A Revolução Tecnológica Iminente

Estamos à beira de uma revolução tecnológica que vai alterar drásticamente a maneira como vivemos, trabalhamos e nos relacionamos uns com os outros. Em escala, alcance e complexidade, a transformação será diferente de qualquer coisa que a humanidade tenha vivenciado anteriormente. Ainda não sabemos como se desenvolverá, mas uma coisa temos que pensar: ficarão os globalistas, o estamento burocrático, os oligopólios, os “intelectuais” orgânicos, os professores doutrinaores e a militância socialista de fora?

A Primeira Revolução Industrial utilizou água e vapor para mecanizar a produção. A Segunda usou energia elétrica para produzir em larga escala. A terceira usou a eletrônica e a tecnologia da informação para automatizar a produção. Agora, a Quarta Revolução Industrial está surgindo das entranhas da Terceira, uma revolução digital que ocorre desde meados do século passado. Caracteriza-se por uma fusão de tecnologias que está quebrando os limites entre as esferas físicas, digitais e biológicas.

Há três razões pelas quais as transformações de hoje representam não apenas um prolongamento da Terceira Revolução Industrial, mas sim a chegada de uma Quarta e distinta: a velocidade, o escopo e o impacto dos sistemas. A velocidade dos avanços atuais não tem precedentes históricos. Quando comparado com as revoluções industriais anteriores, a quarta está evoluindo em um ritmo exponencial ao invés de linear. Além disso, está perturbando quase todas as indústrias [das quais o sucesso depende de favores políticos] de todos os países. E a amplitude e profundidade dessas mudanças anunciam a transformação de sistemas inteiros de produção, gestão e governança.

As possibilidades de bilhões de pessoas conectadas por dispositivos móveis, com poder de processamento sem precedentes, capacidade de armazenamento e acesso ao conhecimento, são ilimitadas. E essas possibilidades serão multiplicadas por descobertas tecnológicas emergentes em áreas como inteligência artificial, robótica, Internet de Coisas, veículos autônomos, impressão em 3D, nanotecnologia, biotecnologia, ciência de materiais, armazenamento de energia e computação quântica.

No clássico “A Invasão Vertical dos Bárbaros” de Mario Ferreira dos Santos, o autor dispõe, entre outros temas, da Barbarização da Ciência e da Técnica, alertando-nos das conseqüências de desligarmo-nos,ou seja, de nós, conservadores, nos abtermos de temas tão importantes e sensíveis quanto esse, “como se fez, o cientista da filosofia perene (e é perene por que é per annus e atravessa os anos, como o pitagorismo que continua em pé, como continua o platonismo, e também o aristotelismo, o tomismo, o escotismo e o suarezismo, o avicenismo e o averroismo, filosofias positivas, e seriamente construídas), o sábio, graças a esse desvinculamento, pensando que filosofia é essa mixórdia que se apresenta por aí, despreza-a totalmente, e entregue apenas à aridez da sua especialidade, desligado da universalidade, poderá tornar-se um monstro que vê tudo segundo a cor da sua proveta, e dentro do campo estreito que lhe permite ver a sua viseira. E então será ele um candidato nato ao barbarismo. Imaginai todo o poder da ciência e da técnica atual em mãos de bárbaros. Não é preciso muito esforço para conceber o que de terrível se passaria sobre o mundo. Não é exigível uma imaginação fértil demais para conceber o que seria de nós, se meros especialistas, que nada entendem do que estiver fora da sua especialidade, e que nem conhecem os princípios da sua especialidade, que só a filosofia pode tratar deles e por isso, nem a sua especialidade conhecem bem, todos esses seres, estranhos e desconhecidos, ignotos, incomunicáveis uns aos outros, servindo a algum César, que deles surjam e que é sempre bárbaro, nos transformaríamos em cobaias, em tubos de experiência, em coisas numeradas e protocoladas. Que mundo terrível esse! E esse mundo vem aí, senhores, esse mundo se aproxima a passos de gigante. Não é para séculos, é para decênios. E tudo isso não se soube evitar. Nada se fez de útil para humanizar esses sábios, que pouco ou nada têm de sabedoria, porque esta é uma virtude prática, que nos liga às virtudes dianoéticas, mas que tem como objeto o conhecimento dos primeiros princípios.

E o estudo dos primeiros princípios está desterrado da maioria das escolas. O cepticismo e o agnosticismo produziram seus frutos. Há legiões de professores cépticos e agnósticos, que dizem que nada podemos saber dos primeiros princípios. Que eles não possam saber, não duvidamos, e aceitamos como verdade. Mas que ninguém possa saber, é mentira. Não têm esses senhores o direito de levar a sua petulância e temeridade a ponto de julgar que os outros todos são como eles. Não lhes cabe o direito de fazer afirmações tão categóricas em matéria que, de antemão, eles reconhecem que nada sabem.

Onde está a prova de que estudaram o assunto? Não conhecemos nenhuma, nem ninguém conhece nenhum que tenha dedicado o seu tempo a estudar aqueles que realmente trataram dos primeiros princípios, e também dos últimos. São eles ignorantes sobre as obras mestras que se dedicaram a essa matéria. Nem por ouvir dizer eles as conhecem. Ignoram até os nomes dos principais autores. Nunca se debruçaram a analisá-las, nem cremos que seriam capazes de faze-lo devido à fraca mente filosófica que dispõe. Seria mister que começassem desde o princípio, ao beaba da filosofia, pois desconhecem a Lógica Formal, a Material, a Demonstrativa, a Dialética no bom sentido, a Matese, a Ontologia, etc. Nada estudaram de Crítica, porque se tivessem estudado não defenderiam idéias falsas já ultrapassadas por milênios, refutadas totalmente, que se reavivam em suas mãos.

Esses homens não aceitam o debate com os que lhes poderiam pôr à mostra a sua ignorância palmar. E se a aceitam, fogem pelas portas falsas da piada ou das desculpas ridículas, deplorando a fraqueza da mente humana para entender o mais elevado, razão pela qual é melhor suspender os juízos, porque nós nada podemos saber, por nos estar vedado para sempre o conhecimento dos primeiros princípios, cujas leis regem todas as esferas da realidade.

O que esses senhores fazem é simplesmente isto: mentem e provam que nada conhecem do assunto. Mas como ocupam postos, que dão a presunção de que são realmente sábios, podem, então, aproveitando-se da ignorância natural e desculpável da juventude, instilar o seu veneno céptico ou agnóstico. Pretendem, assim, fechar para sempre as portas por onde os jovens, que serão os cientistas e técnicos de amanhã, poderiam enveredar e encontrar apoio sólido para os seus estudos, e também encontrar a linguagem universal que os uniria aos companheiros, evitando que, ao tornarem-se especialistas, não contenham o necessário grau de universalidade, que lhes permita ser um afim daqueles que seguem caminhos outros. Neste caso, os sábios se entenderiam. Mas que sucederia se cientistas e técnicos se entendessem?” [1]

Afinal, como irão se comportar os sindicatos quando as categorias que dizem representar se tornarem obsoletas? Irão os justiceiros sociais por analogia ao direito jurídico adquirido por animais domésticos propor equivalência em relação as máquinas como em Animatrix?

Fonte:

[1] FERREIRA DOS SANTOS, MARIO. A Invasão Vertical dos Bárbaros. 1ª Edição. São Paulo: É Realizações, 2012.

Referências:

The incredible inventions of intuitive AI | Maurice Conti
https://www.youtube.com/watch?v=aR5N2Jl8k14

How AI can bring on a second Industrial Revolution
https://www.youtube.com/watch?v=IjbTiRbeNpM

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