Conservadorismo Político & Cultura Pop: Boa arte primeiro, mensagem depois

Por Jay Caruso [*]

horaescuraAssim como o “moral majority” fundiu a religião e a política contemporânea há 30 anos, a cultura pop e a política tornaram-se cada vez mais interligadas. Isso não é necessariamente uma coisa boa. Quando a religião foi embrulhada com um rótulo de ativismo político, conservadores religiosos pareciam alienar seus colegas americanos em vez de atraí-los para a causa. Hoje, os conservadores estão perto demais de repetir os mesmos erros [do passado] em seu esforço de fundir a cultura pop e a política.

A ascensão das mídias sociais deu aos fãs mais acesso do que nunca às estrelas de cinema, músicos, comediantes e atores de televisão, o que resulta também em acesso a mais de sua política do que nunca. A esquerda sempre foi capaz de entrelaçar a cultura em sua política e a política à cultura, enquanto os conservadores políticos foram deixados de fora da festa.

Os conservadores tentaram competir nesse jogo, mas acharam muito difícil. Quando não estão [de forma depreciativa] recusando-se a participar deste embate, abordam a mídia e a cultura de forma equivocada.

Eu ouço as pessoas dizerem com freqüência: “Nós precisamos encontrar escritores conservadores” ou “cineastas conservadores” ou “artistas conservadores.” A intenção é compreensível, mas erra o alvo. A cultura pop se trata, em última instância, de arte. Os conservadores devem parar de procurar o melhor escritor “conservador” e encontrar o melhor escritor. Encontre os melhores artistas. Encontre os melhores cineastas. Ao contrário da opinião pública, muitos artistas estão despreocupados com a política. Em vez disso, o objetivo deles é produzir um grande feito artístico, e se lhes derem uma idéia, eles podem trabalhar dentro dos parâmetros para produzir algo grandioso.

Os conservadores também precisam parar de colocar “a mensagem” acima da forma e execução. Eu passo mal quando vejo um filme ruim ou leio algo mal escrito e alguém diz: “Mas isso tem uma mensagem tão bacana!” Se algo foi mal executado, ninguém se importará com a mensagem. A esquerda não está imune, e também tem caído nesta armadilha. Os cinéfilos tem rejeitado “mensagens” anti-guerra de filmes como “Leões e Cordeiros” e “Guerra Sem Cortes”, por serem filmes ruins.

Quando o filme “A Hora Mais Escura” foi lançado, os esquerdistas o atacaram impiedosamente, mesmo antes de terem assistido, porque o filme sugeria que algumas das informações utilizadas para encontrar Osama Bin Laden foram obtidas utilizando técnicas severas de interrogação, que muitos na esquerda rotularam de tortura. A diretora Kathryn Bigelow e o escritor Mark Boal foram punidos por suas escolhas, mas devido as suas reputações como artistas, não recuaram. Enquanto “A Hora Mais Escura” não defendia explicitamente a severidade no interrogatório, também não pede desculpas por isso.

Aqueles de nós que trabalham nas artes sabe que a representação não é apologia,” escreveu Bigelow em uma carta aberta ao editorial do Los Angeles Times, no auge da controvérsia. “Se fosse, nenhum artista seria capaz de pintar práticas desumanas, nenhum autor poderia escrever sobre elas, e nenhum cineasta poderia abordar assuntos polêmicos do nosso tempo.”

Se algo é mal executado, ninguém se importará com a mensagem

Este é um princípio importante para ter em mente, e vale a pena cultivá-lo,” argumentou. “Confundir representação com apologia é o primeiro passo para comprometer a capacidade de qualquer artista americano de lançar luz sobre fatos obscuros, especialmente quando essas fatos estão envoltos pelo sigilo e ofuscação governamental.”

Esse é o diferencial de um artista talentoso. Antes de qualquer coisa, ela estava interessada em fazer um ótimo filme e ao mesmo tempo despreocupada com a política ou com a mensagem.

Os conservadores devem se lembrar de que forçar a barra com “a mensagem” é inútil se o público odiar o que vê ou lê.

Vários anos atrás eu tive a oportunidade de ouvir Kyle Cooper palestrar em um evento. Você pode não saber o nome, mas você provavelmente viu o trabalho de Cooper como designer de títulos para longas-metragens. Um de seus projetos mais memoráveis foi para o filme “Se7en”, que foi considerado revolucionário, porque a abertura do filme, na verdade, tornou-se parte do filme isso contribuíu para a história em vez de ser simplesmente um texto brilhante para transmitir informações. Cooper também fez uma seqüências de filmes como “Coração Valente”, “Homem-Aranha”, “Superman – O Retorno”, “Missão Impossível” e “Tron: o Legado”, assim como “The Walking Dead

Em uma entrevista, perguntaram a Cooper o que torna boa uma abertura de filme. “Isso o deixa entusiasmado por estar neste cinema, e neste momento, se preparando para ver o filme”, disse ele em uma entrevista. “Isso lhe deixa satisfeito por não estar em nenhum outro lugar do mundo, exceto onde você está, preparando-se para ver algo incrível.”

Da mesma forma, Cooper disse algo durante sua palestra que realmente se destaca no contexto geral desta discussão: “A credibilidade de nossa mensagem é questionada quando fazemos um trabalho medíocre.”

Em poucas palavras, os conservadores têm de se concentrar na qualidade da arte que produzem antes de se preocupar com qualquer tipo de mensagem.

Isso é possível de se fazer. Mas requer paciência. Também irá requerer a confiança dos conservadores em artistas que não estejam ideologicamente alinhados com o trabalho. Ninguém leva seu próprio carro ao mecânico e então começa a vigiá-lo para assegurar que ele está fazendo seu trabalho corretamente. Quando se dá uma uma idéia e uma visão à grandes artistas, eles são capazes de executá-la.

Quanto mais cedo os conservadores começarem a olhar para esta questão de um ponto de vista diferente, mais rápido serão capazes de obter resultados que irão pavimentar o caminho a um público mais amplo dentro do reino da cultura popular.

[*] Jay Caruso. “Conservative Politics & Pop Culture: Great Art First, Then The Message”. Opportunity Lives, 20 de Outubro de 2015.

Tradução: Rodrigo Carmo
Revisão: Flávio Ghetti

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