Andrew Klavan: Comemoremos as boas coisas da Cultura Pop

Por Andrew Klavan [*]

breitbart_bannerHá anos que alguns de nós conservadores se esforçam para retomar a cultura popular americana. Cansados de filmes, programas de televisão, música e literatura desfigurados por um conformismo rígido para com a ideologia de esquerda, temos procurado libertar as artes das garras de uma elite alienada e tacanha e devolvê-la a artistas em sincronia moral com a maioria dos americanos. A idéia, tanto quanto eu a entendo, não é transformar o cenário da cultura pop num cenário de patriotismo e fidelidade sentimental, ou limitar a criação artística apenas a imaculados divertimentos familiares. Quero apenas ver mais arte que represente o universo moral como ele é: que, por exemplo, mostre um mundo em que a liberdade seja melhor que a escravidão e que, portanto, a América seja melhor que, digamos, a Arábia Saudita; um mundo em que a coragem militar em defesa do que é certo seja algo digno de honra, e que, portanto, um soldado americano lutando contra um islamofascista seja um herói e não um agressor; um mundo em que a fé possa ser edificante e não corruptora; em que mulheres e homens sejam diferentes e, portanto, possam ser justamente tratados de forma diferente; em que idéias e comportamentos possam ser julgados por seus próprios méritos, não importando se as pessoas envolvidas sejam brancas, marrons ou negras.

Nos últimos 40 anos uma grande parte de nossa cultura foi dedicada à propaganda, a normalizar e promover o relativismo moral, o ateísmo e o multiculturalismo descerebrado. A profunda corrupção filosófica que agora impregna nosso governo e a ofensiva da Administração Obama contra as tradições e valores americanos nunca teriam acontecido se em primeiro lugar não tivéssemos perdido a cultura; e essa corrupção e essa ofensiva nunca vão acabar totalmente até que a tomemos de volta.

Mas não podemos reconquistar as artes a não ser que tenhamos amor por elas. Há conservadores demais que se orgulham do próprio espírito filisteu. Gabam-se de “não verem um filme há anos” como se isso fosse algum tipo de façanha. Muitos outros querem cortar as asas da imaginação artística, exigindo que os artistas se afastem de tudo que seja perturbador, violento ou sexual, ou seja, de grande parte daquilo que é a própria vida.

Os artistas trabalham mais por amor do que por dinheiro, e a menos que aprendamos a celebrar e cultivar o que é bom em nossa cultura, ela não se desenvolverá. Sim, é correto expressar indignação moral quando um filme como “Avatar” desmoraliza nossas tropas em campo ou quando um programa de TV como “Law and Order” é implacável ao apresentar patriotas e sacerdotes como vilões. Mas essa indignação moral pode se tornar um vício. Pode nos impedir de desfrutar — ou mesmo perceber — o trabalho fantástico que está sendo produzido à nossa volta.

Podemos levar em consideração, por exemplo, que tanto o maior dramaturgo inglês vivo — Tom Stoppard — quanto o maior dramaturgo americano vivo — David Mamet — não são apenas brilhantes, mas politicamente conservadores. Podemos nos deleitar com alguns dos belíssimos vídeo games que permitem que jovens imaginem a si mesmos como soldados americanos e outros heróis, assim como nós, os mais velhos, costumávamos fazer quando assistíamos os filmes de John Wayne e Clint Eastwood.

Ou podemos levar em consideração a televisão, que tem passado por uma Idade de Ouro surpreendente com grandes dramas policiais como “The Wire” e “The Shield”, séries como “A Família Soprano” e “The Tudors”, e uma abundância de boas e descomplicadas comédias e mistérios como “The Big Bang Theory” e o novo “Justified”. E embora muito do entretenimento familiar ainda esteja atrelado ao politicamente correto, também há coisas maravilhosas como “Up”, “Ratatouille” e “Os Incríveis”.

A boa arte é como aquelas flores do deserto que crescem com qualquer gota de água que possam encontrar. Estão crescendo agora, e temos de nutrí-las e mantê-las vivas até que as mentiras esquerdistas emudeçam e a cultura volte a falar da verdade.

[*] Andrew Klavan. “Celebranting the Good Stuff”. City Journal, 16 de Abril de 2010.

Tradução: Felipe Alves

Revisão: Rodrigo Carmo

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