David Horowitz: A esquerda ainda está do lado da América?

Os progressistas sabotaram a segurança americana e danificaram as relações raciais.

Por David Horowitz:[1]

blacklivesmatter2Os progressistas sabotaram a segurança americana e danificaram as relações raciais. O líder Bolchevique Leon Trotsky descreveu, certa vez, o Stalinismo como “a teoria perfeita para grudar no cérebro”. O que ele quis dizer foi que um regime monstruoso como o de Stalin, que assassinou 40 milhões de pessoas e escravizou muito mais, todavia, foi capaz de persuadir os esquerdistas e os defensores da “justiça social” pelo mundo todo a atuarem como seus colaboradores e defensores. Entre esses iluminados apoiadores dos crimes cometidos por Stalin incluem-se os intelectuais da época – até mesmo os ganhadores do prêmio Nobel em Ciência e Artes, tais como Frederic Joliot-Curie e Andre Gide. Por mais brilhantes que fossem, eles eram cegos às realidades do regime Stalinista e, portanto, às virtudes das sociedades livres das quais faziam parte. O que entranhou em seus cérebros foi a crença de que um admirável novo mundo de justiça social — um mundo governado por princípios progressistas — existiu no embrião da União Soviética e tinha de ser defendido de todas as formas que fossem necessárias. Como resultado dessa ilusão, eles colocaram seus talentos e prestígios a serviço dos inimigos totalitários da democracia, agindo, segundo as palavras de Trotsky, como “guardiões da fronteira” do império Stalinista. Eles continuaram com seus esforços mesmo depois que os soviéticos conquistaram o leste europeu, obtiveram armas nucleares e iniciaram a “guerra fria” com o Ocidente. Aos progressistas, seduzidos pelo Stalinismo, a democracia americana representava um mal ainda maior que o estado totalitário bárbaro do bloco soviético. Mesmo após meio século, a cultura esquerdista ainda se refere a fase formativa da Guerra Fria como a “Ameaça Vermelha” — como se a quinta-coluna dos esquerdistas americanos, cuja lealdade era para com os inimigos soviéticos, cujos membros incluíam espiões soviéticos, não fosse um motivo de grande preocupação, e como se um famigerado império soviético com poder nuclear não representasse uma ameaça. Como estas desilusões, de pessoas inteligentes e bem intencionadas, foram possíveis?

Como indivíduos bem-instruídos foram capazes de negar o óbvio e apoiar uma das ditaduras mais brutais e opressoras da história? Como eles puderam ver uma sociedade relativamente humana, decente e democrática como os Estados Unidos como um mal, enquanto classificavam o bárbaro regime comunista como sendo vítima dos Estados Unidos? A reposta se encontra na identificação do Marxismo com a promessa da justiça social e da instituição de valores progressistas (que acontecerá em um futuro socialista mágico). A defesa da ideia progressista excedeu o reconhecimento do fato reacionário. Para os esquerdistas do Ocidente, assim que o regime stalinista fosse identificado como o futuro progressista imaginário, tudo seguiria — seu status de vítima perseguida e o papel dos Estados Unidos como uma força reacionária, obstruindo o caminho da nobre aspiração esquerdista. Cada falha no regime de Stalin, cada crime cometido — se não for negado completamente pelos progressistas — foi atribuído às ações nefastas de seus inimigos, mais claramente os Estados Unidos. E uma vez que a promessa da redenção progressista foi justaposta a um agente de um mundo real imperfeito, todas as suas reações tornaram-se virtualmente inevitáveis. Logo, o grude do cérebro. A União Soviética se foi e a história prosseguiu, mas a dinâmica da apologia a Stalin persiste como uma herança da Esquerda pós-comunista, que permanece ligada às fantasias de um futuro utópico, em colisão com o presente imperfeito americano.

Atualmente, a Esquerda é a força dominante no partido Democrata americano. Seu extremo desligamento da realidade se resume através do apoio ao movimento claramente racista, chamado de “Black Lives Matter” (“A vida dos negros é importante”, em tradução livre), que ataca oficiais de polícia e defende os arruaceiros, perdoando seus crimes com o álibi de que “a supremacia branca” criou as circunstâncias que permitem que alguns cometam atos criminosos. Esse movimento extremista tem um “forte apoio” de todo o espectro da Esquerda “progressista” (incluindo 46% do partido Democrata, de acordo com uma pesquisa do Wall Street Journal e da NBC News). O Black Lives Matter é um movimento construído sobre a mentira de que a polícia declarou caça aos americanos negros inocentes. De acordo com as ficções progressistas, os policiais são os agentes de uma “sociedade da supremacia branca” — uma alegação que, por si só, deveria gerar desconfiança sobre a sanidade dos que propagam isto. Os fatos contradizem as próprias bases da alegação de que os afro-americanos estão sendo indiscriminadamente assassinados pela polícia: homens afro-americanos que constituem 6% da população e que são responsáveis por mais de 40% dos crimes violentos. Porém, uma reportagem do Washington Post a respeito de todos os 980 tiroteios policiais em 2015 revela que somente 4% dos tiroteios fatais envolviam policiais brancos e vítimas negras e “em 75% destes incidentes, os policiais estiveram não apenas sob ataque como também defendiam civis”, ou, como Michael Walsh observou no New York Post, “em outras palavras, [eles estavam] fazendo o seu trabalho”.

Um incidente no subúrbio de St. Louis, na cidade de Ferguson, Missouri, tornou-se o ponto de partida para o movimento Black Lives Matter e suas alegações maliciosas de que negros inocentes estavam sendo assassinados injustificadamente por policiais racistas. A suposta “vítima”, Michael Brown, acabara de cometer um assalto à mão armada e se recusou a se render ao policial Darren Wilson. Em vez disso, o ladrão de rua de 140 quilos atacou Wilson em seu veículo, tentou tomar a arma do policial e depois recuou para ataca-lo novamente. Seguidos tiros foram incapazes de impedir Brown, até que um o matou. Ao ignorar os fatos, o Black Lives Matter promoveu a mentira, inventada pelo cúmplice de Brown, onde este havia colocado as mãos para cima na tentativa de se render quando levou o tiro. “Mãos para cima, não atire” rapidamente se tornou o hino do movimento. Mas essa mentira foi refutada não somente por evidências forenses e pelas testemunhas negras perante o júri convocado para o caso, mas também por uma revisão conduzida por um ex-procurador, o general Eric Holder do Departamento de Justiça, outrora disposto a demonstrar o fanatismo do departamento de polícia de Ferguson. Enquanto isso, “manifestantes” atearam fogo na cidade de Ferguson, causando milhões de dólares em danos, porque se não houvesse justiça — tomar Wilson como culpado — não haveria paz, como o agora popular slogan do grupo diz. O Black Lives Matter, então, começa sua cruzada para outras cidades, mais especificamente a de Baltimore, onde um criminoso muito conhecido, Freddie Gray, tornou-se uma outra causa célebre. Gray tinha sofrido graves ferimentos dentro de um veículo policial, onde havia somente outro detento. Assim que o Black Lives Matter inspirou multidões a se reunirem em protesto, o prefeito negro do partido Democrata de Baltimore ordenou a polícia que baixasse a guarda, permitindo que eles destruíssem milhões de dólares de propriedades. O promotor negro do estado pelo partido Democrata indiciou, então, seis policiais — três deles eram afro-americanos — por várias acusações, inclusive por homicídio qualificado.

policelivesmatterO resultado imediato da guerra do Black Lives Matter contra os agentes da lei foi uma epidemia de crimes, já que os policiais decidiram que a aplicação ostensiva da lei era perigosa para suas vidas e carreiras. Os homicídios nas áreas de Ferguson e Baltimore aumentaram em 60%. Praticamente todas as vítimas eram negras, o que revela a hipocrisia de um movimento para o qual a vida dos negros não importa de fato — mas os ataques contra a aplicação da lei e a “estrutura de poder”, sim. Como é possível que algum cidadão sensato — ainda mais alguém com aspirações progressistas — pudesse apoiar uma multidão itinerante e seus linchamentos como aquela de Ferguson? Como é possível que metade do partido Democrata possa apoiar um movimento que condena os Estados Unidos como uma sociedade de supremacia branca, ignorando a realidade de que o presidente, o chefe de polícia e milhares de funcionários públicos e representantes eleitos, incluindo os prefeitos e chefes da polícia de grandes centros urbanos, tais como os de Memphis, no estado de Tennessee e nos estados de Atlanta e Filadélfia são negros? (Em Detroit, o novo prefeito é na verdade o primeiro prefeito branco em 40 anos, enquanto o chefe de polícia ainda é negro.) Só se aceita o absurdo de que os Estados Unidos é uma sociedade de supremacia branca caso se sofra de uma ilusão de que todas as desigualdades estatísticas que afetam os afro-americanos, como as altas taxas de crimes, não sejam o reflexo da cultura e do caráter, mas marcas de opressão racista. (Esse absurdo em particular — universal dentre os progressistas americanos e o atual Departamento de Justiça dos EUA — é facilmente refutado: se as disparidades estatísticas comprovassem racismo, a National Basketball Association (Associação Nacional de Basquete – NBA), da qual 95% dos novos multimilionários são negros, seria uma associação controlada por racistas negros, assim como a National Football League (Liga Nacional de Futebol Americano), enquanto a National Hockey League (Liga Nacional de Hóckei) seria dominada por racistas brancos.) Os Progressistas se iludem com o racismo e os crimes cometidos por negros porque eles estão presos à visão de um futuro progressista imaginário, no qual a justiça social irá garantir que cada resultado individual seja igual. A Esquerda não enxerga a responsabilidade das populações de grandes centros por suas altas taxas de crimes violentos.

A falha em aceitar as responsabilidades da paternidade é tanto uma característica da atitude progressista quanto é sua cegueira perante a traição às comunidades no centro de zonas urbanas feita pelos Democratas, responsáveis quase que totalmente pela condição vergonhosa das cidades americanas. Chicago, Detroit, Baltimore, St. Louis e outros numerosos centros de pobreza fora de controle dos negros, sistemas falidos de escolas públicas e a violência de negros contra negros são 100% controladas pelo partido dos Democratas e assim vem sendo por 50 a 100 anos. Mesmo assim, 95% do voto dos negros e 100% do voto progressivo continua indo aos Democratas que oprimem os afro americanos.

Infelizmente, a história sórdida dos progressistas em apoiar criminosos no país é acompanhada de registros igualmente vergonhosos da simpatia pelos inimigos estrangeiros do país. O ditador do Iraque, Saddam Hussein, era um dos monstros do século 20, iniciando duas guerras agressivas, lançando gás venenoso sobre a minoria de Curdos e assassinando 300.000 cidadãos iraquianos. Porém, quando os Estados Unidos propôs derrubá-lo, mais de um milhão de progressistas tomaram as ruas em protesto. Primeiramente, a liderança dos Democratas apoiou a invasão no Iraque como uma guerra justa e necessária. Mas três meses depois, com homens e mulheres americanos em perigo — e sob pressão da Esquerda progressista — eles se voltaram contra a mesma guerra que haviam votado pela autorização e, pelos cinco anos seguintes, conduziram uma campanha de propaganda maliciosa, digna de um inimigo, para desmerecer as intenções americanas e para impedir nossa missão militar.

Como a administração Bush escolheu não se defender em um confronto contra as ações subversivas da Esquerda — inclusive a exposição de três programas de segurança nacional — os mitos esquerdistas sobre a Guerra do Iraque persistem até hoje, mesmo em alguns círculos conservadores. Para esclarecer o assunto, Bush não mentiu para seduzir os Democratas a apoiarem a guerra e não podia ter feito isso, uma vez que os Democratas tinham acesso aos mesmos relatórios de segurança que ele. A guerra não era a respeito da existência de um armazenamento de armas de destruição em massa (ADM), como os Democratas desonestamente alegam: era a respeito da violação de Saddam das 17 resoluções do Conselho de Segurança da ONU, destinadas a impedi-lo de possuir os programas de (ADM) que ele estava desenvolvendo.

obamahillaryA traição dos Democratas sobre o esforço de guerra de seu país prejudicou seriamente o seu progresso e, com a eleição à presidência de um pacifista de esquerda em 2008, levou diretamente à explosão do terrorismo e do derramamento de sangue que tem esmagado o Oriente Médio desde então. Mas não foi apenas a mentalidade de submissão do governo Obama que abasteceu essas catástrofes. Com o apoio total do partido Democrata, o presidente Obama acolheu a Irmandade Muçulmana e o inimigo mortal dos Estados Unidos, o Irã, providenciando aos seus aiatolás um caminho para armas nucleares e o domínio da região — levando os estados árabes sunitas a se prepararem para uma guerra civil no Oriente Médio. Assim como os esquerdistas atuaram como propagandistas do império soviético, desmerecendo o esforço dos Estados Unidos na Guerra Fria e conduzindo campanhas enganosas para omitir os crimes soviéticos, a Esquerda de hoje também menospreza a ameaça islâmica e se opõe às medidas de segurança necessárias para proteger a pátria — mais alarmantemente o fechamento da nossa fronteira ao sul. Os Progressistas criaram as subversivas “cidades santuários”, que se recusam a cooperar com a Segurança Nacional e as leis de imigração em mais de 300 distritos urbanos ilegais sob o controle dos Democratas. Essa traição vem ocorrendo sem resistência por anos e levou à morte desnecessária de inúmeros cidadãos americanos pelas mãos de imigrantes ilegais — dos quais mais de 200.000 estão presos — e, obviamente, muito outros dentro de nossas fronteiras.

Esquerdistas e Democratas também aderiram à campanha de propaganda islâmica para representarem os muçulmanos — cujos correligionários já mataram centenas de milhares de inocentes desde o 11/09 em nome de sua religião — como vítimas de um preconceito contra os muçulmanos, denunciando críticos do terror islâmico e os defensores das medidas de segurança como “islamofóbicos” e preconceituosos. Na verdade, 60 por cento dos crimes de ódio religioso são direcionados aos judeus, com uma pequena minoria direcionada aos muçulmanos.

Ao explorar o mito da perseguição aos muçulmanos, os progressistas se opõem ao escrutínio da comunidade muçulmana, inclusive o terror promovido por imãs e mesquitas. Eles imediatamente denunciam as propostas de avaliação de imigrantes muçulmanos como intolerância religiosa e ainda bloqueiam qualquer discussão racional sobre o problema. Liderados por Hillary Clinton e Barack Obama, os Democratas permitiram o ataque islâmico à liberdade de expressão, que é um componente central da campanha islâmica para criar uma teocracia religiosa mundial. Mais importante, o presidente e seus atuantes cinicamente espalham a mentira de que um vídeo obscuro na internet sobre Mohammed esteve por trás do ataque terrorista em Benghazi. Falando como um aiatolá perante a Assembleia Geral da ONU, pouco depois do ataque, Obama declarou: “O futuro não deve pertencer àqueles que difamam o profeta do Islã.” O que um presidente americano deveria ter dito é: “O futuro não deve pertencer àqueles que matam em nome do Islã.” Nosso país se encontra numa encruzilhada perigosa, uma que é feita imensuravelmente mais perigosa por um partido nacional que culpa seu próprio país pelos crimes de seus inimigos, e por uma oposição política ineficaz e tímida que responsabiliza seus concidadãos por suas próprias ações inconcebíveis.

David Horowitz é o autor de “Take No Prisoners: The Battle Plan for Defeating the Left”.

[1] David Horowitz. Is the Left Even on America’s Side Anymore?. National Review, 8 de janeiro de 2016.

Tradução: Hélio Duarte
Revisão: CPAC

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