A Tomada de Hollywood pela China Comunista

Por Daniel Greenfield [*]

O circuito exibidor americano está em sua maior parte nas mãos de poucas companhias. Metade das telas de cinema da América é controlada por apenas quatro companhias: Regal, AMC, Cinemark e Carmike.

AMC é a segunda maior cadeia de cinemas do país e é dona de cerca de 22 por cento das telas do país. E está sendo vendida para o Dalian Wanda Group da China.

Pondo de lado o impacto econômico normal de tal negociação, o Dalian Wanda Group põe-se agora em posição de controlar quais filmes serão exibidos nos cinemas americanos.

Com o controle sobre quase um quarto das telas do país, a maioria em grandes cidades, AMC/Dalian Wanda Group pode agora ditar o conteúdo dos cinemas.

A venda em si não é novidade, aconteceu ano passado, mas o Dalian Wanda Group não vai parar por aí. O grupo planeja investir 10 bilhões de dólares na indústria cinematográfica americana e já busca coproduções com estúdios americanos. Nos velhos tempos alguém falaria em monopólio, mas há muito que os políticos aprenderam a ignorar questões de monopólio quando o assunto é Hollywood.

Mas o que é exatamente o Dalian Wanda Group? Seu presidente, Wang Jianlin, é membro proeminente do Partido Comunista e tem laços estreitos com o regime. Na proposta de compra da AMC chega-se até mesmo a se destacar o papel de Jianlin como delegado do 17º Congresso do Partido Comunista da China. Mas evita, porém, explicitar o termo “Comunista” do nome do partido.

Enquanto isso, censores da China Comunista já supervisionam a produção, e mesmo a fase de redação do roteiro, de vários filmes americanos, já que a aceitação da censura é o único modo de penetrar a “cortina de seda vermelha”.

Quando “Kung Fu Panda 3” iniciar sua jornada aos cinemas chineses em 2016, os vigilantes censores do país não encontrarão nenhuma surpresa desagradável. Afinal eles já monitoraram o filme no campus da DreamWorks Animation daqui. E aprovaram a trama, a direção de arte e outros elementos criativos do filme.

Coproduções como “Kung Fu Panda 3” são a cada passo monitorados de perto pelos censores. Os roteiros são submetidos a eles antecipadamente. De acordo com o Sr. Cohen e outros, representantes da SARFT (Administração Estatal da Imprensa, Publicações, Rádio, Cinema e Televisão da República Popular da China) são autorizados a estarem presentes nos estúdios para prevenir quaisquer desvios.

À testa da SARFT está Cai Fuchao, um membro recente do Comitê Central do Partido Comunista. Quando ocupava um porto na prefeitura de Pequim, foi amplamente divulgada a sua atuação no policiamento de web sites em busca de material proibido, com a ajuda de 10.000 voluntários, e de ter participado da apreensão de um milhão de exemplares de livros publicados ilegalmente em 2004.

A ironia disso tudo é que os esquerdistas de Hollywood, que tempos atrás protestavam contra a censura anticomunista, agora aceitam voluntariamente a censura dos comunistas.

Steven Soderbergh, cujo filme “Contágio” foi rodado parcialmente em Hong Kong, disse que a participação dos censores chineses foi simplesmente uma voz a mais no coro de influências que cerca toda produção de alto orçamento.[1]

Não estou moralmente ofendido ou indignado”, Soderbergh disse. “É fascinante ouvir como as pessoas interpretam a sua história”.

E agora um pouco de cobiça e relativismo moral por parte de James Cameron.

P: Você considera a mesma coisa com relação à censura chinesa?

R: Você tem um pouco mais de escolhas aqui. Não é algo draconiano. Mas não posso emitir julgamentos sobre um outro processo cultural. Não acho que seja sadio.

P: Você já conversou com outros cineastas – seus colegas – sobre a censura chinesa?

R: Não. Não estou interessado na realidade deles. Minha realidade é que eu fiz dois filmes nos últimos 15 anos e ambos tiveram grande sucesso aqui, e que aqui é um mercado importante para mim. Sendo assim, farei o que for necessário para que este mercado continue sendo importante para meus filmes. E eu jogarei pelas regras que são internas a este mercado.

[*] Daniel Greenfield. “Communist China’s Hollywood Takeover”. The Frontpage Mag, 5 de Março de 2013.

Tradução: Felipe Alves

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