(Anti) Educação Moderna

Assista ao curta metragem de Neel Kolhatkar. Em Modern Educayshun Neel aborda a questão da ideologia na educação. #escolasempartido

O texto a seguir foi adaptado de How to Read a Book, de Mortimer Adler (Publicado no Brasil com o título A Arte de Ler).

Se dois professores ensinassem no mesmo colégio – um, que tivesse descoberto alguma verdade, e outro, que repetisse o trabalho do primeiro – qual dos dois vocês prefeririam ouvir? Sim, mesmo admitindo que o repetidor prometesse simplificar as coisas, falando para o adiantamento de vocês, não se suspeitaria que esse ensino de segunda mão fosse de algum modo falho, na qualidade ou na quantidade? Se vocês pagam o maior preço em esforço, são melhor recompensados.

Isso acontece, sem dúvida, porque muitos professores primários (os que descobriram alguma verdade) morreram – morreram os homens, e os livros que eles deixaram são professores-mortos – enquanto que muitos dos professores-vivos são professores – secundários (“repetidores” de verdades). Mas suponhamos que pudéssemos ressuscitar os professores – primários de todos os tempos. Suponhamos que existisse um colégio ou universidade cujo corpo docente fosse assim constituído: Heródoto e Tucidides ensinavam Historia da Grécia e Gíbbon falava sobre a decadência de Roma. Platão, Boécio e São Tomas davam, juntos, um curso de Metafísica. Francis Bacon e John Stuart Mill discutiam a lógica da Ciência; Aristóteles e Emanuel Kant abordavam os problemas morais. Thomas Hobbes, John Locke, Alexis de Tocqueville e Eric Voegelin falavam sobre Ciência Política. As lições de Matemática eram dadas por Euclides, Pitágoras, Descartes, Riemann e Cantor, com Pascal e Leibniz de contra peso. Podia-se ouvir Santo Agostinho e William James falarem da natureza do homem e da inteligência e Duns Sccot, o Doutor Sutil, a comentar as aulas. Harvey discutia a circulação do sangue e Galeno, Claude Bernard e Haldane ensinavam Fisiologia geral. As aulas de Física se adaptavam ao talento de Galileu e Newton, Faraday e Maxwell, Planck e Einstein. Boyle, Dalton, Lavoisier e Pasteur ensinavam Química . Darwin e Mendel davam as principais noções de Evolução e Genética, com palestras suplementares por Bateson e T. H. Morgan. Aristóteles, Sir Philip Sidney, Wordsworth e Shelley tratavam da natureza da Poesia e dos princípios da Crítica literária, ajudados por T. S. Eliot. As aulas de Economia estavam aos cuidados de Adam Smith, Mises e Hayek. Havia lições de arte por Leonardo da Vinci e um estudo sobre Leonardo, por Jung. Pode-se imaginar um corpo docente muito mais vasto do que esse, mas fiquemos por aqui.


Será que alguém iria para qualquer outra universidade, podendo ingressar nesta? Não haveria limite de matrículas. O preço do ingresso – e única exigência para a admissão – seria habilidade e vontade de aprender.

O fato é que esta escola existe, para todos que queiram e sejam capazes de aprender com os professores de primeiro grau, mortos, porque não ‘podem sacudir o torpor de nossa ignorância, com sua presença viva. Não estão mortos em nenhum outro sentido. Se o mundo contemporâneo os considera mortos, então, como um escritor renomado o afirmou, estaremos repetindo a loucura dos antigos atenienses, que pensaram que Sócrates morreu quando bebeu cicuta.

Tradução: Flávio Ghetti
Revisão: Helio Costa Jr.

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