Aquecimento Global: A Falácia dos 97%

  • Este artigo foi sugestão de leitura na timeline de Dennis Prager.

Original aqui.

Tradução Flávio Ghetti

Será que realmente 97% dos cientistas estão de acordo sobre as mudanças climáticas? Não aposte nisso.

climate fake23Estamos na temporada dos discursos de formatura. Uma temporada em que uma geração com um pé no cemitério oferece conselhos a uma geração com um pé no berçário. Uma temporada de platitudes e saber convencional. Uma temporada de calorosa auto-congratulação e saber vago.

Então quando o Secretário de Estado John Kerry disse aos graduandos do Boston College em 19 de Maio que há um consenso científico sobre mudanças climáticas, ninguém esperava que citasse suas fontes. Mas ele agarrou-se a um número específico, de que 97% dos cientistas mundiais acreditam que as mudanças climáticas ameaçam o futuro do planeta – e ressalta isto como uma verdade Evangélica.

Seu chefe, o Presidente Barack Obama, foi até mais severo na descrição do problema. Num tweet de 17 de Maio ele disse: “97% dos cientistas concordam: #mudança climática é real, antropogênica e perigosa. Leia mais em: OFA.BO/gjsFp”.

97% é um número bastante específico. De onde ele veio?

Felizmente, o Sr Obama informou sua fonte numa nota de rodapé: um artigo publicado no jornal Enviroment Research Letters escrito por um cientista Australiano da Universidade de Queensland, John Cook, e diversos colegas. Eles foram ainda mais específicos: “97,1% (dos cientistas) endossam a posição de consenso de que humanos estão causando o aquecimento global”.climate fake1

Baseado neste artigo (e alguns outros), a Associação Americana para Avanço da Ciência, a maior organização não governamental em ciências gerais do mundo e editora da revista Science, um importante periódico científico, lançou a campanha, “O Que Sabemos”, para convencer o público de que há uma virtual unanimidade entre os cientistas.

Tenho poucas dúvidas de que muitos cientistas concordem que mudanças climáticas sejam reais e causadas pelo homem (antropogênica). Mas 97% deles concordam em suas proposições? Façamos um teste de realidade aqui. Em que outra questão os acadêmicos alcançam 97% de concordância? (outra que não seja a de que eles são mal remunerados). De que o sol nascerá amanhã? Não, alguns dirão, porque o sol não nasce, a terra é que gira. Não, porque podemos apenas afirmar que é provável, mas não certo. Não, porque podemos estar vivendo num “multi-universo” onde o sol não nascerá em 28 de Maio, etc, etc, etc…

Examinemos como Cook et al chegaram a este número bastante preciso.

Primeiro, eles pesquisaram em resumos (abstracts) de 11.944 artigos em periódicos editados por seus pares de 1991 a 2011 que incluíssem os termos “mudança climática global” ou “aquecimento global”. No mínimo, então, sua conclusão está desatualizada em 3 ou 4 anos.

Segundo, eles os classificaram em quatro pilhas: sem posição sobre o aquecimento global antropogênico, apoio, rejeição e incerteza. A maior pilha (66,4%) foi “sem posição”. Da menor pilha que expressou opinião, 97,1% “endossa a posição de consenso de que humanos estão causando o aquecimento global”.

climate fakeIsto já soa bastante estranho. Isto não é o que o público entende por consenso. O cidadão mediano é autorizado a imaginar que 97,1% de concordância significa que 97,1% dos cientistas sufragaram numa votação proposta. Mas ninguém jamais votou. Ao invés, voluntários recrutados pelo website Skeptical Science separaram os artigos e interpretaram a quase sempre obscura linguagem dos resumos científicos. Desde que o slogan do website é “refutando a desinformação sobre aquecimento global”, as interpretações dos voluntários foram vinculadas a serem enviesadas a favor do “consenso”.

Conscientes deste problema, Cook et al procuraram as opiniões dos próprios autores. Isto pôde ser construído como uma medida da votação. Haviam 29.083 autores listados em 11.944 artigos. Destes, para apenas 8.547 foram enviados e-mails perguntando por suas opiniões. Dos quais, apenas 1.189 responderam. Usando este método, Cook e sua equipe descobriram que uma proporção ainda maior destes concordavam que as mudanças climáticas são reais e causadas pelo homem – 97,2%. Mas observe que apenas 4% dos autores “votaram”. Uma medida de votação com participação de 4% não é o que o cidadão médio entende por “consenso”.

Finalmente, Obama apressadamente acrescentou a palavra “perigoso” em seu tweet. Nem mesmo Cook e seus colegas do Skeptical Science ousaram afirmar que 97% dos cientistas acreditam que o aquecimento seja “perigoso”. Talvez muitos deles o façam, mas exatamente quantos, é do conhecimento apenas de Deus e de Barack Obama.

Cientistas e políticos não fazem a si mesmos nenhum favor quando usam estatísticas fajutas e relações públicas insensatas para vender hipóteses científicas ao público. Mais cedo ou mais tarde o cidadão mediano despertará para o fato de que foi manipulado. A reação pode ser nefasta.

É claro, os artifícios de mestres do giro não refutam a realidade do aquecimento global. Pode estar acontecendo. Pode ser perigoso. Pode ser o maior desafio moral de nossa geração. Mas falta ser provado que haja consenso científico sobre qualquer destas proposições.

3 comentários

  • Flávio Mello

    Putz!!! Mais uma vez este eterno mimimi….

    A tragédia da Direita é a manutenção desta ingenuidade quase comovente no trato da questão ambiental, não importa o tema.

    Enquanto a esquerda tornou a questão ambiental uma ferramenta politica, a direita insiste em usar como argumento apenas a desqualificação sem lastro e a negação pura e simples.

    No caso do aquecimento global, a realidade é que não importa se a causa é antropogênica ou não, já que as alterações climáticas locais, que sofrem forte influencia da arquitetura e padrão de desenvolvimemnto, reforçam a tese do aquecimento global, pois pessoas no undo inteiro sentem o aumento da temperatura, não imprta se é por ciclo solar, el niño ou o que quer queseja, vale a explicação com melhor marketing.

    Enquanto a direita não retomar a questão ambiental de maneira séria, prevalecerá a versão da esquerda com todos os ganhos concorrentes. afinal, com a revolução cultural quase festejando 100 anos, em algum momento teremos que contar a nossa história ou calar para sempre…

  • fghetti

    Mostrar que é fake não vale?

  • Robledo

    Flávio Mello. Não há aquecimento global provocado pelo homem. O homem (ainda) não é capaz de interferir no clima do planeta, apenas localmente como foi dito, principalmente pelos motivos alegados pelo mainstream, como a emissão de gás carbônico na atmosfera. Assista aos vídeos de Luis Carlos Molion, o melhor no assunto do Brasil.

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