um político republicano que tenha combatido a esquerda, ao invés de disputar apenas contra o seu oponente democrata. E quase todos os conservadores americanos, pessoas que se orgulham da América e subscrevem os seus princípios básicos, prontamente enviam seus filhos para escolas que doutrinam seus filhos contra tudo o que os pais acreditam. Apenas uma parte protesta, quando o professor dos seus filhos deixa de chamar seu filho de menino ou sua filha de menina, ou descreve os Pais Fundadores da América apenas como “donos de escravos”.

Com a derrota da esquerda na última eleição presidencial, em dois terços das eleições governamentais e na maioria das eleições da Câmara e do Senado, esta é, provavelmente, a última oportunidade que os liberais, conservadores e a direita têm para derrotar a esquerda americana. Mas isso não acontecerá até que esses grupos compreendam que estamos lutando pela sobrevivência da América nada menos do que as tropas da União estavam na Primeira Guerra Civil.

[*] Dennis Prager. “America’s 2ND Civil War”. WND, 23 de Janeiro de 2017.

Tradução: Daiana Neumann

Revisão: CPAC

1 comentário

  • Marcelo Gazzoli

    Certíssimo!
    Direita, liberais e conservadores são complementares, não antagônicos.
    Conseguem, sim, dialogar entre si e ceder em algumas diferenças pontuais, trabalhando em conjunto para o desenvolvimento social e econômico de uma nação.
    Opostamente, esquerdistas (socialistas), estes, não conseguem tolerar nem sequer a simples lembrança da existência dos demais e, sozinhos, conseguem destruir e escravizar uma nação inteira.

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