A catastrofização e os “demônios” da esquerda radical

Por Daniel Greenfield

maxresdefaultVamos começar com a “catastrofização”. Isso significa o que parece: acreditar que as coisas são indizíveis e inimaginavelmente terríveis. É normalmente adotada pelas pessoas quando estão avaliando suas vidas pessoais, mas isso possui aplicações politicas claras.

“Meus demônios venceram hoje”: O suicídio do ativista de Ohio expôs a depressão entre os líderes do Black Lives Matter.

 Desde a morte de McCarrel, no início da semana passada, as notícias sobre seu suicídio embalaram o movimento de protesto contra a polícia, forçando uma sessão de introspecção acerca de uma realidade que antecede ao assassinato seminal de um adolescente negro em Ferguson no ano de 2014, a saber: alguns dos mais proeminentes ativistas e organizadores de protestos estão lutando não apenas contra o sistema, mas também contra a depressão.

 Em Oakland, Califórnia, uma ativista proeminente postou seu número de telefone para uma linha direta de prevenção de suicídios em sua página no Facebook. Em Cleveland, um líder organizador confessou no Facebook que também tentou tirar sua própria vida. Dezenas de outros tem compartilhado histórias de suas batalhas contra a depressão, a ansiedade e a insegurança no Twitter.

 “Em um movimento onde você está justamente se engajando de modo constante contra a morte de negros, vendo o impacto na comunidade,” diz Jonathan Butler, o estudante de pós-graduação da Universidade do Missouri cuja greve de fome no último outono levou à renúncia do presidente da universidade, “você é confrontado com a realidade de que é mais suscetível de ser morto pela polícia, de ser discriminado. Você começa a ver todas as micro-agressões.”

 Como muitos ativistas de destaque, Butler disse que tem lutado por muito tempo contra a depressão, que começou com a morte de seu avô em 2011. Seu envolvimento com os protestos às vezes piorava sua saúde mental, disse ele, não apenas por causa da tensão emocional de um foco determinado no racismo, mas também por causa de mais stresses mundanos, tais como o escrutínio da mídia e os conflitos internos entre aliados.

A matéria do The Washington Post obviamente reconheceu esse fato. A mídia também caminha para isso. E, ainda assim, o artigo conta uma história muito diferente. Não tanto sobre a fragilidade negra, mas quanto ao senso de fragilidade e de calamidade adotada pela pessoa desequilibrada.

Butler, que começou com boa parte da confusão no campus, tem lidado com problemas relacionados à depressão há algum tempo. A narrativa imaginária do genocídio negro que ele sintetizou é típico da catastrofização. O psicólogo social Jonathan Haidt foi uma das poucas personalidades conhecidas a ligar a catastrofização à histeria desses movimentos ativistas. [NT: A citação abaixo se refere à polêmica criada pela Comissão de Assuntos Interculturais da Universidade Yale, quando da divulgação de um e-mail que aconselhava os alunos da instituição a não usar fantasias ofensivas durante as festas de Halloween da Universidade]

Burns define a catastrofização como um tipo de ampliação que transforma “acontecimentos negativos normais em monstros aterradores.” Leahy, Holland e McGinn a definem como a crença de que “o que tem acontecido ou acontecerá” é “tão nefasto e terrível que você não será capaz de suportar.” Solicitações de avisos de sensibilidade envolvem a catastrofização, mas essa forma de pensar também influencia outros tipos de pensamento no campus.

Em “The Coddling of the American Mind”, Greg Lukianoff e Jonathan Haidt argumentam que muitos estudantes universitários se dedicam à “catastrofização”, o que quer dizer: fazer de acontecimentos normais experiências aterradoras, ou se queixar que acontecimentos facilmente toleráveis são muito difíceis de lidar.

Nós não estamos pedindo para sermos mimados”, a carta aberta insiste. “O verdadeiro mimo é dizer à maioria privilegiada do campus que eles não tem que se preocupar com o passado brutal que as fantasias que eles querem vestir representam.” Mas ninguém afirmou que os estudantes não devem ser questionados sobre as fantasias ofensivas – foi dito apenas que os estudantes de Yale, e não administradores intrometidos, devem fazer o questionamento, conduzir as conversas, e definir as normas por si mesmos. “Nós simplesmente pedimos para que nossa existência não seja invalidada no campus.”, diz a carta, catastrofizando.

A noção de que a existência de alguém pode ser invalidada por um estudante de 18 anos vestindo fantasias ofensivas talvez seja a ideia mais degradante circulando em Yale.”

Mas a impotência fingida pode também ser uma demonstração de força. Muito do ativismo esquerdista combina paradoxalmente as queixas de incapacidade com as reivindicações por empoderamento. No entanto, isso também pode ser um reflexo dos “demônios”, problemas de saúde mental implícitos que são alimentados pelo ativismo radical. O ativismo político desse tipo possibilita o surgimento de doenças mentais e as promove. Alimenta a paranoia, a impotência e o pensamento catastrófico.

Butler realmente chega e diz: “Você começa a ver todas as micro-agressões.”

Algumas horas antes de tirar sua própria vida, McCarrel postou uma mensagem final no Facebook: “Meus demônios venceram hoje. Me desculpem.”

Há muitos companheiros nesse movimento que possuem sérios problemas mentais”, diz Alexis Templeton, que está entre os principais líderes em St. Louis. “Muitos dos companheiros estão à beira do suicídio.”

E isso não é racismo, estrutural ou de qualquer outro tipo. O ativismo político dessa espécie já tende a atrair pessoas com seus próprios demônios.

1. Pessoas que estão enraivecidas e buscam formas socialmente aceitáveis de expressar isso.

2. Pessoas que possuem uma visão catastrófica da vida.

Quando participou dos protestos pela primeira vez, em 2014, Templeton foi uma dessas pessoas. Um ano antes, ela esteve em um acidente de carro fatal que matou o seu pai, seu tio e sua parceira. Ela disse que, muitas vezes, era difícil de carregar a culpa que sentia por ter sobrevivido, e houvera muitos dias nos quais ela sentou-se no seu quarto com uma arma carregada apontada para a própria cabeça.

13 de agosto de 2014 foi um desses dias, mas, enquanto decidia se puxava o gatilho, Templeton não conseguia parar de ver as imagens do desenrolar do protesto em Ferguson. Um dos seus amigos de infância estava entre os primeiros a tuitar fotos da morte de Michael Brown. Ela assistiu a tudo intensamente, colada ao telefone, enquanto os manifestantes eram contidos a base de gás lacrimogêneo.

Templeton decidiu que ela poderia muito bem sair e ver os acontecimentos com os próprios olhos antes de puxar o gatilho.

Em Ferguson, Templeton encontrou a comunidade, se sentiu em casa e, passando noites após noites com um alto-falante nas mãos, mal conseguindo se controlar, ela puxa as palavras de ordem nos protestos: “Indiciado, condenado, mandem aquele policial assassino pra cadeia. Todo o maldito sistema é culpado como o inferno!”

Eu vim pra rua e nunca mais voltei”, Templeton disse. “Mike Brown salvou a minha vida.”

E possivelmente tirou a vida de alguns oficiais. Mas, ei, é o efeito colateral.

Templeton começou a vomitar ódio nos outros e considerou isso incrivelmente embriagante. Não é uma ideia original. Simplesmente veja imagens daquelas multidões enlouquecidas aplaudindo um discurso de Hitler. Ou um discurso de Stalin. Certos tipos de movimentos atraem os “perdedores”, os instáveis, os raivosos, que buscam alguma razão para viver e a encontram em insultar os outros enquanto se esperneiam dizendo que suas ações são justificadas.

Isso demonstra que o #BlackLivesMatter, como o resto da esquerda, não é diferente.

E o artigo do Washington Post só contribui ainda mais para a catrastrofização. Ao invés de oferecer uma reflexão, continua a possibilitar que demônios impulsionem um movimento de ódio destrutivo e racista.

Daniel Greenfield. “Catastrophizing and the ‘Demons’ of the Radical Left”. Frontpage Mag, 15 de Fevereiro de 2016.

Tradução: William Dellatorre

Revisão: Rodrigo Carmo

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