Dawkins chama o mal de bem e o bem de mal

anti aborto“Ai daqueles que chamam o mal de bem, e o bem de mal, que mudam as trevas em luz e a luz em trevas, que tornam doce o que é amargo e amargo o que é doce” (Isaías 5:20). Virar o certo e o errado de pernas pro ar é um hábito humano que remonta a milhares de anos. Os tempos modernos não são diferentes. O famoso biólogo evolucionista e professor na Universidade de Oxford, Richard Dawkins, recentemente mostrou suas garras numa conversa no Twitter que ganhou a atenção da mídia. A BBC, um serviço público de radiodifusão entre muitos outros no Reino Unido, relatou que uma usuária do Twitter disse a Dawkins: “eu honestamente não sei o que faria se estivesse grávida de uma criança com Síndrome de Down. Dilema ético real”. Dawkins replicou, “Aborte e tente de novo. Seria imoral trazê-lo ao mundo se você tem uma escolha”. E prosseguiu: “Estes são fetos diagnosticados antes de possuírem sensações humanas”. Após ficar sob bombardeio por seus comentários, ele se defendeu dizendo, “Nem por um momento me desculpo por abordar uma questão moral filosófica de maneira lógica. Há um lugar para a emoção e este não é ele” (Dawkins, 2014).

É uma coisa assustadora admitir que ele está certo, de uma perspectiva naturalista – a visão de mundo que ele sustenta. Seu pensamento é o desenvolvimento lógico do naturalismo. Se o naturalismo está correto, nós somos o resultado da evolução, onde a lei máxima do Universo é “a sobrevivência do mais forte”: o poder faz o direito, o mais forte sobrevive. Se o naturalismo está correto, faria sentido que alguém devesse fazer o que seja necessário para a sobrevivência da espécie, incluindo ajudar a eliminar os inaptos (cf Lyons, 2008). Por que alguém gastaria tempo, energia, e recursos ajudando alguém que é um insignificante “dreno” na sociedade? Por que alguém tentaria manter aqueles que carregam mutações prejudiciais, síndromes e doenças? De uma perspectiva naturalista, tal comportamento seria lutar contra o progresso e a evolução. Ele seria imoral.down

No dia seguinte à reação pública a seus comentários, Dawkins tentou acalmar o furor que havia gerado por um esclarecimento adicional em seu Web site. Ele disse:

“Pelo que é mais valioso, minha própria escolha seria abortar o feto Down, e assumindo que você quer um bebê, tentar de novo. Dada uma escolha livre de ter um aborto precoce ou deliberadamente trazer uma criança Down ao mundo, penso que a escolha sensível e moral seria abortar… Eu pessoalmente iria mais longe e diria que, se sua moralidade é baseada, como a minha, no desejo de incrementar o montante de alegria e diminuir o de sofrimento, a decisão de deliberadamente dar à luz um bebê Down, quando você tem a chance de abortá-lo precocemente na gravidez, deve na verdade ser imoral do ponto de vista do bem estar da criança… De qualquer modo, você provavelmente estará condenando a si mesma como mãe (ou a ambos como casal) a uma vida de cuidar de um adulto com as necessidades de uma criança… O que eu estava dizendo apenas segue logicamente da orientação ordinária pró escolha que a maioria de nós, presumo, desposa” (2014, emp. added).

Que sociedade egoísta e assustadora para se viver – reminiscente do Nacional Socialismo Alemão. Imagine ser considerado inapto devido aos esforços que outros devem exercer para ajudar você. Imagine ser considerado inapto devido a suas doenças ou dores e sofrimentos, sua idade, sua raça, sua situação financeira, seu QI, seu nível de educação, seu estado psicológico, ou pior, suas crenças. Quem deveria ter o direito de ser a “polícia” da aptidão? Quem seria considerado o juiz da aptidão? Dawkins? Qual é a qualificação dele para julgar o que é moral ou imoral, considerando o fato de que não há tal coisa como “imoralidade” se o naturalismo é verdadeiro (cf Lyons, 2008)? [Nota: veja Butt, 2008 para uma discussão completa de outras implicações desconcertantes do naturalismo].

dawkinsSe os naturalistas tivessem seu modo de determinar leis baseados em seus padrões de moralidade, o progresso seria obstruído. Na medida em que o crescimento de nosso conhecimento em genética permite-nos antecipar distúrbios que provavelmente surgirão num indivíduo, pessoas que seriam consideradas valiosas por naturalistas no futuro, se lhes fosse permitido viver, seriam inevitavelmente eliminadas. Um ateísta famoso, físico teórico e cosmologista da Universidade de Cambridge, Stephen Hawking, foi diagnosticado, décadas atrás, com Esclerose Amiotrófica Lateral, está permanentemente numa cadeira de rodas, comunica-se através de um sistema de computador operado de sua bochecha, e precisa de cuidados dia e noite (Harmon, 2012). Ironicamente, ele teria sido igualmente morto muito antes de se tornar o famoso e influente pensador naturalista que é agora. Verdadeiramente, o fato de que pessoas em tais condições têm provado por si mesmas serem um benefício para a sociedade é um forte argumento contra o aborto de “inaptos”.

Sinistramente, os Estados Unidos podem não estar tão longe de uma sociedade na qual o pensamento de Dawkins tem domínio livre sobre como nós pensamos. De acordo com uma pesquisa Gallup de 2012, 15% dos Americanos acreditam que nós devemos nossas origens à evolução natural (Newport). Esta figura converte-se em que 1 em 7 Americanos que você encontra na rua é um naturalista. Se estes indivíduos seguirem a lógica de sua visão de mundo, eles serão forçados a pensar do mesmo modo que Dawkins a respeito dos “inaptos”. Esta implicação da mentalidade naturalista e os milhões que estão afirmando o destaque fundamental do naturalismo precisam de Cristãos para defender a verdade da perigosa doutrina do naturalismo. “Ai daqueles que chamam o mal de bem, e o bem de mal”. [Nota: Veja Miller, 2013 para uma refutação científica do naturalismo].

por Jeff Miller, Ph.D.

Publicado originalmente por Apologeticspress.org, original aqui.

Traduzido por Flávio Ghetti

Referências:

Butt, Kyle (2008), “The Bitter Fruits of Atheism (Part I),” Reason & Revelation, 28[7]:49-55, July, http://apologeticspress.org/apPubPage.aspx?pub=1&issue=603.

Dawkins, Richard (2014), “Abortion & Down Syndrome: An Apology for Letting Slip the Dogs of Twitterwar,” Richard Dawkins Foundation for Reason & Science, August 21,https://richarddawkins.net/2014/08/abortion-down-syndrome-an-apology-for-letting-slip-the-dogs-of-twitterwar/.

Harmon, Katherine (2012), “How Has Stephen Hawking Lived to 70 with ALS?” Scientific American, January 7, http://www.scientificamerican.com/article/stephen-hawking-als/.

Hawkins, Kathleen (2014), “Richard Dawkins: ‘Immoral’ Not to Abort Down’s Foetuses,” BBC News Ouch, August 21, http://www.bbc.com/news/blogs-ouch-28879659.

Lyons, Eric (2008), “Save the Planet…Abort a Child!?” R&R Resources, 7[2]:8-R, February,http://apologeticspress.org/pub_rar/28_2/0802.pdf.

Lyons, Eric (2011), “The Moral Argument for the Existence of God,” Reason & Revelation, 31[9]:86-95, September, http://apologeticspress.org/pub_rar/31_9/1109.pdf.

Miller, Jeff (2013), Science vs. Evolution (Montgomery, AL: Apologetics Press).

Newport, Frank (2012), “In U.S., 46% Hold Creationist View of Human Origins,” GALLUP Politics, June 1, http://www.gallup.com/poll/155003/Hold-Creationist-View-Human-Origins.aspx.

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