Ciclofaixas são mais do que irritantes, elas estão prejudicando cidades, pessoas e negócios

Por Connor Chue-Sang [*]

Um importante ambientalista se opôs à acomodação dos ciclistas, alegando que promover o transporte cicloviário nas cidades é incrivelmente custoso, prejudica negócios locais e a renda da cidade, aumenta a poluição e o tráfego, e deixa os ciclistas com antracose pulmonar.

A única coisa pior que um ciclista são dois ciclistas em tandem.

De acordo com Lawrence Solomon, diretor executivo da Urban Renaissance Institute e um dos ambientalistas mais importantes do Canadá, o transporte cicloviário trazia grandes benefícios para as cidades. Em uma peça para o Financial Post, Solomon afirma que nos anos 1980 a bicicleta “abençoou as cidades com benefícios econômicos e ambientais”, pois reduziu o número de carros nas estradas, o que por sua vez aliviou o tráfego.

Solomon escreve ainda que a bicicleta “reduziu o desgaste das estradas, aliviando os orçamentos municipais, reduziu emissões de automóveis, aliviando a poluição aérea, reduziu a necessidade de estacionamentos, aumentando a eficiência do aproveitamento da terra, e ajudou as pessoas a se manterem em forma também.

Hoje, porém, o transporte cicloviário é mais prejudicial do que benéfico.

Sem contar o problema óbvio da Lycra, Solomon explica que ciclofaixas “agora consomem mais espaço das estradas do que liberam, agregam tanta poluição quanto o que reduzem, prejudicam áreas residenciais e comerciais e se tornaram um sumidouro de dinheiro público.

No Reino Unido, Londres é um ótimo exemplo de como o transporte cicloviário se tornou prejudicial para as cidades.

O ex-prefeito de Londres, Boris Johnson, criou uma “revolução ciclística” na forma de um sistema de aluguel de bicicletas públicas. O esquema fez com que bicicletas em estações de locação brotassem pela cidade. Embora o conceito tenha sido bem recebido, hoje está provado que ele é uma fonte de congestionamentos para os passageiros [de automóveis] devido às muitas ciclofaixas, as quais a autoridade de transporte público (Transport for London, TfL) chama de “superautoestradas cicloviárias”.

Essas ciclofaixas, que estão em sua maioria subutilizadas, forçaram o tráfego a se mover a passos de tartaruga já que os carros não podem utilizar toda a estrada para se deslocarem.

De acordo com um relatório da prefeitura de Londres citado por Solomon, “o impacto mais significativo sobre a malha viária da Cidade nos últimos 12 meses foi a construção e subsequente operação da superautoestrada cicloviária da TfL (…) áreas de congestionamento de tráfego podem ser vistos com frequência nessas vias.

O dano das ciclofaixas foi até mesmo trazido a um debate parlamentar quando o Lorde Nigel Lawson disse que elas prejudicaram Londres mais do que “quase qualquer outra coisa desde a Blitz [N.T.: bombardeios alemães na 2ª Guerra Mundial]”.

Devido à imensa quantidade de trafego provocada pelas ciclofaixas, os níveis de poluição da cidade se elevaram. As principais vítimas da poluição, ironicamente, são os ciclistas.

Solomon, citando um estudo da London School of Medicine, explica que ciclistas inalam 2,3 vezes mais fuligem do que pessoas que caminham. Isto porque ciclistas “respiram mais fundo e a uma taxa mais rápida do que os pedestres e estão mais próximos dos gases de exaustão dos carros (…) nossos dados sugerem fortemente que a exposição individual ao carbono negro deve ser levada em consideração ao planejar rotas ciclísticas”, sugere o relatório.

Não apenas as cidades estão desembolsando uma enorme quantidade de dinheiro em esquemas de ciclovias – Paris almeja se tornar a “capital ciclística do mundo” gastando 150 milhões de euros – ciclofaixas custam dinheiro aos negócios já que tipicamente elas substituem faixas que acomodavam estacionamentos de rua, o que pode impactar gravemente empresas que dependem de vagas de automóveis para operar.

Oregon, nos EUA, que tem um grande número de ciclistas, tentou consertar o problema implementando um imposto sobre as vendas de novas bicicletas. O senador estadual que redigiu a lei explicou que os legisladores “sentiram que as bicicletas deveriam contribuir para o sistema”.

“No Reino Unido, ciclistas são xingados de “mamils” [N.T.: acrônimo de middle aged men in Lycra, ou homens de meia idade em lycra]. Nas cidades do interior dos EUA as ciclofaixas são vistas como o território de “homens brancos com empregos de escritório aprofundando a gentrificação”, escreve Solomon. “Em quase todo lugar eles são vistos como rudes e como ameaças à segurança dos pedestres.”

Certamente, zombar de ciclistas é algo que todo motorista tem feito desde o primeiro Modelo T.

[*] Connor Chue-Sang. “Bike Lanes Are More Than Just Annoying, They’re Hurting Cities, People, and Businesses“. Danderous, 6 de Dezembro de 2017.

Tradução: dvgurjao

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