43 Livros sobre guerra que todo homem deveria ler

Por Ryan Holiday [*]

A Guerra é, inquestionavelmente, a humanidade em seu pior. Ainda assim, paradoxalmente, é na guerra que os homens – os homens individuamente – frequentemente mostram o que há de melhor neles mesmos. A guerra é quase sempre o resultado da ganância, estupidez ou depravação, mas nela os homens frequentemente são bravos, leais e altruístas.

Eu não sou um soldado. Eu não tenho planos de virar um. Mas eu estudei guerra por muito tempo. Não estou sozinho nisso.

Grandes nomes tem lido e escrito sobre a guerra – suas causas, seus efeitos, seus heróis, suas vítimas – desde o começo do texto escrito. O que temos de mais poderoso em nossa literatura é ou abertamente sobre guerra ou profundamente influenciada por ela. Os poemas épicos de Homero são sobre guerra. – primeiro, dez anos de batalha contra Tróia, e depois dez anos de batalha contra a natureza e os deuses. Tucídides, nosso primeiro grande historiador, escreveu sobre a guerra do Peloponeso – a grande guerra entre Esparta e Atenas. Roma foi construída por guerra e literatura, e o mundo tem sido influenciado por isso desde então. O império Americano não é diferente – nossos homens voltaram para casa e escreveram sobre a Guerra Civil, sobre a guerra Hispano-Americana, sobre a Primeira Guerra Mundial, sobre a Segunda Guerra Mundial. Uma nova geração voltou para casa e escreveu (continua escrevendo) livros poderosos sobre a contra-insurgência no Iraque e no Afeganistão.

O estudo da Guerra é o estudo da vida, porque guerra é vida no sentido mais cru. É morte, medo, poder, amor, adrenalina, sacrifício, glória, e vontade de sobreviver.

Como Virgílio colocou, “a espada decide tudo.” Nós temos que aprender com: a estratégia, a motivação, as defesas. Nós temos que entender e respeitar as trevas e as consequências: dor, morte, mal, ganância.

Este é um artigo sobre o canon de livros acerca da guerra. Cada livro é sobre uma civilização diferente, um diferente conjunto de táticas, uma causa diferente, mas temas atemporais emergem. As lições estão sempre lá. Elas não – apesar do que o History Channel e os professores da escola tentam fazer você pensar – dizem respeito aos movimentos flanqueadores, ou datas, ou locais. Eu não sei muito bem essas coisas. Qual o sentido? O que importa é o que nós podemos tirar delas (das lições) e aplicar em nossas vidas e na sociedade.

Eu certamente não estou recomendando todo livro sobre Guerra já escrito, ou mesmo cada livro que li sobre o assunto, mas, ao invés disso, uma coleção dos mais significativos. Estou certo de que irei deixar de lado muitos dos grandes livros que você adorou, então por favor sugira-os nos comentários.

Nota: Eu os tenho aproximadamente organizados por cronologia e era, mas sinta-se livre para navegar entre eles. Eu sei que eu fiz isso.

A Expedição Persa, por Xenofonte. Em 400 antes de Cristo, 10.000 gregos são contratados como mercenários por Ciro, o Jovem, em sua tentativa de roubar o trono persa. Eles vencem a batalha, mas Ciro é morto em combate, ilhando a força grega inteira a milhares de milhas e dúzias de países hostis de casa. Xenofonte é eleito para ser o líder das tropas e as encoraja a lutar no caminho para casa. Todos os tipos de maravilhosos pensamentos táticos e histórias de liderança e bravura são mostrados durante a jornada deles de regresso. Xenofonte era um aluno de Sócrates e estudante de filosofia, então esse livro é a chance de ver aqueles ensinamentos em ação.

Tragédia Grega, por Ésquilo, Eurípedes e Sófocles. Não há melhor lembrete dos horrores da guerra do que o trabalho desses dramaturgos. De As Troianas, de Eurípedes, que mostrou o que aconteceu com os troianos inocentes após os gregos terem vencido os portões da cidade com o Cavalo de Tróia, até Sete contra Tebas, de Ésquilo (a batalha entre os filhos de Édipo, que é como um videogame), e Os Persas, que conta a massiva derrota em Maratona e Salamina da perspectiva de Xerxes, essas são deslumbrantes obras de arte. As pessoas também esquecem que Ésquilo, conhecido por nós principalmente como um grande escritor, na verdade pensava em si como um soldado. De fato, seu epitáfio não menciona suas peças – que agora são consideradas algumas das melhores já escritas – e destaca sua bravura na batalha contra os persas.

História da Guerra do Peloponeso, por Tucídides. Eu não vou mentir para você, esse é um livro longo. Mas ele conta a história da épica guerra entre Atenas e Esparta – é geopolítica, é estratégia, é liderança, são lições em luto, retórica e persuasão. Das belas e tocantes palavras do discurso do funeral de Péricles até as táticas criativas e ardilosas do general espartano Brasidas, esse livro tem tudo. Tem também a poderosa lição dos excessos de Atenas, que culminaram na perda deles em Siracusa e ainda tem imensa implicações hoje. E então também tinham os excessos definitivos de Esparta, que ganhou a guerra, mas não possuía entendimento sobre como governar um império. É uma leitura obrigatória para qualquer estudante do mundo. (Minha trívia favorita: Tucídides lutou na guerra, mas aparentemente foi desgraçado e perdeu muito dela porque pegou a praga.) Como uma sequência, o livro A War Like no Other, de Victor David Hanson é uma acessível e boa história moderna da batalha.

Portões de Fogo, por Steven Pressfield. Pode parecer estranho recomendar um livro de ficção nessa lista, mas pessoas mais espertas que eu – e muitos soldados reais – expressaram admiração sobre a precisão e melancolia desse livro. É talvez o melhor e mais claro livro escrito sobre os 300 espartanos que combateram os persas (e se sacrificaram) nas Termópilas.

The Western Way of War: Infantry Battle in Classical Greece, por Victor Davis Hanson. Victor Davis Hanson é um cara controverso e esse é um livro controverso, mas eu acho que você pode pôr isso de lado e absorver alguns dos pensamentos interessantes no livro. Hanson testou todo tipo de assunção e lugares comuns que temos sobre guerra. Por exemplo, a frase “e então os [soldados] devastaram a terra” – o que isso quer dizer? Quão difícil é isso? Acontece que é extremamente difícil. Totalmente paramentado como hoplita, Hanson e sua equipe tentaram destruir um pomar de azeitonas como uma tropa espartana destruiria. É extremamente difícil causar muito mais do que dano superficial. E quanto àqueles discursos motivadores dados antes da batalha? Oops, elmos de guerra na Grécia antiga não tinham buracos para os ouvidos! Hanson realmente espera que você ponha de lado o que viu em filmes e entenda como as batalhas eram realmente travadas e quanto dessas técnicas continuam conosco hoje.

A Arte da Guerra, por Sun Tzu. Em alguns aspectos, eu acho esse livro difícil de aplicar (e fácil de aplicar erroneamente) porque é muito aforístico e geral. Mas é, claro, um dos mais importantes textos sobre o guerrear e estratégia já escritos. Se você não sair com um par de boas linhas – como conhecer a si mesmo tanto quanto ao inimigo – você está perdendo.

As Campanhas de Alexandre, por Arrian. Arrian nos presenteou com dois documentos incríveis: Um foram as palestras do filósofo Epiteto, e o segundo foi sua história das guerras de Alexandre, o Grande. Alexandre é um maravilhoso exemplo do tóxico fardo da ambição. Sim, tal fardo o levou aos limites do mundo conquistado – mas também foi ali que ele morreu, provavelmente assassinado por seus próprios homens. Ele não tinha real propósito para aquilo tudo, nenhum plano real ou império verdadeiro – Era somente luta, vitória, posse, luta, vitória, posse até o fim (e no fim, como observou Epiteto, ele ainda morreu e foi enterrado como o resto de nós). Eu não estou dizendo que não há mais lições, mas essa é a mais saliente. Outras lições incluem liderar da frente e a importância da velocidade, da surpresa e da ousadia. Outro grande livro sobre Alexandre é As Virtudes da Guerra, de Steven Pressfield.

Genghis Khan e a Formação do Mundo Moderno, por Jack Weatherford. Os mongóis eram animais violentos e brutos sub-humanos, não eram? Ou era tudo isso parte da estratégia deles, focada em intimidar inimigos para submetê-los sem [precisar] lutar? Genghis Khan foi um dos guerreiros mais sagazes que já viveram, então eu vou dizer que é a segunda opção. Os mongóis transformaram a guerra numa ciência – de fato, a primeira coisa que eles fizeram quando conquistaram novo território foi achar os cientistas e estudiosos e usá-los quando necessário. Eles eram mestres da velocidade, da surpresa e da manobra. Eles também eram mestres da crueldade e violência, não há dúvidas quanto a isso. Mas essas táticas eram todas usadas para fins surpreendentes, e eles construíram um império que rivalizou com qualquer outro na história, e um que foi realmente conhecido por sua paz, prosperidade e liberdade.

O Livro dos Cinco Anéis, por Miyamoto Musashi. Eu prefiro esse livro ao A Arte da Guerra. Tecnicamente, Musashi não foi um general ou um soldado, mas um guerreiro samurai. Porém, dada a sua profissão, é seguro dizer que ele estava num constante estado de guerra. Ele duelou com os melhores guerreiros no mundo, frequentemente com todos ao mesmo tempo. Suas lições sobre a diferença entre o olho que vê e o olho que percebe são boas. Ele também fala em conhecer o inimigo melhor do que os próprios comandantes deles – para que seus movimentos na verdade os comande e direcione para onde você queira que eles vão. Esse livro tem muitas lições filosóficas que transcendem a luta de espadas. Você vai amar.

Napoleão, por Paul Johnson. Napoleão não é meu forte, é alguém que eu ainda preciso estudar mais diretamente. Mas eu peguei razoavelmente através dessa ótima biografia introdutória e através de livros sobre o período – especialmente On War e Quinze batalhas decisivas da humanidade: De Maratona a Waterloo (veja abaixo). Até Emerson tem um edificante ensaio sobre o homem. Eu também fiquei surpreso ao ler O Conde Negro, por Tom Reiss, que conta a história de um general de Napoleão – um ex-escravo que calhou de ser o pai do novelista Alexandre Dumas. Há também uma boa quantidade sobre Napoleão em 33 estratégias de guerra, do Robert Greene (veja abaixo).

On War, por Carl von Clausewitz. Em termos de tática bélica, esse livro provavelmente seria melhor titulado Sobre a guerra contra Napoleão, porque era sobre isso que Clausewitz estava realmente escrevendo. É em sua compreensão sobre política – ou antes, o que acontece quando a política para de funcionar – que Clausewitz realmente fez as contribuições dele. Então leia On War para isso, não para estratégias específicas.

Quinze batalhas decisivas da humanidade: De Maratona a Waterloo, por Sir Edward Shepherd Creasy. Você poderia argumentar que cada batalha afeta a história. Mas há umas poucas que mudam o mundo imediata e permanentemente. A Batalha de Maratona significou o triunfo da civilização ocidental sobre a oriental e preparou o palco para a democracia. A vitória americana em Saratoga, em cima dos britânicos, significou o sucesso da causa revolucionária. A derrota de Napoleão em Waterloo transformou a Europa e fez da Britânia o poder dominante. A razão pela qual esse livro para em Waterloo e não menciona nada da Guerra Civil, ou das Guerras Mundiais, é que ele foi escrito em 1851. É um documento histórico único que dá maior influência ao nosso passado clássico. Se você é um louco por estratégia, leia isso.

Civil War Stories, por Ambrose Bierce. Esqueça Mark Twain, esqueça Stephen Crane. Eles não conheciam realmente a Guerra Civil. Ambrose Bierce era um oficial no exército de Sherman e romantizou suas experiências em alguns dos mais angustiantes e perturbadores retratos da guerra e sua estupidez e destruição indiscriminada (ainda assim, profundamente atrativo) já escrito. Ele odiava a guerra, mas também a amava – tudo isso emerge de modo poderoso. Kurt Vonnegut considerou Um incidente na ponte de Owl Creek o melhor conto já escrito, e isso basta para mim. Você não terá verdadeiramente experimentado a Guerra Civil até ler esse livro.

Ulysses S. Grant: Memoirs and Selected Letters, por Ulysses S. Grant. Escrito por Ulysses S. Grant enquanto à beira da morte (e editado por Mark Twain), esses são pensamentos do homem que venceu a Guerra Civil com bravura de caráter, determinação e persistência (surpreendentemente, traços que faltavam a quase todos os generais que o procederam). Ele chama a guerra Mexicano-Americana uma das piores e mais sem sentido, e a Guerra Civil uma das mais importantes e justificadas. Tem um momento no livro, cedo na carreira de Grant como soldado, no qual ele foi enviado para caçar um bando de guerrilheiros, tremendo de medo quando chegou ao acampamento deles, só para descobrir que eles haviam fugido. Foi aí que ele percebeu que o inimigo frequentemente tinha tanto medo de você quanto você dele. Isso mudou seu modo de lidar com a batalha para sempre. Eu penso com frequência naquela linha.

Sherman: Soldier, Realist, American por B.H. Liddell Hart. Não há biografia melhor de um gênio militar, ponto. B.H. Liddell usa Sherman não apenas para explicar a Guerra Civil, mas estratégia. É impossível reduzir um livro a apenas um pensamentos ou linha, mas a explicação estratégica de Hart de atacar sempre “pela linha de menor expectativa e taticamente pela linha de menor resistência” mudará sua vida. Leia sobre Sherman não porque você quer aprender sobre como a Guerra Civil foi ganha (apesar de que você vai aprender isso), mas para aprender como guerras são vencidas, ponto. Eu também recomendaria fortemente Estratégia e Why Don’t We Learn From History, ambos do Hart.

Memoirs of the General William Tecumseh Sherman, por William Tecumseh Sherman. É isso mesmo, há dois livros sobre Sherman nessa lista. Ele foi uma das maiores mentes estratégicas que já viveu. Ele também estava perpetuamente exaltado (alguns pensam que ele pode ter sido bipolar) e adorava ir no ataque. É uma grande memória. Ele é um dos pouco generais a verdadeiramente capturar os horrores da guerra. Ele previu exatamente quão longa e difícil a Guerra Civil seria. Ela a venceu porque, lentamente, começou a acreditar em si mesmo e em seus instintos. Ele também venceu porque conhecia grand strategy – que a guerra seria vencida somente se seus recursos vulneráveis fossem destruídos (o suporte e expedientes das mulheres sulistas e a cultura de plantação que motivou largamente a guerra, em primeiro lugar). Derrubando aquele suporte, a vontade dos exércitos adversários também caiu.

Daring and Suffering: A History of the Great Railroad Adventure, por William Pittenger. Imagine esta missão: Você é enviado numa missão secreta dentro do território confederado, disfarçado. Você e um punhado de homens estão para roubar um trem e ligar os motores para trás das linhas inimigas, destruindo os trilhos e os depósitos atrás de você à medida em que avança. Naturalmente, algo sai terrivelmente errado, uma perseguição se inicia e você faz menos de 50 milhas. Você é então capturado e mandado para o pior campo de prisioneiros do Sul, onde muitos de seus camaradas são imediatamente executados. AQUELA é a verdadeira história de Daring and Suffering. Eu não acho que precise dizer muito mais a favor do livro a não ser que é uma história totalmente verdadeira, e o sujeito – também o escritor do livro – foi ao final o primeiro condecorado com a recém-criada medalha de honra. Outro bom livro nessa veia (apesar de mais contemporâneo) é Junius and Albert’s Adventures in the Confederacy, sobre dois jornalistas nortenhos que foram capturados em Vicksburg e finalmente enviados ao mesmo campo prisional. Eles fizeram uma fuga inacreditável depois de dois anos no campo e cruzaram muito do mesmo território que o protagonista em Montanha Gelada (veja abaixo).

Incidents and Anecdotes of the Civil War, pelo Almirante David Porter. Nós frequentemente esquecemos que a Guerra Civil também foi uma Guerra naval. O bem sucedido bloqueio nortenho ao Sul o impediu de sobreviver economicamente como uma nação separada, e uma série de vitórias chave no Mississipi (New Orleans, Vicksburg e algumas outras) partiu o Sul ao meio e deu à União o controle dos mais cruciais caminhos aquáticos. O Almirante David Porter foi uma grande parte dessas vitórias (por exemplo, ele controlou as baterias de armas em Vicksburg, o que ajudou Grant a vencer e cimentar seu status como general proeminente combatente). Porter também estava com Lincoln em seus últimos dias, incluindo sua incursão em Richmond depois que a capital Confederada caiu. Esse é um livro surpreendentemente divertido, mas tristemente esquecido.

The Civil War: A Narrative, por Shelby Foote. Esta obra prima épica em três volumes é para a guerra o que Declínio e Queda do Império Romano de Gibbon foi para a história. É a história definitiva da Guerra Civil dos Estados Unidos – dá igual tratamento para os dois lados, e tem mais do que um milhão de palavras, mas nunca é chata. Esse livro foi uma grande parte do incrível documentário de Ken Burns, A Guerra Civil Americana, o qual mostra notoriamente Shelby Foote em toda a sua glória de jaqueta de tweed e fumando cachimbo. Mesmo se você não ler a coisa toda, vale a pena ter em sua prateleira para folhear. Outro grande guia para a Guerra Civil é o livro (e blog) aclamado pelo New York Times, Disunion. Que tem narrado a guerra numa série de artigos incríveis, coincidindo sensivelmente com o centésimo quinquagésimo aniversário do confronto, pelos últimos anos.

Montanha Gelada, por Charles Frazier. Essa é meio que uma recomendação bônus. Apesar desse livro ser de ficção (e foi extraordinariamente popular à época – e eventualmente um filme ruim), é na verdade muito bom. Não apenas isso, ele cobre alguns temas que são bem importantes para a Guerra Civil. Um é o home guard, que patrulhava em busca de desertores e insubordinados militares (de ambos os lados) com brutal eficiência. Em segundo lugar, o livro inclui a Batalha de Crater, na qual Inman lutou. Não é muito bem conhecida, mas incrivelmente estranha. Em terceiro, a desilusão de soldados confederados ao final da guerra. As pessoas esquecem o quão completamente derrotado o Sul estava (largamente devido às estratégias de Sherman) e como isso fez muitas pessoas perceberem quão completamente falida a causa estava.

Company K, por William March. O que Ambrose Bierce foi para a Guerra Civil, William March foi para a Primeira Guerra Mundial. Esqueça All Quiet On the Western Front, leia isso. É a Primeira Guerra Mundial – possivelmente uma das piores coisas que a Civilização Ocidental já fez contra ela mesma – como realmente foi. Sem glamour, sem glória. Apenas um bocado de caras morrendo em trincheiras, tentando não enlouquecer. Se você quer um segundo livro (da perspectiva britânica), experimente Goodbye to All That, de Robert Graves. Como March, Graves seguiu para ser um escritor importante e bem sucedido, mas nunca superou os demônios que ele conheceu no campo de batalha.

Os Sete Pilares da Sabedoria, por T.E. Lawrence. Para alguns, T.E. Lawrence era um soldado, estrategista e expert cultural brilhante. Mas para outros, ele era um charlatão. Independente de qual lado você esteja, não há dúvidas de que T.E. Lawrence era um talentoso escritor e expert em combate com guerrilha. E com Os sete pilares da sabedoria ele escreveu um excelente – ainda que, às vezes, embelezado – relato do seu tempo como uma ligação com as forças rebeldes durante a revolta árabe contra o Império Otomano em 1916.

The Liberator, por Alex Kershaw. O Coronel Feliz Sparks (depois veio a ser General Brigadeiro) aterrisa na Sicília na primeira invasão Européia, e faz todo o caminho até os portões de Dachau. Ele basicamente viu a trajetória inteira da luta e vitória dos aliados sobre os poderes do Eixo na Segunda Guerra Mundial, e a leitura desse livro é requerida por essa razão. Ela lhe dá um senso completo do quão simplesmente horrível o combate na Segunda Guerra realmente era, e dos silenciosos heróis que o fizeram. Junto com os outros livros sobre a Segunda Guerra mencionados aqui e abaixo, eu recomendo o documentário de Ken Burns, The War, ainda que somente por ser amplamente baseado nesses livros e dar a você o senso do quadro completo.

With the Old Breed: At Peleliu and Okinawa, por E.B. Sledge. Esse livro é a base para a minissérie da HBO, The Pacific. Também calha de ser uma das mais assombrosas, realísticas e duras memórias da Segunda Guerra Mundial. Ele foi escrito secretamente em pedaços de papel durante aterrisagens e batalhas nas ilhas de Peleliu e Okinawa. Essas foram duas campanhas extremamente horrendas, lutadas até o último homem contra milhares de tropas entrincheiradas (e frequentemente suicidas) japonesas, em condições tropicais insanas. Sledge escreve sobre isso como um homem tentando desesperadamente se agarrar aos ultimos resquícios de humanidade dentro dele. Ele nunca foi o mesmo posteriormente; apenas escrevendo sobre isso muitos anos depois foi que ele conseguiu encontrar alguma paz.

Helmet for My Pillow: From Parris Island to the Pacific, por Robert Leckie. Essa é outra importante memória do teatro do Pacífico na Segunda Guerra Mundial. Leckie, um jornalista transformado em fuzileiro naval, escreve sobre Guadalcanal e Peleliu. Seu livro é tão devastador quanto o de Sledge, mas também humorado, dando-nos um lampejo da fraternidade e vida de soldados comuns lutando para passar o tempo em alguns dos piores lugares da Terra.

Perdendo a Guerra, por Lee Sandlin. Okay, esse não é um livro – é somente um ensaio. Mas esse ensaio é melhor do que quase qualquer livro inteiro já escrito sobre a Segunda Guerra. Pode, de fato, ser um dos melhores ensaios já escritos (sério). Eu sequer vou me incomodar em tentar dizer mais do que isso. Apenas o leia, confie em mim.

O Bandolim de Corelli, por Louis de Bernieres. Considere essa outra recomendação bônus de ficção (de um lado com o qual normalmente você não teria empatia). É a história das circunstâncias incomuns da invasão e ocupação italiana da Grécia durante a Segunda Guerra Mundial. Quando a Itália abandonou suas aliança com a Alemanha, a Alemanha atacou as tropas italianas na Grécia e cometeu atrocidades inacreditáveis com a população local. Tudo isso dito, esse livro é uma bela história de amor e também bem engraçado. Pode ser estranho admitir isso, mas se eu me lembro corretamente, o livro quase me fez chorar. – sério. – Esse livro pode ser “sobre” guerra, mas é, como a maioria desses livros, majoritariamente sobre pessoas.

Knight’s Cross: A Life of Field Marshall Erwin Rommel, por David Fraser. Vai ser estranho ler um livro sobre um general alemão na Segunda Guerra Mundial, mas devemos abrir uma exceção para Rommel. Sim, ele lutou por uma causa terrível, mas o fez brilhantemente – como soldado, estrategista e líder. Suas vitórias no norte da África eram material de lenda, e se as tropas dos Estados Unidos e Britânicas não tivessem finalmente melhores recursos, a coisa toda poderia ter acabado de maneira muito diferente. Você não pode ler sobre Rommel e não gostar e admirar o homem. Estou dizendo isso para que você esteja preparado e pronto para lembrar a si mesmo que isso não desculpa suas ações. Mas você ainda pode aprender delas .

American Patriot: The Life and Wars of Colonel Bud Day, por Robert Coram. Bud Day pode ser um dos mais condecorados soldados na história Americana. Ele lutou na Segunda Grande Guerra, na Coréia e no Vietnã. Foi no Vietnã onde ele fez história – abatido durante um voo, ele imediatamente fez uma fuga que desafiou a morte, com a perna quebrada e sem comida, apenas para ser recapturado depois de três semanas, somente a algumas jardas das linhas americanas. Uma vez preso, ele passou os próximos oito anos continuando uma guerra de desafio contra seus captores. Sua bravura quase inumana e estoicismo é ainda falado com assombro pelos homens que a testemunharam. (John MacCain foi um deles). Depois da guerra, ele ganhou a Medalha de Honra. Chamar Bud Day de durão parece quase condescendente. Ele foi um dos homens mais fortes, bravos e ousados que já viveram, ponto. Aprenda dele. Recomendação relacionada: Faith of My Fathers, de John MacCain, discute não só seu próprio tempo em Hanoi Hilton, mas também o exemplar serviço militar de seu pai e avô (ambos Almirantes da Marinha Americana).

What It Is Like To Go To War, por Karl Marlantes. Leia esse livro se você estiver pronto para ter mitos da Guerra destruídos para você. Um graduado de Yale e Oxford é jogado no Vietnã. Lá ele ganha dois Purple Hearts[1] e múltiplas outras medalhas por bravura e liderança. Nesse livro você pode realmente assistir enquanto ele luta contra os impulsos demasiado humanos de racionalizar, glamourizar e justificar o que ele era forçado a fazer naquelas selvas. Ainda assim, ele não faz isso – ele é honesto e introspectivo e nos dá um dos mais singulares documentos de combate e da mente da guerra já escritos. (O ensaio Why Men Love Wartambém sobre o Vietnã – vale ser lido por razões similares.)

A Rumour of War, por Philip Caputo. Considerada uma das memórias definitivas da Guerra do Vietnã, é “Simplesmente uma história sobre guerra, sobre as coisas que os homens fazem na guerra e as coisas que a guerra faz com eles.” Ele sabia bem que seu trabalho era matar quantas pessoas fosse possível e ele conta isso ao leitor, que precisa saber isso. Suas observações são chocantes e desconfortáveis. “Eu vi porcos comento corpos torrados por napalm – uma visão memorável, porcos comendo pessoas assadas.” Uau.

Boyd: The Fighter Pilot Who Changed the Art of War, por Robert Coram. Um dos maiores instrutores de pilotos de caça que já viveu deixou sua marca não no ar, mas no chão. Boyd, um mestre estrategista e pensador, essencialmente reinventou nosso entendimento de manobra de guerra. (Seus planos foram usados para a esmagadora vitória na Primeira Guerra do Golfo.) As lições nesse livro são incrivelmente valiosas para qualquer um lutando conta uma burocracia, contra a inércia, contra céticos e puxa-sacos. É considerado um clássico e lido pela maior parte dos pensadores estratégicos das forças armadas de hoje por uma razão.

Charlie Wilson’s War, por George Crile. Se você quer entender por que Iraque e Afeganistão estão do jeito que estão, esse livro ajuda. Basicamente, um congressista do Texas ajudou a tornar a invasão soviética do Afeganistão no Vietnã deles dando poder aos rebeldes Mujahideen. Treinados pela CIA com as dotações que ele disponibilizou para a tarefa, esses lutadores (que eventualmente incluíram Osama Bin Laden) despejaram caos nas forças invasoras e ocupantes. Mas os EUA não tinham estratégia de saída, não tinham um fim em mente com tudo isso. Aqueles combatentes prosseguiram, em muitas maneiras, para virar os jihadistas que estão confrontando muitos países “Ocidentais” ao redor do mundo. – em alguns casos, usando armas que nós demos a eles. Esse é um bom livro para ajudá-lo a entender que guerras são frequentemente travadas, vencidas e perdidas por pessoas que você nunca esperaria que pudessem influenciar o processo.

My War Gone By, I Miss It So, por Anthony Loyd. Um soldado britânico tornado jornalista, que deseja combate como um viciado em drogas, é enviado para reportar sobre a crise explosiva e o genocídio na Bósnia. Seu amor por guerra espelha seu real vício em droga. É um livro poderoso e belamente escrito sobre um conflito relativamente esquecido e grandemente ignorado – um que ocorreu em nosso tempo de vida, não antes.

War Is a Force that Gives Us Meaning, por Chris Hedges. Hedges é um escritor magistral. Somos sortudos por ele nos ter dado um retrato da guerra para que nunca deixássemos nossas inclinações e atrações por ela inquestionadas. Hedges, um antigo estudante da Divinity, mostra os efeitos da guerra nos homens que a travam, nos países pelos quais eles a travam e as pessoas e políticas que caem como dano colateral. Se você gostar desse livro, você não pode errar lendo os outros dele, incluindo “Império da Ilusão”. Eu também recomendo fortemente o ensaio de William James, Moral Equivalent of War de 1906, que olha para alguns dos mesmos apelos e impulsos.

The Heart and the Fist: The education of a humanitarian, the making of a Navy SEAL, por Eric Greitens. Tendo passado seus anos de adolescência e faculdade servindo de voluntário em campos de refugiados ao redor do mundo, Greitens se incomodou com a impotência de tudo aquilo – que ele não podia fazer nada a não ser confortar pessoas inocentes em perigo. Então ele virou um fuzileiro naval. Às vezes, ele observa, você tem que ser forte para fazer o bem, mas você tem que fazer o bem para ser forte. Por isso, o coração e o punho. Esse é um livro poderoso e tocante sobre nossos conflitos recentes no estrangeiro, e uma memória inspiradora sobre força, vontade e empatia.

Onde os Homens Conquistam a Glória, por Jon Krakauer. O mundo precisa de mais homens como Pat Tillman. Ostensivamente a história de um jogador profissional de futebol americano que desistiu de um contrato de U$ 3 milhões com a NFL para se juntar aos fuzileiros do exército após o 11/9, apenas para morrer sob circunstâncias suspeitas nas colinas do Afeganistão, Onde os Homens Conquistam a Glória é, do seu próprio modo, um livro sobre tudo o que está certo e errado com os militares. Em uma mão, há a honra, o altruísmo e a bravura. Na outra, há a inabilidade de verdadeiramente apreciar o indivíduo, e claro, a vergonhosa história de políticas, ocultação de idiotices e falta de responsabilização. Pat Tillman não era perfeito, mas ele foi um homem do qual todos nós poderíamos aprender uma coisa ou duas.

Brave New War: The Next Stage of Terrorism and the End of Globalization, por John Robb. Se você quer entender o futuro, leia esse livro. John Robb é um dos maiores pensadores do sistema vivo no mundo. O nome para o tipo de guerra que John Robb estuda é conhecido como Guerra de quarta geração (4th Generation Warfare). Você pode pensar nele como um John Boyd moderno – aplicando seu pensamento não à conflito de tropas ou políticas do Pentágono, mas a indivíduos superpoderosos, grupos descentralizados e economia. Eu li esse livro pela primeira vez enquanto pesquisava por um discurso que Robert Greene estava dando em West Point (veja abaixo). Eu não tenho certeza se algum outro texto moldou minhas visões de política e negócios internacionais desde aquela época.

33 Estratégias de Guerra, por Robert Greene. Esse livro foi escrito pelo meu mentor, Robert Greene, mas meu viés está amplamente compensado pelo fato de que ele é universalmente reconhecido como um clássico. Robert combina e sintetiza muitos dos textos acima – mais incontáveis outras lições – num livro abrangente sobre estratégia, execução e campanha. O livro pode ser aplicado num trabalho, num lançamento de produto, ou sim, numa guerra. Esse livro funciona tanto quanto um ótimo texto introdutório quanto como uma adição de nível mais alto sobre alguns do originais mencionados anteriormente.

The Savior Generals: How Five Great Commanders Saved Wars That Were Lost, por Victor Davis Hanson. Este livro fala de cinco generais diferentes, cada um que veio e salvou uma Guerra que, de outro modo, era capaz de estar perdida. Esses generais são Temístocles, Belisário, Sherman, Ridgway (na Coréia) e Petraeus (no Iraque)

On Killing: The Psychological Cost of Learning to Kill in War and Society, por Dave Grossman. Este é um livro controverso também, mas por outras razões. Eu sugiro a leitura porque esvazia algumas das lisonjas e glorificações inerentes às nossas assunções e crenças sobre guerra. Ele disputa a visão de que matar nos vem naturalmente e que soldados rumam à guerra como patos à água. De fato, a maioria dos soldados sequer dispara suas armas em batalha (e essa é uma evidência bem convincente disso). Eu sugiro esse livro como um contraponto a muitos dos outros listados aqui.

Guerra, por Sebastian Junger. Apesar da Guerra do Afeganistão estar acontecendo por mais de uma década, soldados e críticos culturais tem frequentemente notado como a vasta maioria do público americano está desconectado daquela realidade. O jornalista Sebastian Junger fecha essa lacuna um pouco nos transportando para uma cabana de palha no Vale do Korengal, onde ele passou cinco meses vivendo, dormindo e entrando sob fogo com o Segundo Batalhão dos EUA. Junger oferece um retrato vívido e cativante do que é estar em combate, da poderosa ligação entre os homens que o vivenciam juntos, da natureza do amor e da coragem nascida da batalha e do por que, apesar de seus perigos e durezas, os homens são arrastados para o combate de novo e novamente. O livro é uma leitura obrigatória, contudo, não por causa de suas penetrantes observações sobre guerra, mas pela sua visão da própria natureza da virilidade e da honra – destrinchada até sua essência mais básica.

Thank you for your Service, por David Finkel. Dois ex-oficiais da marinha sugeriram que eu terminasse essa lista com um livro sobre o que acontece quando as pessoas deixam a carreira militar. Esse livro é um dos melhores e dos mais recentes (apesar da maioria das memórias acima discutir esse assunto em alguma maneira). Ele vai quebrar seu coração e frustrá-lo ao mesmo tempo. Por um lado, os militares selecionam e então sujeitam um certo segmento de nossa população a estresses inimagináveis – e aí esperam que eles naveguem e lidem com isso por conta própria. (Como eles dizem “o rico trava a guerra, o pobre luta e morre nela.”) Esse é um segmento da população frequentemente sem os recursos e as redes de suporte para lidar com coisas como Injúria Cerebral Traumática (que é MUITO mais séria que estresse pós-traumático). Por outro lado, esses mesmo soldados irão frustrar você com os relacionamentos disfuncionais deles, e em alguns casos, escolhas geralmente ruins. É uma situação triste e frustrante de todos os lados. Ela lembra a você que nossos soldados não são graduados bem ajustados da Ivy League como alguns dos autores mencionados acima. Mas ainda assim eles merecem mais. – eles merecem mais do que agradecimentos vazios como upgrade de classe em voo e platitudes. Leitura ficcional relacionada: Billy Flynn’s Long Halftime Walk, por Ben Fountain.

Não há dúvida de que é algo bom uma geração inteira ter passado no Ocidente sem requisitar da maioria dos jovens que sentisse a consequência total da guerra. Guerra é uma coisa terrível (a qual, como disse Robert E. Lee uma vez, é boa porque, de outro modo, os homens poderiam desenvolver apreço demais a ela). Não precisar experimentá-la é um golpe de sorte com o qual as gerações anteriores não foram presenteadas.

Ao mesmo tempo, isso pode levar a uma profunda ignorância e ingenuidade. Como Cormac MacCarthy uma vez escreveu, “depravação e violência e a ‘prontidão para matar’ espreitam por baixo de toda a interação humana como ‘o padrão fiscal’.” As causas e realidades da guerra continuam aqui – sempre – elas estão somente obscurecidas.

Elas podem erguer suas cabeças feias amanhã. Ou nós podemos experimentá-las por aproximação, ou sentir o impacto daqueles impulsos sublimados através de outros meios.

Por essa razão, temos que entender a Guerra e como ela é vencida. E temos que entender o que ela faz com as pessoas. Fazer isso nos ajuda politicamente, socialmente e conscientemente. Também nos ajuda com o que quer que seja que por acaso estivermos fazendo. Guerras são livros texto em logística, planejamento, liderança e execução. Nós podemos aprender essas habilidades estudando os melhores. Nós também podemos aprender o que não fazer das guerra e com os generais que tiveram um péssimo desempenho.

Ninguém está dizendo que você precisa ler todos esses livros. Eu os li através de muitos anos (e parcialmente porque é meu trabalho) mas você ficará melhor por expor a si mesmo a quaisquer uns que chamem sua atenção ou intriguem você. E não se atenha apenas a esses títulos – entre na toca do coelho e siga aonde ela te levar. E se você gostou dessas recomendações, você pode receber mais todo mês se alistando para o meu boletim de leitura.

Trace sua própria rota e reporte sobre o que você aprendeu.

[*] Ryan Holiday. “43 Books About War Every Man Should Read”. The Art of Manliness, 2 de Dezembro de 2013.

Tradução: Yuri Mayal

Revisão: Rodrigo Carmo

[1] Condecoração do exército americano especificamente para feridos ou mortos em combate.

3 comentários

  • Ivan

    Muito obrigado, ao tradutor e ao autor deste texto! Todas as informações passadas são preciosas, e perfeitamente educativas! A direita venceremos!

  • Abel

    Senti falta de “Memórias da 2a guerra” – W. Churchill

  • LEANDRO XISCATTI

    Band of brothers (companhia de heróis): Companhia E, 506o. RIP, 101a. DIA D, Da Normandia ao Ninho da Águia de Hitler.

    Stephen E. Ambrose
    Bertrand Brasil, 2004 – 388 páginas

    A Easy Company, 506º Regimento de Infantaria Pára-Quedista do Exército Norte-Americano, foi uma das melhores companhias de fuzileiros do mundo. Band of brothers é o relato sobre os homens dessa unidade que combateram, passaram fome, sofreram com o frio e morreram. Uma equipe que teve 150% de baixas e considerava a medalha Purple Heart um distintivo. Baseando-se em horas de entrevistas com sobreviventes, bem como nos diários e nas cartas dos soldados, Stephen Ambrose conta a história desse notável grupo, que sempre recebia as missões mais difíceis, sendo responsável por tudo, do salto de pára-quedas na França nas primeiras horas da manhã do Dia D à captura do Ninho da Águia, a fortaleza de Hitler em Berchtesgaden.

    De seu rigoroso treinamento na Geórgia, em 1942, ao Dia D e à vitória dos Aliados, Ambrose teceu uma narrativa primorosa, com riqueza de detalhes, sobre as características dos soldados de infantaria de elite, transcrevendo no decorrer da obra as próprias palavras e depoimentos dos combatentes, o que dá mais veracidade à trama.

    O livro de Stephen Ambrose também foi para as telas da TV, pela HBO, em 2001. A idéia de produzir a série surgiu após Tom Hanks e Steven Spielberg terem filmado O Resgate do Soldado Ryan (1998). Os dois tinham projetos para novas produções sobre a Segunda Guerra Mundial e decidiram trabalhar juntos novamente em Band of Brothers, minissérie em 10 capítulos. O resultado foi uma superprodução de US$ 120 milhões — a mais cara da história da TV. A minissérie foi a grande vencedora do Oscar da TV norte-americana, com nada menos que seis troféus, entre eles o de Melhor Direção (Tom Hanks foi um dos diretores). Além de ter sido a vencedora na categoria Minissérie, venceu ainda os prêmios de Melhor Edição de Imagem, Edição de Som, Mixagem de Som e Seleção de Elenco. Fora o Emmy, conquistou o Globo de Ouro e o prêmio do AFI (American Film Institute) como Minissérie do Ano.

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