Comunismo desmascarado: O culto à personalidade Marxista

Ion Miohai Pacepa

Neste post, apresentamos um trecho do livro “Desinformação”, do Tenente-General Ion M. Pacepa. Pacepa atuou por décadas como general da polícia política, durante o regime Comunista na Romênia, sob as ordens do ditador Nicolae Ceaușescu. No ano de 1978, Pacepa pediu asilo político aos EUA, garantido pelo então presidente Jimmy Carter. De todas as suas obras, destaca-se também o livro “Red Horizons” (sem tradução para o português), onde ele detalha todos os crimes cometidos por Ceaușescu, com precisão de detalhes que se mostrou suficiente para que o ditador fosse deposto e condenado à morte em 1989. O presidente Ronald Reagan já foi visto citando o livro Red Horizons como “a sua bíblia sobre como lidar com ditadores”.

Este livro foi recentemente traduzido para o português e pode ser encontrado com facilidade nas livrarias do Brasil.

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Em fevereiro de 2006, escrevi sobre o último domingo o qual estive com [Nicolae] Ceaușescu, em um artigo chamado “O Monstro Esquerdista: Ceaușescu”. Ele realmente se tornou um monstro egocêntrico, mas ele não era um monstro quando assumiu o poder. Eu o conhecia bem. Ceaușescu foi transformado em um monstro pelo Marxismo e pelo seu maquinário de desinformação.

A República Socialista da Romênia tem sido definida, dentro de suas fronteiras e também no Ocidente, como uma ditadura baseada no apelo às massas da ideologia Marxista e no braço forte do Partido Comunista. Em outras palavras, a Romênia Socialista – assim como outros países do bloco soviético – tem sido erroneamente considerada, interna e externamente, como detentora de uma forma de governo que, embora ditatorial, é comandada por um partido político e por decisões baseadas em uma ideologia política. Isso é desinformação.

Apenas um grupo de pessoas trabalhando em extrema proximidade ao líder romeno e a outros chefes do bloco soviético, assim como eu, sabia que, com o passar dos anos, o Partido Comunista se tornou um amontoado de burocratas, os quais, aliás, não desempenhou nenhum papel digno de nota na condução destes países; não mais do que fez o cadáver embalsamado de Lenin padecendo no mausoléu do Kremlin.

Observado em sua perspectiva histórica, o Marxismo foi como um sistema de governo bruto, mal definido e maleável, o qual poderia ser gerido segundo as vontades de qualquer um. Caso fosse bem sucedido na França ou na Alemanha, o Marxismo teria certamente se tornado outra Comuna de Paris ou em uma nova ditadura militar prussiana e teria chegado a um fim inevitável, como os outros precedentes. Não havia maneira para uma horda de burocratas, ou até mesmo para uma máquina militar enorme, sustentar – por setenta longos anos – uma forma de governo o qual negava totalmente as forças motivacionais que tem se mantido vivas ao longo da história: propriedade privada, competição e iniciativa individual.

Acontece que o Marxismo triunfou na Rússia feudal, definido por seus próprios líderes como “um mundo completamente separado, submisso ao desejo, capricho e fantasia de um único homem, seja o seu nome Pedro ou Ivan”. Lá, o Marxismo, aos poucos, se transformou em um samoderzhaviye secreto e complexo, mas essencialmente puro – a tradicional forma russa de autocracia totalitária, na qual o senhor feudal governava o país com a ajuda de sua polícia política particular. Enxurradas de publicações do governo, agentes de agitação e propaganda e líderes comunitários trabalharam sem parar a fim de persuadir o mundo de que o seu país, embora ditatorial, era governado por um partido político que baseava suas decisões em uma filosofia política idealista. Na realidade, todo país marxista acaba sendo dirigido por um homem, o qual transforma aquele país em um monumento a si próprio.

O ultrajante culto à personalidade Marxista tinha nascido. Em alguns países marxistas, ao longo dos anos, tal culto ao líder tem dado a ele o direito sobre a vida e a morte do seu povo. Stalin matou milhões, de forma impune, a fim de transformar a Rússia em um monumento a si próprio. Após o seu Exército Vermelho “libertar” a Romênia, Stalin também transformou aquele país em um monumento à sua pessoa. Retratos e estátuas de Stalin, ruas, avenidas, praças e fábricas com o nome de Stalin brotaram como cogumelos por todo o país. A Romênia ainda tem a sua própria cidade Stalin.

Em 1947, Stalin forçou o heroico Rei Michael da Romênia a abdicar, decretou que a Romênia deveria se tornar um país marxista e colocou no trono um pequeno deus marxista romeno chamado Gheorghe Gheorghiu-Dej. Em seguida, toda cidade da Romênia também adquiriu os seus monumentos, ruas, avenidas, praças e quarteirões dedicados à Gheorghe Gheorghiu-Dej. Logo após, algumas indústrias e organizações agrícolas ostentavam nomes similares. Aquele escandaloso culto à personalidade serviu bem ao iletrado Gheorghe Gheorghiu-Dej, o qual foi capaz de manter seu trono até sua morte, em 1956. Este culto não serviu bem à Romênia, entretanto: tornou-a uma espécie de Etiópia Europeia, cuja falta de liberdade e profunda pobreza despertaram piedade e compaixão mundiais.

Ceaușescu “desmascarou” o culto “inédito” à personalidade de Dej e permitiu que a população vislumbrasse a luxúria do Palácio de Dej. Não demorou muito, no entanto, até que Ceaușescu se autoproclamasse um “deus secular” e começasse a residir alternadamente em 21 palácios extravagantemente mobiliados, 41 “vilas residenciais” e 20 cabanas de caça. Grandiosos arcos com a inscrição “A Era de Ouro: A Era de Nicolae Ceaușescu” aparecerem nas entradas da maioria das cidades romenas. A mídia romena – o principal instrumento de desinformação de Ceaușescu – fez sua parte, nomeando-o o “Filho Mais Amado do Povo”, o “Responsável Pelo Progresso e Independência da Nação” e o “Visionário Arquiteto do Futuro da Nação”.

Em 1989, Ceaușescu tinha tomado todas as posições de alto nível no país e fixou-as em seu peito como condecorações de guerra, estabelecendo dessa forma um novo e sombrio feudalismo na metade do Século XX. Dentre eles: presidente da Romênia, líder do Partido Comunista, comandante supremo das Forças Armadas, presidente do Conselho Supremo de Desenvolvimento Econômico e Social, presidente do Conselho Nacional dos Trabalhadores e presidente da Frente da União e Democracia Socialista. Àquela época, o culto à personalidade tinha sido estendido à sua esposa. Elena Ceaușescu foi a primeira a se tornar primeira ministra do país e presidente do Conselho Nacional de Ciência e Educação. Sua proeminência nacional chegou ao ponto de seu aniversário ser celebrado como um feriado nacional, assim como o de seu marido.

Em 1978, quando rompi com Ceaușescu, seus retratos estavam fixados nas paredes de cada departamento governamental – e na Romênia de Ceaușescu, tudo, desde fábricas, escolas, teatros, cinemas e igrejas, eram propriedade do governo.

Tradução: Patrícia Maragoni
Revisão: cpac

3 comentários

  • Jair Ozi

    O trabalho dos senhores é de uma nobreza ímpar. Não sei se grito bravo ou se dou parabéns, vou fazer as duas coisas:
    Bravo! Parabéns. Bravo! Parabéns. Bravo! Parabéns… … Bravo! Parabéns.

  • Adão José Sabará

    Parabéns, por esse maravilhoso trabalho, sempre leio os documentos e comentários do ex-agente secreto russo Ion Miohai Pacepa. Lendo os seus escritor ficamos sabendo como era e ainda é a máquina vermelha russa.

  • Luiz carlos

    Sou fã do trabalho dos Tradutores de Direita. Sinto que infelizmente o Comunismo está mais forte a cada dia. Só a informação e pessoas como voces podem deter esse mal.

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