“A Civilização Ocidental está sofrendo de um grave ataque de alergia”

Por Bill Whittle

Bill Whittle

(…) Buscando e isolando a causa deste ataque insano e sem fim de uma pessoa à sua própria sociedade – este desejo de suicídio, este ataque patético à ideia de força, este desejo de morte – nos encaminha a um labirinto. Eu não acredito em conspirações. Então, o que poderia explicar o porquê de tantas pessoas sentirem a necessidade de atacar a sociedade mais livre e expressiva do mundo, enquanto glorificam as mais terríveis e odiosas?

Uma analogia continua me fascinando:

Nós sabemos que alergias ocorrem quando os mecanismos do sistema imunológico do corpo humano atacam, por engano, células saudáveis, falsamente reconhecendo-as como estranhas e perigosas. De forma resumida, as defesas do corpo vão à guerra contra o próprio corpo.

Aqui está o que me deixa intrigado: pesquisas recentes parecem indicar que, quanto mais limpo e higienizado se tornar o ambiente em que vivemos, estaremos mais suscetíveis a desenvolver alergias. Alergias aparecem em números muito inferiores à crianças criadas em fazendas, que são expostas a toda sorte de elementos infecciosos – sem mencionar os cortes e arranhões, causados por realizarem trabalho físico de verdade. E, na medida em que nos tornamos mais obcecados em higienizar tudo ao nosso alcance, as alergias crescem vertiginosamente.

O que parece estar acontecendo é isto: quanto mais nós formos expostos à infecções de verdade, mais fácil será para o nosso sistema imunológico identificar células estranhas de células hospedeiras, visto que haverá células estranhas em abundância. Estes agentes infecciosos exigem continuamente a produção de anticorpos e a distinção entre células do corpo e estranhas é clara e continuamente redefinida. Em ambientes excessivamente antissépticos, esta distinção desaparece, devido à falta de uso e o sistema imunológico do corpo volta-se contra si mesmo.

Estes ataques de alergia proporcionam desde um desconforto médio até o quase instantaneamente fatal.

E um ataque de alergia sério e potencialmente fatal é exatamente o que está acontecendo com a Civilização Ocidental hoje.

Considere o seguinte:

Se você, genuína e honestamente, acredita que você pode comparar George W. Bush a Adolf Hitler, isto significa que você está tão por fora dos horrores do regime nazista – espancamentos diários nas ruas; confisco e destruição de lojas, residências e propriedades; e deportação e extermínio de milhões
de seus compatriotas – que
você é funcionalmente incapaz de produzir o mais básico nível de distinção. Se você compara, sem hesitar, Abu Ghraib a um campo de extermínio Nazista, então você nunca foi a Abu Ghraib ou a um campo Nazista – isto é óbvio e seria cômico se não fosse trágico. Por nunca ter sido exposto ao mal genuíno, você literalmente não possui concepção nenhuma do que isto significa.

(Imigrantes americanos provenientes da Polônia, Rússia, Cuba ou Iraque praticamente não apresentam esta insanidade. Eles sabem como é viver com a presença de uma polícia secreta de verdade.)

Permita-me, se puder, esclarecer isto. O senador Kennedy afirma que Abu Ghraib é, simplesmente, uma reedição das câmaras de tortura de Saddam Hussein “sob nova direção – dos Estados Unidos”. Partindo da sua premissa – uma proposta desconfortável, logo de cara – ele, aparentemente, não consegue enxergar a diferença entre a humilhação de inimigos de combate, que é vergonhosa, nojenta e repreensível, e o assassinato, tortura e estupro coletivo de 300 mil homens, mulheres e crianças inocentes – o que é algo pior. Então, senador, aqui está uma analogia que pode lhe ser útil: a diferença é a mesma entre parar o seu carro e deixar a sua secretária na rua em um dia de chuva – o que é vergonhoso, nojento e repreensível – e prendê-la no carro e jogá-lo no rio, enquanto você observa as bolhas na água e pensa sobre as repercussões políticas.

O que é algo pior, senador.

Os americanos de hoje nunca conheceram tortura, repressão ou assassinatos promovidos pelo Estado, de modo que isto se reduz a um conceito retórico para a maioria de nós. Pessoas que defendem Saddam, Kim e Castro não possuem nenhuma ideia do que significa viver nestes lugares. Nenhuma. Logo, nos seus pequenos mundos seguros e antissépticos de cafés e salas de bate-papo, tudo se reduz à retórica. E, como no final, nada passa de palavras, eles sentem que podem vencer uma discussão, pois as suas retóricas estão no ápice.

“Bushitler”

Em casos extremos – infelizmente, cada vez mais frequentes – estas pessoas não odeiam apenas a América; elas odeiam tudo. Elas não vêem nada na história americana além de escravidão e as Guerras Indígenas. Eles frequentemente dizer morar – ou que prefeririam morar – em nações civilizadas mais refinadas e decentes, como Canadá, Reino Unido e Nova Zelândia, como se canadenses brancos, falando inglês tivesse crescido do solo, como milho em um horizonte vazio, sem índios ou esquimós; ou como se os milhares de anos de conquistas inglesas sobre Índia, China, África, Irlanda, Escócia e País de Gales tivessem ocorrido em um universo paralelo; ou como se os guerreiros Maoris tivessem invadido e tomado as Ilhas do Norte e do Sul de seus habitantes indígenas pacíficos; ou como se a França não fosse o pedaço de terra mais manchado de sangue em todo o planeta; ou como se os líderes russos nunca tivessem levantado a mão contra o seu próprio povo sofrido; ou como se a Escandinávia não fosse o epicentro de séculos de estupros, pilhagens, assassinatos e miséria; ou como se os astecas dissessem “Gracias” em espanhol castelhano, enquanto eles arrancam os corações dos seus prisioneiros ainda vivos; ou como se os próprios espanhóis nunca tivessem tido uma inquisição, a Itália nunca tivesse tido as guerras entre os Estados Papais; como se a Alemanha… pois é.

Ou como se africanos tivessem sido escravizados apenas por brancos cristãos; ou como se o Japão nunca tivesse feito nada além de caligrafia e origami por milênios; como se a África do Sul fosse um exemplo de liberdade de expressão e direitos individuais; ou como se a China fosse uma campeã da democracia e do homem comum; como se, como se… todas as malditas conquistas, guerras e deslocamentos fossem somente feitos pela América ou que, de forma igualmente absurda, nós merecemos morrer por não termos nascido perfeitos e imaculados – como eles, em seus universos egocêntricos, esperam que todos os outros sejam.

E assim eles relincham todos os exemplos possíveis de atrocidades humanas como se eles fossem o advogado Atticus Finch* em um tribunal abafado; estes críticos, snipers e ativistas, que não apresentam nenhum plano, solução ou respostas para estas questões eternas, sujas e complexas e decidem permanecer em suas bolhas de perfeição do homem que não faz absolutamente nada. E enquanto bons homens e mulheres – melhores sob qualquer aspecto – lutam para fazer do mundo um lugar melhor e mais seguro, eles tornam-se mais e mais desconectados da feiura e brutalidade que compõe metade – e apenas metade – desta existência humana falha, defeituosa, esperançosa e nobre.
Devido ao fato de que todos nós nascemos com esta legião de demônios dentro dos nossos corações, eles odeiam a si mesmos mais do que qualquer outra coisa. Estas pessoas são derrotadas, carregando a culpa do mundo em seus espíritos derrotados e olhando tão para baixo que elas não enxergam nenhum tipo de nobreza, progresso ou redenção. Eles são cascas vazias, miseráveis, amargas e cínicas. Veja eles como eles são: nada mais que o cara da loja de quadrinhos dos Simpsons: Pior. País. De sempre.

Estas pessoas são inúteis. Elas perderam completamente a noção da realidade. Elas se foram.
Não discuta com eles, não os deem oportunidades. Eles querem resumir isso a retórica e sofismas – com os quais eles possuem fetiches – e não à simples diferença entre o certo e o errado, que é um mundo onde eles não produzem reflexos.

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* personagem do livro “O Sol é para todos” (título original: To Kill a Mocking Bird), de Harper Lee.

O texto acima é um trecho do livro “Silent America” (sem tradução para o português), de Bill Whittle. Mais especificamente, trata-se de um trecho do capítulo entitulado “Strenght” (Força).

Tradução: cpac
Revisão: Israel Pestana

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