Bancor: um cavalo de Tróia keynesiano?

Por Rickcoiner [*]

O Bancor é um protocolo que visa tornar-se um tipo de câmbio para todos os tipos de tokens ou “chips” criados no protocolo Ethereum. Este câmbio será descentralizado e você poderá alterar todos os tipos de tokens criados por terceiros instantaneamente através da moeda pertencente à referida troca de câmbio, o BNT.

A vantagem que ele oferece não é ter que esperar que alguém aceite a venda de seus tokens como acontece em uma troca de câmbio normal, já que eles dizem que este protocolo estabelece um processo automático de determinação de preços com base em algoritmos que levarão em consideração o valor provado dos tokens.

Por que o nome “Bancor”? Por ser o nome de uma moeda de reserva internacional[1] proposta pelo economista britânico John Maynard Keynes no final da segunda guerra e cuja filosofia garante que a força mais importante da economia não seja a dinâmica do mercado, e sim o regulamento do governo central com políticas voltadas para a solução de problemas no curto prazo.

Não tenho dúvidas de que o Bancor irá trazer as horríveis práticas de manipulação dos bancos centrais para o mundo das criptomonedas. Há apenas um mês, ao final da conferência Consensus 2017, o Ethereum foi a grande estrela, claramente escolhida pelos bancos para o futuro desenvolvimento de contratos inteligentes. Por que Ethereum? Pensando como um centralista, há dois motivos:

1. O Ethereum não tem limite máximo de produção em seu token e todos sabemos como os keynesianos adoram criar moedas sem limites.

2. Os contratos inteligentes não são definitivos e podem ser modificados por conveniência. Lembre-se desse triste incidente em que um indivíduo elaborou um contrato 100% legal e recebeu milhões de dólares em ETH aproveitando lacunas na lógica do protocolo. Este incidente culminou com a revogação do referido contrato e provocou a famosa bifurcação do Ethereum.

Alguns analistas salientaram que o Bancor possui vários defeitos desde a sua concepção. Não são defeitos, são características keynesianas fundamentais e do socialismo de mercado. Permita-me apresentá-los; O token “BNT” da Bancor será apoiado em 20% do seu valor total em ETH e os 80% restantes em outros tokens cuja descoberta de valor, deve ser ditada pelo mesmo protocolo automaticamente através de contratos inteligentes. O BNT não passa de uma CDO[2] infame. Um instrumento de títulos de dívida assegurada consistindo em vários ativos de dívida. Em teoria, a maioria seria constituída por ativos “AAA” e, em menor grau, ativos e uma classificação mais baixa, mas com a possibilidade de um maior retorno sobre o investimento. Na realidade, esses instrumentos de dívida mutaram em ativos tóxicos sem valor e provaram ser os principais contribuintes para o desastre financeiro de 2008 que aniquilava as instituições financeiras do tamanho de Bear Sterans e Lehman Brothers.

Não tenho dúvidas de que o BNT mudará da mesma maneira e manipulará o preço dos tokens que eles gerenciam na troca de câmbio e, como aconteceu no mundo real, eles perderão o controle disso. Está mais do que comprovado que a implementação de algoritmos não se atrela a um mercado de ativos tão volátil como criptomoedas sem criar discrepâncias severas no valor hipotético e real que inevitavelmente chega em um sistema de câmbio fixo. Em um mercado livre, não pode haver substituto para a descoberta de determinação de preços que nos proporcione a troca direta de mercadorias entre duas partes.

O Bancor promete resolver um problema que em Ethereum não existe, a “Coincidência de desejos” situação em que duas partes estão 100% de acordo para a troca de bens que ambas as partes têm. Este problema aconteceu em grande parte da história com a introdução do dinheiro. No protocolo Ethereum, qualquer token criado por terceiros pode ser trocado diretamente pelo ETH, então o BNT só vem adicionar uma camada extra um pouco redundante.

Em resumo, vimos apenas a ponta do iceberg, mas queria me concentrar na falha fundamental e a partir da qual derivam todos os problemas associados aos sistemas automáticos de fixação de preços como as inabilidades desse sistema para obter o maior preço de câmbio para o usuário e manter um saldo no valor do bem. Finalmente, as possíveis falhas na aritmética do protocolo e a falta de evidências exaustivas de sua implementação no mundo real merecem outro artigo por si só.

[*] Rickcoiner. “Bancor: ¿Un caballo de Troya Keynesiano?”. Steemit, Agosto de 2017.

Tradução: Cássia H.

[1] Ver o artigo “A nova investida para uma moeda global” de Lew Rockwell.

[2] Obrigação de Dívida Colateralizada

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