As Mulheres Não Devem Fazer Greve

Por Carrie Lukas [*]

Elas se uniram inexoravelmente aos homens para fazer a sociedade e a economia funcionarem.

Ao longo de toda história americana, greves tem sido usadas como uma poderosa tática de negociação, forçando empregadores a reconhecer o valor dos trabalhadores e sensibilizando a opinião pública sobre as duras condições de trabalho. A organização da Marcha das Mulheres deseja que as mulheres parem amanhã, no Dia Internacional da Mulher. Elas estão convocando as mulheres à tirarem um dia de folga do trabalho, remunerado ou não, e também a comprarem apenas em empresas nas quais mulheres ou minorias são proprietárias. Isto seria, em tese, para aumentar a conscientização sobre discriminação, assédio sexual e os baixos salários que supostamente as mulheres recebem.

Antes de se unirem ao grupo, as mulheres americanas deveriam perguntar: contra quem, exatamente, nós estamos lutando? Dados os alvos, parece claro que as organizadoras veem os homens, particularmente homens brancos, como equivalentes a administração e governo da economia americana, e, portanto, merecem um boicote.

Entretanto, esta é uma grosseira caracterização da economia moderna, a qual deprecia o papel proeminente desempenhado pelas mulheres. Sim, as mulheres continuam como menos prováveis a serem CEOs e membros da chefia em companhias maiores, mas, de acordo com o Bureau of Labor Statistics as mulheres correspondem a 51,1% de todas as “posições de gerência”. Três quartos dos gerentes de recursos humanos são mulheres.

Esta realidade é muitas vezes negligenciada em discussões sobre a infame “diferença salarial” – a estatística gerada pelo Departamento do Trabalho demonstra que as mulheres que trabalham em período integral ganham em torno de 80% do salário de um homem. Hoje, com exceção dos políticos desonestos, todos reconhecem que este número não é um bom indicador de discriminação no local de trabalho. Ele não compara dois colegas de trabalho em situações iguais, não considerando as diferenças existentes na indústria, especialidade, histórico de trabalho e número de horas trabalhadas. O controle de tais fatores e a diferença salarial caem para poucos pontos percentuais sem explicação.

A organização da greve pode alegar que se as divergências nos salários médios das mulheres são, em grande parte, em razão das diferentes escolhas feitas por homens e mulheres, e o sexismo é ainda o culpado de as mulheres arcarem com a maior parte do trabalho sem remuneração na sociedade, o que as leva a aceitar empregos que paguem menos. Sem levar em conta o porquê de as mulheres realizarem a maior parte do serviço doméstico e de prestação de cuidados – se elas estão refletindo premissas sociais sobre os papéis de cada sexo ou se estão expressando preferências inatas – é verdade que as mulheres muitas vezes abrem mão de lucro para priorizar a sua família.

É por isto que as organizadoras da greve querem que as mulheres parem de trabalhar por suas famílias e comunidades amanhã também. A interrupção, afinal, é a meta. É uma clássica sitcom: apenas veja o que acontece quando a mãe para de fazer as ingratas tarefas que ela desempenha! A casa vira uma bagunça, as crianças não comem nada a não ser batatas fritas e sorvete, todos se atrasam para a escola e perde-se compromissos importantes.

As famílias e a sociedade em geral deveriam apreciar as contribuições femininas para o lar e para a vida da comunidade. E elas fazem muito mais do que em eras passadas. Na sitcom, a ausência da mãe ensina a todos uma lição – particularmente ao marido atrapalhado, que reconhece finalmente quanto trabalho sua esposa faz e decide ajudar mais. Mas hoje 21 milhões de americanas moram sozinhas e outras 15 milhões vivem com suas famílias sem maridos. Se elas tirarem um dia de folga do “trabalho não remunerado” não virá ninguém para trocar as fraldas, cuidar dos pais idosos, fazer o almoço das crianças ou organizar a bagunça.

As mulheres fora do campus universitário e do mundinho do alto escalão progressista sabem disto. Eles reconhecem que a execução de tal greve seria impraticável e potencialmente cruel. Isto não é da índole das mulheres. A atividade que elas desempenham pode ser desafiadora, monótona e até desagradável – mas é feita na maior parte por autopreservação ou amor, e jamais para endossar um posicionamento politico impopular.

Por fim, a premissa fundamental do “Dia Sem Mulher” é falha. Coloca homens e mulheres uns contra os outros. Ela sugere que as mulheres trabalham duro enquanto os homens tiram delas privilégios, são descuidados e esbanjam riquezas imerecidas. Isto é ingênuo e profundamente insultante aos homens, uma visão hipócrita acerca de importantes contribuições masculinas para a sociedade.

Duvida? Apenas imagine se os homens fizessem uma greve. A maior parte dos policiais iria desaparecer, colocando todos em perigo, especialmente mulheres e crianças. O poder, a infraestrutura básica e os sistemas de transporte fechariam, assim como a maioria das fábricas e construções. O lixo literalmente se acumularia. A verdade é que os homens realizam a maior parte do trabalho perigoso, sujo e fisicamente desagradável. Eles são mortos no trabalho, muito, mas muito mais frequentemente do que as mulheres. Compensá-los pelos riscos é, aliás, outro motivo pelo qual a diferença salarial existe.

É claro que uma greve dos homens é tão impensável e impraticável como é o “dia sem mulher”. Os destinos de homens e mulheres estão inexoravelmente unidos e ambos trabalham para fazer a sociedade e a economia funcionarem. A maioria dos americanos sabe disso, mesmo que os organizadores da greve não saibam.

[*] Carrie Lukas. “Women Shouldn’t Strike”. National Review, 7 de Março de 2017.

Tradução: Patrícia Maragoni

Revisão: Rodrigo Carmo

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